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Entrevista

Omar Khayam

O oceano Omar

O oceano Omar

Com sete vidas, 107 doutoramentos e um milhão de seguidores, Khayam ensina o caminho das pedras em 33 idiomas e 72 dialetos

Camilo Vannuchi
Edição 19/07/2000 - nº 1608

Ninguém vira mestre de uma hora para outra. Quem quiser se igualar a Omar Khayam pode tentar, mas vai dar trabalho. Aos 99 anos e oito meses, Khayam, de acordo com o próprio, é considerado o homem mais culto do mundo, tem 107 doutoramentos e é grão-mestre de mais de 200 sociedades secretas. Também diz dominar 33 idiomas e 72 dialetos. É mestre taoísta, budista e viveu mais de 40 anos no Tibete. As explicações para um currículo tão vasto moram em uma espécie de esfera fantástica. “Sou apenas um veículo da sabedoria universal”, garante. Por trás de barbas espessas e com um cajado em punho, Khayam lembra Antônio Conselheiro ao lançar premonições sobre a destruição da Terra. Para ele, o planeta está na UTI e não deve durar mais de 30 anos. Arrastando sua indumentária de monge, o mestre deixou há duas semanas sua vida de eremita no Planalto Central do Brasil e resolveu peregrinar pelo mundo. Até lançou o site www.omonge.com.br para o ajudar a cumprir sua missão, mantida após sete encarnações: espalhar a paz e o amor entre as pessoas. O mago jura curar doenças como câncer, Aids e mal de Alzheimer com auxílio de plantas, ervas ou apenas com o poder da mente. O que ele ainda não conseguiu foi vencer o egoísmo e a teimosia dos homens. Khayam falou a IstoÉ no Hotel Intercontinental, em São Paulo, onde começou sua andança pela paz.

ISTOÉ – Por que o sr. resolveu viajar pelo Brasil?
Omar Khayam

Saí de minha reclusão voluntária no Planalto Central para me lançar numa turnê pelo País e mostrar os meios para se conseguir a paz. Fala-se muito em paz, mas ela é como o amor e o poder: tem de brotar de dentro para fora. Ela tem sua gênese no próprio ser. Se não estiver em paz consigo mesmo, você jamais conseguirá exteriorizar a paz. Não se pode tirar ouro de um vaso cheio de areia. Meu objetivo é dar os métodos necessários para que a criatura alcance esse despertar da paz e possa transmiti-la.

ISTOÉ – É difícil alcançar a paz?
Omar Khayam

Vou correr todos os Estados e oferecer os meios para que as pessoas, quando pensarem em paz ou amor, os tenham realmente. Fala-se muito em amor, mas ele vem acompanhado de uma insegurança terrível. O amor é tranquilo como a brisa da tarde batendo na epiderme das folhas. É a única coisa que diviniza o ser. Existe também a paixão, que é uma modalidade agressiva de amor e tira energia. Mas o próprio sexo pode produzir uma simbiose com o amor e o complementar. O objetivo do sexo é relaxar e não cansar. Vê-se muito o sexo enervando e deprimindo. Uma moça uma vez me disse que fazia sexo para dormir bem. Para dormir bem pode-se colocar uma música, olhar o mar. Eu abomino a ignorância, mas há pessoas que, se deixarem de ser ignorantes, perecerão. Como aquele que corre o dia inteiro feito louco e, se você lhe perguntar por que está vivendo, não sabe responder.

ISTOÉ – É importante dar um sentido à vida?
Omar Khayam

Não leva a nada. Mas conviria saber ao menos para que vivemos, nem que a resposta seja nula. É bom reconhecer: “Eu sou um imbecil, estou vivendo para nada.” Há muita diferença entre viver e existir. Uma garrafa existe, mas não vive. Quem quer viver, existir de forma consciente, deveria se preocupar com o porquê da própria vida. Isso daria maior plasticidade à existência, resultaria em um Eu mais sólido. Não traz a felicidade, mas leva a um encontro consigo mesmo. Às vezes, um imbecil é muito mais feliz do que o sábio.

ISTOÉ – Qual o sentido de sua vida?
Omar Khayam

Vivo para desempenhar um papel considerado idiota por muitos: ajudar quem merece. Eu me sinto feliz em minorar o sofrimento das pessoas. Sigo um preceito taoísta muito antigo: de mil que me ouvem, 100 me entendem; de 100 que me entendem, dez me seguem; de dez que me seguem, um realmente é meu. Jogo milhares de sementes. Se algumas dezenas vingarem, fico satisfeito. A felicidade é consequência da simbiose entre paz e amor.

ISTOÉ – Até agora, quantas sementes vingaram?
Omar Khayam

Tenho 30 mil discípulos e discípulas no Brasil. No mundo, mais de um milhão. Não exijo que o discípulo fique comigo o tempo todo. Ele pode levar sua vida longe do mestre. Mas sempre escolho um grupo para viajar comigo num estágio de aprendizado que dura um ou dois anos.

ISTOÉ – Por que a paz mundial nunca foi alcançada?
Omar Khayam

Muitos se preparam para a guerra pensando em obter a paz, mas não sabem como chegar a ela. É necessário ensinar um método, caso contrário, será apenas mais uma luta sem frutos.

ISTOÉ – Quais os erros da humanidade?
Omar Khayam

O egoísmo, a individualidade. Todas as folhas fazem parte da árvore. Quando se arranca uma folha, a agressão se dirige à árvore toda. Enquanto a criatura não perceber que é parte de um todo e que todos são partes do mesmo todo, será impossível haver paz e felicidade. A felicidade de um depende do outro. Se você é mau e corta o galho da árvore, cairá com ele. Se você é bom, o galho cai e você se segura no tronco. As pessoas não estão acostumadas a fazer o bem nem sabem exatamente o que é o bem e o que é o mal.

ISTOÉ – Que futuro o sr. prevê para os seres humanos?
Omar Khayam

A humanidade está fadada ao aniquilamento e adiá-lo depende apenas dela mesma. A Terra está na UTI. Um elemento químico chamado tritium, resultante dos experimentos atômicos, terá contaminado toda a água doce do planeta em pouco mais de 20 anos. Alguns países, como a China, já compram água doce. Essa falta poderá ser superada com o tecnicismo de alguns países capazes de tirar água doce do mar, mas nem todos possuem esse avanço. Em no máximo 50 anos, restará apenas um terço da humanidade. Vivemos em um planeta moribundo. O homem não cuida do futuro. Seu objetivo é ter uma conta bancária grande. Haverá o fim dessa civilização. Devido a grandes choques cataclísmicos, o homem perderá todo seu passado e sua memória e viverá em um estágio primervo, pré-evolutivo.

ISTOÉ – Quem sobreviverá?
Omar Khayam

Apenas as pessoas que atingirem o grau iniciático adequado. Existem três vias de evolução para o ser humano. A salvação pela dor corresponde a 90% dos casos. A dor e o sofrimento não são males em sua essência, mas remédios para algum mal. Outros 8% alcançam a salvação pela fé. Isso é perigosíssimo. A fé mexe com a emoção e o temperamento sem permitir um aprofundamento racional. Os outros 2% correspondem aos privilegiados que puderam encontrar um mestre, visível ou invisível, capaz de pegá-los pelas mãos e mostrar o caminho. Nós vivemos carregando os discípulos nos braços. Seguimos avaliando os cheques sem fundo que eles passam, assumindo a dívida.

 

ISTOÉ – Pode haver monges sem fé?
Omar Khayam

O monge taoísta é um filósofo ecumênico. Minha missão é de caráter científico e filosófico. Não sou religioso. Não faço nada pela fé, mas pela razão. Não combato nenhuma doutrina religiosa, pois todas condicionam o caminhar para a divindade, que não é um ser, mas a unidade. A divindade está em todos, em maior ou menor intensidade. O difícil é remontar a unidade. Chegará um dia em que todo o universo será Deus, manifestado nos seres.

ISTOÉ – Por que o sr. se recolheu no Planalto Central?
Omar Khayam

A reclusão é fundamental para adquirir paz e armazenar energia. O silêncio é necessário para atrair força. E eu também aproveito para aprender algumas coisas, pois minha reclusão é acompanhada de uma biblioteca com mais de 300 mil livros. Com a transição para a Era de Aquário, houve uma verticalização do eixo terrestre e o epicentro de energia – que antes ficava no Egito – está no Planalto Central. Todos os mestres do Tibete começam a se deslocar para cá. No Brasil temos um potencial tão grande quanto o do antigo Egito. Principalmente numa região entre o rio Roncador e Alto Paraíso de Goiás, formada por montanhas naturais com subsolo de cristal. Os que estiverem lá durante os maremotos e terremotos que assolarão a planetosfera em cerca de 20 anos terão mais chances de sobreviver. A Terra é como um pião em fim de rotação. Lugares onde nunca choveu ou nevou estão sofrendo com tempestades. Cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Recife e Olinda vão sucumbir. Quase todo o Japão desaparecerá, vitimado por explosões de magma incandescente e destruição de parte da litosfera.

ISTOÉ – E São Paulo?
Omar Khayam

São Paulo está sendo destruída pela ganância dos homens, mas não sumirá do ponto de vista geológico. De qualquer modo, o centro da terra continuará sendo o melhor local do mundo para se viver. Na escola, ensina-se que o centro do planeta é oco e preenchido por infusão. Mas lá existe uma civilização fantástica, a dos Almanaras, que habitava a Atlântida e a acompanhou quando ela submergiu.

ISTOÉ – Como é possível prever o futuro apenas com o auxílio da razão?
Omar Khayam

Eu sou apenas mago. Jesus foi visitado por três reis magos, o que significa três reis sábios. A verdade é que todos os fatos preexistem. Se eles não preexistissem, não poderia haver premonições. E tudo no mundo está interligado. Algumas criaturas têm maior afinidade do que outras. Dessa forma, elas conseguem receber informações. As coisas que eu falo chegaram a mim. O cérebro recebe o pensamento, não o produz. Ele transforma o pensamento que lhe chega em raciocínio, lógica ou razão. Não é como o fígado, que produz a bílis. Agora, há aqueles que não recebem nada e dizem que sim. No Planalto Central, também há muito charlatanismo, mas eu vivo de esmola, não tenho nenhum interesse econômico. Nunca me preocupo com o dia de amanhã. Hoje eu comi um pouquinho, amanhã, quem sabe…

ISTOÉ – O sr. cobra para realizar curas?
Omar Khayam

Não, mas recebo com prazer se acharem que eu mereço um prato de cenoura ou um abacate.

ISTOÉ – De que o sr. se alimenta?
Omar Khayam

Como algas marinhas, ervas do Oriente como o ginseng, ovos galados, cereais, pólen, mel, própolis. A humanidade está se matando com seus hábitos alimentares. O ideal é comer pouco e apenas aquilo que fornece energia maior do que a despendida no processo de alimentação. É preferível comer uma caçambinha de arroz integral do que um prato de arroz branco. Refrigerante é um crime. Não sei como as pessoas podem ingerir detergente por livre e espontânea vontade.

ISTOÉ – Há cura para todas as doenças?
Omar Khayam

Não existem doenças desenganáveis. Aids, câncer e mal de Alzheimer são doenças perfeitamente curáveis. Eu curo. Uso plantas naturais do Oriente, ervas medicinais ou apenas o poder da mente. Posso tratar à distância. Às vezes, a cura não é possível por causa do doente. Seu organismo não reage adequadamente. O necessário é garantir os meios para a natureza curar. Não é o médico nem o remédio que curam, mas a natureza. Qualquer médico pode curar, desde que ele busque os métodos e estude. Só que, devido às atribulações da vida atual, o médico tem dois ou três empregos para poder sobreviver. Não tem tempo para procurar esta sabedoria.

ISTOÉ – Como foi possível aprender 33 idiomas e ter 107 doutoramentos em apenas 99 anos?
Omar Khayam

Aos quatro anos, eu já fazia conferência sobre qualquer assunto. Existe uma caixa chamada éter refletor onde mora toda a sabedoria da Terra. Quando eu falo, entro em sintonia com essa caixa. Posso falar sobre assuntos que eu nunca tenha lido, pois sou apenas um veículo da sabedoria universal. Sou apenas um canal, torno-me a própria sabedoria quando há necessidade. De outro modo, não haveria tempo para aprender tanto, mesmo somando minha idade absoluta de mais de 5.600 anos.

ISTOÉ – Como assim?
Omar Khayam

Nasci pela primeira vez na Pérsia, onde escrevi um tratado de astronomia e um de geometria analítica, que foram destruídos no terceiro incêndio da biblioteca de Alexandria. Eu já provei até a existência do moto-contínuo e a existência de Deus pela matemática. Mas só me recordo de minhas sete últimas vidas. Desta vez, nasci em um navio inglês na entrada do porto de Manaus. Quando cheguei em casa, minha avó cega começou a enxergar. A cidade vinha em romaria até minha casa para ver a criança milagrosa. Com quatro anos de idade fui capaz de discursar durante quatro horas sobre a filosofia cabalística. Nunca tive infância. Os colegas da minha idade me consideravam maluco. Meus primeiros brinquedos foram a suma teológica de São Tomás de Aquino e um dicionário de francês-português. Lia, mas apenas para confirmar o que já sabia. Até corrigia algumas coisas. Brincava com a sabedoria.

ISTOÉ – Sempre foi um mestre?
Omar Khayam

Mestres não se fazem. Uma vez me perguntaram quando eu havia descoberto que era mestre. Eu nunca precisei descobrir, eu sempre fui. Agora, se alguém quiser ser o homem mais culto do mundo, pode até tentar. Eu sou bastante democrático.



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