Comportamento

Greves de alto risco

Conflito entre PM de São Paulo e policiais civis chama a atenção para a onda de paralisações que se espalha pelo País no momento da crise econômica

Foi uma cena inacreditável. Às 16h da quinta-feira 16, nos arredores do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, policiais civis e militares de São Paulo promoveram uma batalha com direito a socos, pontapés, bombas de gás lacrimogêneo e tiros, embora com balas de borracha, muitos tiros. As ruas foram interditadas e a vizinhança não se atrevia a olhar pelas janelas. Os hospitais da região contabilizaram o atendimento a 25 feridos. A situação só se normalizou cerca de quatro horas depois. Em greve desde 16 de setembro, os policiais civis reivindicam 15% de reajuste salarial e eleição direta para delegado-geral. O governo oferece 6,2% e não admite discutir a questão da escolha do chefe de polícia. Diante do impasse, cerca de 2,5 mil grevistas resolveram protestar na sede do governo. O secretário da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, concordou em receber uma comissão de grevistas, mas avisou que o governo não iria tolerar manifestações na porta do Palácio. Os grevistas insistiram e se depararam com o cordão de isolamento da Tropa de Choque da PM. O confronto foi inevitável. "Em São Paulo as polícias estão unidas. Isso é um fato isolado e é lamentável que a greve seja instrumentalizada para fins político-eleitorais", disse o governador José Serra. "Tem CUT, Força Sindical, outros sindicatos, partidos políticos, todos chamando para a manifestação, com uso claramente político-eleitoral."

O conflito das polícias em São Paulo chama a atenção para uma onda de greves que começa a se espalhar pelo País exatamente no momento em que o mundo atravessa uma crise financeira cujo tamanho ninguém ousa dimensionar. Na mesma quinta-feira 16, o diretor do Sindicato da Polícia Civil do Distrito Federal, Luciano Marinho de Moraes, integrante da Comissão de Segurança Pública do Congresso, iniciou contatos com sindicatos de todo o Brasil para promover uma greve nacional em solidariedade aos policiais civis de São Paulo. Os advogados da Defensoria Pública de São Paulo também paralisaram as atividades na última semana e deixaram de atender cerca de quatro mil pessoas por dia. Os agentes penitenciários federais dos presídios de Catanduvas (MS) e Campo Grande (MS) também estão parados e o mesmo ocorre com os bancários, desde o dia 8. Luiz Cláudio Marcolino, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo e Osasco, explica por que a briga é agora. "Nossa data-base é em setembro e a greve já estava dentro da estratégia."

"As greves acontecem porque a taxa de desemprego está baixa", explica o economista José Márcio Camargo. Ele acredita que os sindicalistas estão de olho no cenário que pode se apresentar em 2009. "É o momento que eles têm para levantar ganhos porque em um futuro próximo o espaço para negociações vai ser menor", opina o economista Frederico Turolla, da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM). Experiente no trato com grevistas, o ex-ministro do Trabalho Almir Pazzianotto recomenda cautela. "Pedir aumento todos podem, o que eles não podem é partir para um comportamento agressivo", afirma.

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