Cultura

Loira gelada

Patricia Cornwell adora lidar com autópsias

Uma loira esguia, de 43 anos, que escreve com um revólver calibre 38 ou uma pistola 9mm devidamente carregados ao lado do computador, tem provocado rebuliço entre os fãs da literatura policial. O mais curioso é que Patricia D. Cornwell, a mulher em questão, é a escritora e não a personagem, embora tenha o perfil para estar nas páginas da ficção. Entre outras excentricidades, por exemplo, a americana Patricia trocou os cigarros por um cachimbo que combina perfeitamente com o corte masculino de suas roupas. Seus leitores acham o máximo. Tanto é que seu mais recente livro, lançado no Brasil, Restos mortais (Companhia das Letras, 360 págs., R$ 29,50), o terceiro contando as peripécias de Kay Scarpetta, médica legista especializada em vítimas de serial killers, está entre os mais vendidos nos Estados Unidos. Até a crítica deixou de torcer o nariz e, aos poucos, vem com razão reconhecendo seu talento.

Considerada a escritora mais bem-sucedida do momento, a ex-repórter policial que adquiriu conhecimento para seus livros testemunhando autópsias, inspirou-se numa médica de verdade, a doutora Marcella Fierro. Desde a estréia em 1990 com Post-mortem, Kay Scarpetta protagonizou dez livros. Patricia Cornwell se sentiu atraída pelo tema ao descobrir que as vítimas sempre falavam: “Isso nunca vai acontecer comigo.” Geralmente, estas eram suas últimas palavras.