Brasil

Será que a gente convence?

O ministro Pedro Malan e o presidente do BC, Armínio Fraga, fecham acordo com o FMI e tentam reconquistar a confiança dos investidores no Brasil

A sorte está lançada. Na segunda-feira 8, representantes do governo brasileiro e do Fundo Monetário Internacional (FMI) finalmente chegaram a um novo e rigoroso acordo de financiamento ao País, após duras negociações em que os técnicos do organismo impuseram metas mais rígidas e, em alguns casos, quase impossíveis de serem alcançadas. O Banco Central (BC) conseguiu, porém, a autorização de poder intervir no mercado de câmbio e passará até a receber uma mesada para isso: de março a junho terá US$ 8 bilhões do FMI para segurar a desvalorização do real. Esse dinheiro, porém, vale apenas para o mercado à vista do câmbio, e não o futuro, onde se fecham contratos para mais de 30 dias e onde a autoridade monetária interferiu várias vezes nas últimas semanas. Em sua edição de 24 de fevereiro, ISTOÉ revelou que essa ação controversa custou R$ 8 bilhões ao BC com a desvalorização do real e sempre foi criticada pelo Fundo. Como o presidente do BC, Armínio Fraga, tem cumprido à risca as regras de Washington, ele passou a operar no mercado à vista. Vende pequenos lotes de dólares, normalmente menos de US$ 80 milhões, a cada dia. A estratégia tem dado resultado. A cotação da moeda americana caiu de R$ 2,20 para os patamares de R$ 1,80 e R$ 1,90, o que representa uma valorização ao redor de 15% do real e uma aparente reversão de tendências.

É cedo, no entanto, para comemorações. O governo, o FMI e os operadores de mercado consideram que o principal problema do Brasil é recuperar a credibilidade. Depois de manter o câmbio artificialmente valorizado por quatro anos, acumular sucessivos e crescentes déficits fiscais e abrir-se perigosamente às importações, pouca gente acredita que agora se possa reverter tudo isso de uma só vez. Justamente por isso o ministro da Fazenda, Pedro Malan, seu escudeiro Armínio Fraga e diretores de BC embarcaram na quarta-feira 10 para os Estados Unidos, a Europa e o Japão para tentar convencer banqueiros de que investir de novo no Brasil vale a pena. Em troca, prometem se comportar bem e gerar um superávit primário de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Isso quer dizer que União, Estados e municípios teriam que arrecadar cerca de R$ 28 bilhões a mais do que o total de seus gastos, sem contar a despesa com juros. Só para comparar, em 1998 essa diferença foi de quase zero. Há, portanto, um longo e doloroso caminho a percorrer.

O acordo com o FMI também prevê inflação acumulada de 16,8% no final do ano, forte queda nas taxas de juros e superávit na balança comercial. O preço de todo esse esforço será uma pesada recessão, capaz de aumentar em um milhão o número de desempregados no País. "Esse acordo representa o pior dos mundos, colocando o Brasil em uma terrível recessão", argumenta o economista Paul Singer, ligado ao PT. "O governo acredita que conseguirá atrair dinheiro de investidores estrangeiros. Mas se não conseguiu em novembro, no acordo anterior do FMI, por que conseguirá agora que a situação piorou?", argumenta. O comando do Ministério da Fazenda, evidentemente, comemora o resultado. "Foi difícil conseguir o dinheiro do FMI desta vez", admite um auxiliar do ministro Malan. E deixa claro que esta pode ser a última chance de salvar o real.

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A s privatizações da Petrobras, da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil são três cartas na manga do presidente Fernando Henrique Cardoso a serem usadas na última metade de seu mandato, se necessário. Até lá, essas empresas podem significar um ânimo adicional para os investidores, nacionais e estrangeiros, e uma receita extra para reduzir a dívida pública, que tem crescido em trajetória explosiva. A intenção de FHC é ceder espaço para o setor privado em algumas áreas de atuação da Petrobras, como a BR Distribuidora e até algumas refinarias menores. A assembléia extraordinária do próximo dia 16 determinará inclusive que estrangeiros possam comprar ações da empresa que dão direito a voto. A YPF, da Argentina, é uma das companhias que estão de olho no negócio. Na Caixa, a idéia é reduzi-la à condição de agência de fomento, especializada no financiamento para os setores de habitação e saneamento. O programa de privatizações terá que garantir receitas de R$ 27,8 bilhões em 1999, o que inclui todas as empresas de energia elétrica, do sistema Eletrobrás, e o Banespa, entre outras estatais menos disputadas.

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