Brasil

A viagem da maconha

Operação de R$ 7,5 milhões descobre que Maranhão tomou o lugar de Pernambuco como maior produtor

Maior ação de campo do governo nos últimos três anos contra o narcotráfico, a chamada Operação Mandacaru, com 1.500 agentes no combate ao plantio de maconha no interior de Pernambuco, teve um resultado inesperado: os policiais descobriram que Pernambuco já não é o maior produtor da droga do País. Plantadores e atravessadores se transferiram em massa para o Maranhão. A Agência Brasileira de Inteligência constatou uma redução de 60% no plantio da erva em Pernambuco desde o último levantamento, realizado há um ano. Segundo o próprio comandante da operação, general Gilberto Serra, o Maranhão já é o Estado onde mais se cultiva maconha no Brasil. E, como se não bastasse a decepção com as plantações pernambucanas, a operação foi minada pelas brigas entre a Polícia Federal e a Secretaria Nacional Antidrogas (Senad). Enciumados com o controle da Senad, chefiada pelo juiz Wálter Maierovitch, no combate ao tráfico, os policiais federais convocados para a operação foram acusados de sabotar os trabalhos.

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“Numa operação anterior, a PF destruiu mais plantações de maconha do que agora, prendeu mais traficantes e gastou só R$ 85 mil. A Operação Mandacaru vai gastar R$ 7,5 milhões!”, protesta Jaime Lielson, chefe da comunicação social da PF no Recife. Por trás da briga, está o fato de a Senad ter tirado das mãos da PF uma bolada. Trata-se do dinheiro que a Drug Enforcement Administration (DEA), dos EUA, repassava diretamente à PF para ajudar a combater o tráfico. O dinheiro, além de ajudar na compra de equipamentos, era distribuído entre os policiais. Foi montado um esquema de gratificação em moedas estrangeiras com depósitos no Exterior em contas bancárias particulares de delegados e agentes especiais da PF. A Abin se vangloria de ter desmontado este esquema. “Quanto aos R$ 7,5 milhões, só em uma semana de operação a Receita Federal já recuperou este montante em autuações e multas no quadrilátero da maconha”, defende-se o general Alberto Cardoso, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional do Planalto.

O comandante da operação, general Serra, garante que a ação está sendo um sucesso, o que atribui à área de inteligência da Presidência, à qual a equipe da PF só veio se juntar na semana passada. A Abin e a Senad trabalharam em segredo. Em meados de setembro, sem o conhecimento da PF, desembarcaram em Salgueiro cinco agentes da Abin para mapear a área do polígono da maconha. Produziram um relatório sugerindo ao general Cardoso uma ação de emergência conjunta. O general procurou os governadores da Bahia e de Pernambuco que, reunidos com o presidente Fernando Henrique, aprovaram o projeto Mandacaru.

Corpo mole – Mas os arapongas da PF descobriram a presença dos “colegas” em Pernambuco e, por conta disso, a Abin atribui a eles vazamentos de informação que possibilitaram a fuga de alguns “fazendeiros” da região. Mas o Planalto não podia abrir mão do contingente da PF, que acabou cedendo 178 agentes de vários Estados especialistas no combate as drogas. Aí foi a vez de os policiais federais minarem a operação, ora com corpo mole, negando-se a executar as tarefas, ora atacando abertamente o planejamento da Abin.

No início da semana passada apareceu uma história estranhíssima envolvendo ninguém menos do que Anna Maria Ferreira Maciel, a esposa do vice-presidente da República, Marco Maciel. Chegou à reportagem de ISTOÉ a informação de que a PF estava investigando uma empresa interestadual de ônibus que atua no polígono, cujos veículos estariam carregando maconha, que seria de propriedade de dona Anna Maria Maciel. A notícia caiu como uma bomba nos ouvidos do vice-presidente. Irritadíssimo, ele cobrou explicações do general Cardoso, que imediatamente pediu que se apurasse com rigor a informação. A assessoria de Inteligência do general logo concluiu que real-mente havia uma Anna Maria Maciel na história, mas não a esposa do vice-presidente. Tratava-se de uma homônima. “Se for uma ho-mônima, a polícia tem de prosseguir as investigações, mas se for uma armação colocaremos os culpados na cadeia”, desabafa Roberto Parreira, chefe de gabinete de Marco Maciel.

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