Cultura

A maré alta de Adriana Calcanhoto

A cantora gaúcha lança CD sobre o mar e dá um tempo na fase infantil Partimpim

A maré alta de Adriana Calcanhoto

GILDA MIDANI/AG. ISTOÉ

COMO UMA DEUSA Para Adriana, a maquiagem
da capa do CD (abaixo) lembra a divindade Tétis

Lá se vão seis anos desde que Adriana Calcanhotto lançou o disco Cantada para, em seguida, mergulhar na infância. Virou Adriana Partimpim e percorreu palcos enfeitando a excelência musical com molecagens. A bela gaúcha de olhos azuis e cabelos curtos de guri cuida de todos os detalhes para retornar ao público adulto sem decepcionar. Começou muito bem. Lançado em Portugal, o CD Maré conquistou disco de ouro (10 mil CDs vendidos) em dois dias. O trabalho é o segundo de uma trilogia dedicada ao mar e iniciada "sem querer" com Maritmo (1998). Apaixonada pelo Rio de Janeiro, Adriana adora cidades com praia pelo "jeito aberto" de seus moradores, mas a pele branca denuncia a distância segura que mantém do sol – ela mora longe da orla, em uma casa no Alto da Boa Vista (zona norte). Seu maior prazer é pedalar na ciclovia e remar no caiaque em frente à outra casa que possui em uma ilha de Angra dos Reis. Cariocas são bacanas, assim como Adriana.

Bacana e discreta. A cantora detesta expor a intimidade e, perguntada se continua solteira, limita-se a levantar os dois braços, com os lábios apertados, para sinalizar "pare". A aproximação com as crianças não foi suficiente para despertar- lhe, aos 42 anos, o desejo da maternidade, mas os espetáculos infantis serviram para aumentar sua "cumplicidade" com elas. "Fiz muitos pequenos grandes amigos." Ex-militante do PT, ela sonha eleger o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) presidente da República. "Sou filiada ao PV e, sempre que posso, pego uns panfletos para distribuir. Mas não gosto de política, não me interesso", afirma.

DIVULGAÇÃONas 11 músicas do novo CD é sensível uma dose a mais de erotismo, pura "coincidência" segundo ela. Menções a braços, cama, corpo ou sexo aparecem em cinco faixas. "Escolho a canção pelo que ela é, nunca pelo que representa", diz. Na capa, Adriana aparece com uma pintura tribal azulada, feita de "brincadeira" sobre o rosto liso de quem evita sol, carne, laticínios e café: "Quando vi, achei que, se Tétis tivesse uma cara, seria assim. E virou a capa." Tétis é uma deusa grega que vive no mar e se transforma em elementos da natureza. Adriana não arrisca dizer qual canção do novo disco fará mais sucesso. "É como o mar, nunca se sabe como estará." Bem Tétis.

OS CONVIDADOS ILUSTRES DO CD

Gilberto Gil
No violão em Sargaço mar, de Dorival Caymmi

Marisa Monte
Imita o "canto de sereia" em Porto Alegre, de Péricles Cavalcanti

Rodrigo Amarante
(Los Hermanos) – Está nos teclados e metais de Mulher sem razão, de Cazuza, Dé Palmeira e Bebel Gilberto, e está no piano em Para lá, de Arnaldo Antunes

Jards Macalé
No violão em Teu nome mais secreto, de Waly Salomão. É o mesmo violão que usou no disco Transa, de Caetano Veloso