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Tesouro nacional

Museu do Rio exibe dinossauro que viveu há 110 milhões de anos

Uma cearense de 1,68cm de comprimento, 80cm de altura e 110 milhões de anos de idade promete revolucionar a paleontologia brasileira: batizada de Senhorita AL, é o primeiro exemplar da espécie Santanaraptor placidus, um ancestral do Tiranossauro Rex. A construção da réplica do animal foi possível graças a um fenômeno raríssimo no universo dos fósseis. Além dos ossos, pedaços de músculo e pele também ficaram petrificados. AL foi apresentada ao mundo na quinta-feira 27, no Museu Nacional, no Rio de Janeiro. Numa brincadeira de laboratório, decidiu-se que o bicho seria uma fêmea.
Aos olhos dos leigos, é uma mistura de lagarto com galinha. Para os cientistas, pode representar a primeira pegada para a criação de um parque dos dinossauros. “Já temos condições técnicas para reproduzir animais de grande porte”, diz o paleontologista Alexander Kellner, um liechtensteiniense naturalizado brasileiro que coordenou a expedição que encontrou AL na Chapada do Araripe, no Ceará. A partir desta semana, estarão em exposição o fóssil da Santanaraptor e o esqueleto e o modelo feitos de resina.

Segredo – O fóssil de AL foi encontrado em 1991 e a presença de tecidos moles petrificados deixou os cientistas estupefatos. Através deles era possível recriar o couro, os músculos e os vasos sanguíneos do animal. “Encontramos a região posterior. O fóssil não tinha crânio, mas quando identificamos seu parentesco, conseguimos reconstruir a cabeça”, observa Kellner. A descoberta ficou guardada a sete chaves até os cientistas conseguirem patrocínio de R$ 7 mil para a reconstituição, pagos pela Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, Faperj. “Pela primeira vez, reproduzimos um dinossauro brasileiro com base em tecido mole fossilizado. No mundo, ainda não existem registros de réplicas produzidas a partir de músculos petrificados”, afirma o paleontologista.
A escolha do nome Santanaraptor placidus é uma tripla homenagem. Junta o nome da cidade onde o fóssil foi achado (Santana do Cariri), a atividade predatória do animal (um raptor, ou caçador) e um tributo ao professor Plácido Cidade Nuvens, vice-reitor da Universidade Regional do Cariri, um dos defensores do sítio arqueológico da Chapada do Araripe. Quando AL e seus parentes viviam na região, a chapada cearense era um ambiente árido, com vegetação rasteira e lagunas. “A espécie provavelmente se alimentava de pequenos animais e das carcaças de outros dinossauros”, conta Kellner. “A AL é o ancestral mais próximo do Tiranossauro já encontrado na América Latina.”

Na prática, a estrela pré-histórica pode representar um empurrão para os cientistas do Museu Nacional reconstruírem outros animais. Dois candidatos, de 80 milhões de anos, lideram a fila: um teropode, dinossauro carnívoro que alcançava sete metros e viveu no Mato Grosso, e um sauropode, animal herbívoro que chegava aos 12 metros de comprimento e habitava a região onde hoje fica São Paulo.

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