Artes Visuais

Filme de arte

SUSPENSE - KATIA MACIEL/ Zipper Galeria, SP/ até 15/5

Filme de arte

A palavra “mise en scène” é francesa e teve sua origem no teatro clássico, referindo-se à movimentação e ao posicionamento dos atores e cenários no palco, no que diz respeito à preparação de um clima psicológico para uma cena. No cinema, a técnica ganha força com enquadramento de câmeras, luz e ação dos atores. Em “Suspense”, da artista carioca Katia Maciel, não temos um filme no sentido tradicional, mas “mise en scènes” em série que trabalham com a ideia em torno do sentimento de suspensão, ou melhor, suspense.

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Na entrada da galeria Zipper, onde a mostra acontece até a quarta-feira 15, cartazes funcionam como trailers de um filme. A palavra “suspense” aparece em todos os cartazes ao lado de frases poéticas sobre a iminência de que algo está para acontecer com uma mulher, presente em imagens fragmentadas, em meio a uma floresta. É a própria artista que incorpora a personagem sem rosto. “Os trabalhos falam desse estado de algo que está em suspensão, que está para acontecer e por isso nunca se configuram como um acontecimento nomeado. Se eu mostrasse o rosto, o acontecimento teria um nome”, explica Katia.

A artista trabalhou por cerca de nove meses no processo de criação das seis obras que, apesar de não resultarem em um filme, são um cinema-instalação. Em uma das obras principais, Katia sintetiza em uma videoperformance o sentimento de se estar suspenso. No vídeo, ela está alçada como um pêndulo em uma árvore. “Neste estado do suspense, você se vê à mercê de um acontecimento. É um estado de ansiedade em que o tempo parece passar mais vagarosamente”, define.

Completam a exposição caixas de luz, onde a artista, conhecida por seu trabalho com o vídeo, cria objetos interativos em homenagem às camadas mais elementares do cinema: a ilusão e a luz. Em “Caixa de Ar”, o visitante poderá manipular uma caixa transparente, onde a palavra “ar’ está impressa em duas bolinhas de ping-pong, brincando com a ideia da intangibilidade. Já em “Caixa de Luz”, é a luz, razão da ilusão da sala escura cinematográfica, que é transformada em estado sólido em uma poesia visual que brinca com espelhos e a palavra “luz”. 

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