Por Letícia Fucuchima

SÃO PAULO (Reuters) – A elétrica 2W está estreando no segmento de geração de energia com o início das operações de seu primeiro parque eólico na semana que vem, em uma entrega importante de sua estratégia de negócios e que pavimenta o caminho para a retomada dos planos de uma oferta inicial de ações (IPO) em 2023.

O CEO da 2W, Cláudio Ribeiro, disse à Reuters que a companhia, que é uma das principais comercializadoras de energia independentes do país, está se preparando para aproveitar a primeira janela que surgir no ano que vem para colocar de pé a operação no mercado de capitais.

A butique de negócios Laplace Finanças foi contratada para assessorar a escolha dos bancos que irão coordenar a oferta. A princípio, será um consórcio de quatro instituições financeiras.

Segundo Ribeiro, hoje a companhia está mais madura para realizar o IPO do que em 2020, quando fez uma primeira tentativa, em meio à pandemia.

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De lá para cá, a 2W concluiu seu primeiro projeto de geração de energia –o parque eólico Anemus, no Rio Grande do Norte, com 138,6 megawatts (MW)– e avançou com a venda de energia ao chamado “atacarejo”, segmento do setor elétrico que engloba consumidores de pequeno porte, principalmente pequenas e médias empresas.

“Estávamos muito ‘early stage’, o Anemus era um papel, um greenfield… Dizíamos ‘eu vou atacar o mercado atacarejo’, hoje já temos mais de 600 clientes na carteira”, disse o CEO.

“(Em 2020) Recuamos (do IPO) porque os investidores estavam precificando todo esse modelo de negócio com desconto muito alto. Agora, temos um book de realizações a mostrar… muda a percepção de valuation e desconto dos investidores”, acrescentou.

Ribeiro pondera que a decisão pela abertura de capital é “por conveniência”, e não por necessidade, uma vez que a 2W já tem bom acesso ao mercado de capitais em operações de dívida.

De olho na estreia na B3, a elétrica intensificou ao longo deste ano conversas com investidores estrangeiros, com roadshows na Europa e Estados Unidos. A temporada de IPOs de 2023 promete iniciar com a operação da elétrica CTG Brasil, subsidiária da gigante China Three Gorges Corp, que já protocolou registro na CVM.

APOSTA NA GERAÇÃO

Tradicional no mercado de comercialização de energia, a 2W decidiu investir no setor de geração como forma de trazer mais segurança às suas vendas de energia, garantindo lastro próprio, o que também ajuda na gestão dos preços.

O complexo Anemus, que receberá cerca de 750 milhões de reais em investimentos, tem toda sua energia vendida a consumidores de energia de pequeno porte, segmento que vem ganhando impulso com a abertura do ambiente de contratação livre (ACL).

Em paralelo, a 2W também está construindo seu segundo projeto eólico, chamado Kairós, no Ceará, com 261 MW de potência. O empreendimento terá duas fases, que somam 1,4 bilhão de reais em aportes, e deverá estar totalmente operacional no final de 2023.

A companhia tem a meta é chegar a 1 GW de potência nos próximos dois anos, devendo direcionar toda essa energia para o “atacarejo”, segmento que garante preços de venda de energia melhores se comparados ao dos grandes consumidores.

(Por Letícia Fucuchima)


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