Comportamento

A um passo de deixar a F-1

Barrichello chega ao fim da temporada sem renovar com sua escuderia, o que pode excluí-lo da elite do automobilismo mundial

A um passo de deixar a F-1

i70090.jpgNo começo da carreira, em 1992, ele era tido como uma promessa de campeão. Com o passar do tempo, os títulos não vieram e o futuro herói se transformou num dos personagens preferidos do anedotário nacional. Usando fair-play para superar as brincadeiras, Rubens Barrichello conquistou dois vicecampeonatos mundiais pela Ferrari e tornou-se o piloto com o maior número de participações na Fórmula 1. Depois de 16 anos na categoria e muitas sambadinhas nos pódios mundo afora, Rubinho chega ao fim da temporada 2008 em meio a um impasse. O Grande Prêmio Brasil, em novembro, pode marcar o fim de sua trajetória na principal casta do automobilismo internacional. A Honda, escuderia atual, se mantém indefinida quanto à renovação de seu contrato. “Gostaria de já ter decidido o meu destino para o ano que vem, mas a equipe não anunciou nada. Está rolando um certo silêncio…”, lamentou Rubinho à ISTOÉ. Enquanto isso, as especulações rolam soltas. A Honda estaria articulando a contratação do espanhol Fernando Alonso ou de Bruno Senna, sobrinho de Ayrton Senna. Pelo lado de Rubinho, uma alternativa seria migrar para a pequena equipe Toro Rosso, e há quem fale em Fórmula Indy. “Nunca cogitei correr na Indy, isso é pura invenção de quem não tem o que fazer”, descarta o piloto. A decisão deve sair em breve. Seu fã-clube já se articula – colheu, até a noite da quinta-feira 16, 6,7 mil assinaturas para que ele permaneça na F-1.

Apesar das muitas críticas ao seu desempenho, Rubinho só não se considera completamente satisfeito pelas frustrações da época de Ferrari. “Realizei todos os meus sonhos, menos o de ser campeão. E não fui porque não deixaram”, afirma, referindo-se às orientações que recebeu da equipe italiana para abrir caminho para o primeiro piloto de então, Michael Schumacher. Ao responder se tem algum vínculo de amizade com o alemão, Rubinho é monossilábico: “Não.” Apesar disso, tenta não nutrir inimizades. “Não curto ter desafetos. Se tenho problema com alguém, vou lá e endireito tudo.” Na relação oposta, a dos amigos, cita muitos nomes, como Robert Kubica, Giancarlo Fisichela e Fernando Alonso. Mas o maior parceiro na F-1 é mesmo o conterrâneo Felipe Massa, a quem chama de “Massinha”. Nesses tempos de expectativa quanto à Honda, o piloto brasileiro deixa transparecer alguma mágoa com a escuderia, ao fazer um balanço de sua atuação. “O melhor é saber que dei tudo, mesmo com o carro ruim. Tenho o sentimento de dever cumprido”, diz ele, sem citar sua atual equipe.

O piloto sempre foi um prato cheio para os humoristas. No programa Casseta & Planeta, da Rede Globo, inspirou o “Rubinho Pé de Chinelo”. Também o Pânico na TV, da Rede TV, entregou a ele uma tartaruga. O humorista Rodrigo Scarpa, que interpreta o Repórter Vesgo, faz piada com as especulações. “Óbvio que vou sentir falta se ele parar. Para quem mais entregaríamos uma tartaruga de presente?”, ironiza. Sem sair do personagem, Scarpa sugere ao piloto uma ocupação. “Rubinho aposentado poderia ser o motorista do papa. Assim, ele finalmente ficaria na frente do alemão e com os brasileiros aplaudindo.” O piloto reage às brincadeiras com simpatia – chegou a participar de alguns programas. O ex-piloto Ingo Hoffmann, no entanto, não encara com tanto humor. “Só mesmo no Brasil um corredor duas vezes vicecampeão mundial é tratado como se fosse um perdedor, um qualquer”, diz. “Se ele não fosse bom, não estaria nas pistas até hoje, ganhando um caminhão de dinheiro.” O salário do piloto na Honda é de US$ 7,5 milhões (R$ 16,2 milhões) por ano. O bicampeão Emerson Fittipaldi também avalia bem Rubinho. “Ele é um dos grandes nomes da F-1. Sempre foi muito rápido e algumas vezes mais que Schumacher.”

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Enquanto aguarda a definição da atual equipe, Rubinho estuda várias possibilidades. Uma delas seria participar do campeonato brasileiro de Stock Car. “Caso ele não continue na F-1, vamos arrumar um jeitinho para ele aqui”, disse, recentemente, Cacá Bueno. A possibilidade de ir para a minúscula Toro Rosso também é real. A permanência na Honda não está descartada, mas a demora em dar a resposta e as notícias de que a escuderia procura novos pilotos tornam a renovação de contrato cada vez mais remota. A vontade de se manter na pista não é movida por nenhum objetivo financeiro ou mesmo pela busca de um título. “O que gosto mesmo é de guiar o carro. Então, nesses 16 anos, me diverti muito e gostaria de continuar assim”, explica ele. Em todo esse tempo, o verdadeiro combustível de Rubinho foi o prazer.

FOTOS: PIERRE ANDRIEU/AFP; DIVULGAÇÃO; ARTE: RICA RAMOS

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