Cultura

Nobrezas diferentes

Roberto Carlos, o rei legítimo, e Reginaldo Rossi, o auto-intitulado, lançam novos discos

Se Elvis fosse vivo, teria raiva dele. Nem Sinatra fez tanto sucesso assim. Além de tudo, ele diz que parece com Leonardo ou James Dean e por fim afirma que é Daniel disfarçado com peruca pixaim. Quem mais poderia ser? O rei, não aquele, mas “Rei”ginaldo Rossi, agora modestamente auto-apelidado Rossi the king, nome de seu mais recente CD, uma coleção de bobagens deliciosas em ritmo iê-iê-iê que pode ser trilha sonora da festa de qualquer pessoa de bom humor. Rossi ri, faz piada de si mesmo, enquanto o rei, este sim o verdadeiro, mais uma vez expõe sua tristeza nas músicas e na foto da capa do disco. Roberto Carlos continua vivendo o drama da doença de sua mulher, Maria Rita, que sofre com as consequências de um câncer raro, hospitalizada em São Paulo. Ele inclusive cancelou o especial de fim de ano na Rede Globo, tradição que cumpre desde 1974.

Como no ano passado, agrilhoado por estes problemas, Roberto não gravou um álbum inédito – as composicões novas eram apenas quatro. Agora, lançou um CD duplo com clássicos românticos de seu repertório, entre eles a definitiva Detalhes, uma das mais belas canções da língua portuguesa. Há apenas uma música nova. Chama-se Todas as Nossas Senhoras, outro hino de desabafo aos santos, no estilo religioso que ele tanto gosta e necessita. Reginaldo Rossi faz o oposto. Incentiva a malícia num som para lá de irônico, misturando roquinhos com balanço de xaxado e uma voz anasalada quase igual à do rei legítimo. Rossi não é nada bobo. Desde que há dois anos alegrou o Sul maravilha com sua breguice, decidiu manter nesta praça a popularidade que sempre desfrutou no Nordeste. E, se depender do novo trabalho – que tem como convidados Wanderléa, Golden Boys, Roberta Miranda e Planet Hemp -, o caminho está traçado. Mas sorte mesmo, a gente deseja ao Rei!