Israel recorda 3º aniversário do ataque de 7 de outubro

Cerimônias e protestos marcam a data que desencadeou a guerra em Gaza e transformou a região

Israel recorda 3º aniversário do ataque de 7 de outubro

Israel relembra nesta quarta-feira (7) o terceiro aniversário dos ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A data marca o início da guerra na Faixa de Gaza, conflito que redefiniu a dinâmica política e a segurança no Oriente Médio.

Ao todo, cerca de 400 atos, cerimônias e manifestações estão programados ao longo do dia em todo o país. As primeiras homenagens começaram às 6h29 (horário local), no mesmo minuto em que a ofensiva do grupo extremista teve início há três anos.

Homenagens às vítimas e memórias do ataque

No local onde acontecia o festival de música Nova, próximo a Re’im, familiares de vítimas se reuniram para um minuto de silêncio diante de flores e retratos de parentes mortos. Eventos semelhantes ocorrem no cruzamento de Sha’ar HaNegev Arches, onde a bandeira nacional foi hasteada a meio-mastro.

A programação oficial se encerra à noite, às 21h15, com um ato no Parque Hayarkon, em Tel Aviv. Organizada pelo Conselho de Outubro e por familiares de afetados, a cerimônia será conduzida pela atriz Shani Cohen e pelo ex-refém Eli Sharabi. Hospitais, universidades e entidades civis também realizam momentos de memória.

Em Jaffa, o Centro Peres para a Paz e Inovação abriu a exposição “O Espaço Deixado para Trás”, reunindo objetos pessoais de mortos e sequestrados. Entre os itens expostos está a bicicleta de equilíbrio do menino Ariel Bibas — sequestrado ainda criança junto com a mãe, Shiri, e o irmão bebê, Kfir. Ariel completaria sete anos em agosto deste ano.

Manifestações e debate sobre falhas de segurança

Paralelamente às homenagens, o aniversário reacendeu manifestações políticas. Ativistas e familiares organizaram protestos em frente às residências de ministros que integravam o governo em 2023, cobrando responsabilidade política pelas falhas de segurança que permitiram o ataque.

A ofensiva de 2023 resultou na morte de cerca de 1,2 mil pessoas e no sequestro de 251 reféns — o episódio mais letal contra civis judeus desde o Holocausto.

A pressão sobre o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu segue no centro do debate público, com críticas à condução da guerra e à falta de um reconhecimento formal de responsabilidade por parte do chefe de governo. A discussão ganha ainda mais peso na reta final para as eleições israelenses, marcadas para 27 de outubro.

Pesquisas recentes do Fórum de Defesa e Segurança de Israel revelam uma mudança na opinião pública: a parcela de israelenses que enxerga a criação de um Estado palestino como uma ameaça grave subiu de 31% para 52% desde 2023, enquanto 59% temem a ocorrência de novos ataques na fronteira de Gaza nos próximos anos.

Posições do Hamas e desdobramentos regionais

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o Hamas voltou a defender a operação de 2023 como um “dia glorioso” e reafirmou o direito à resistência armada. O grupo acusou Israel de promover uma guerra genocida em Gaza e alegou que o conflito deixou mais de 74 mil mortos no enclave nos últimos três anos — números que não contam com verificação independente.

Na mesma linha, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, Ali Abdollahi, declarou que o 7 de outubro acelerou o “declínio” de Israel e consolidou a atuação da chamada “Frente de Resistência” na região.

Tensão na Cisjordânia

O aniversário também é marcado pelo aumento das operações de segurança. As Forças de Defesa de Israel realizaram incursões durante a madrugada na Cisjordânia, resultando na prisão de dezenas de suspeitos de envolvimento em atividades terroristas e incitação.

Em episódios paralelos relatados pela agência palestina Wafa, confrontos na região de Burqa resultaram na morte de um morador palestino de 44 anos durante um ataque atribuído a colonos e forças israelenses no momento da colheita de azeitonas.