Tecnologia & Meio ambiente

Rádio no céu

Diretamente do espaço, satélites transmitirão músicas e notícias para o mundo inteiro

"Vai ser o maior avanço em radiodifusão desde o advento das ondas curtas em 1920", garante Jacques Hamon, diretor de negócios da Alcatel Espace. A empresa francesa está construindo e colocando em órbita os três satélites da rede americana WorldSpace. Pelo meio do ano, eles começarão a transmitir rádio digital para a América Latina, África, Oriente Médio e Ásia. O primeiro desses três potentes satélites é o AfriStar, que vai cobrir a África e o Oriente Médio. Foi lançado em outubro pelo foguete Ariane 5. Os próximos a entrar em órbita geoestacionária (a 36 mil quilômetros da Terra) serão o AsiaStar (Ásia) e o AmeriStar (América Latina).

"Combinando a nova tecnologia digital com a transmissão via satélite, o rádio vai dar um decisivo passo à frente", diz Hamon. Através de uma nova geração de receptores de baixo custo, portáteis como os tradicionais "radinhos de pilha", o ouvinte brasileiro poderá escolher entre 96 emissoras em "mono" ou 48 em "FM estéreo", ou ainda 24 com qualidade de CD. Esses receptores serão equipados com chips eletrônicos capazes de decodificar os sinais digitais de rádio, mas também serão capazes de receber sinais convencionais de rádio.

A WorldSpace terá um potencial de 4,5 bilhões de ouvintes, que além de música e notícias também poderão receber textos, e-mails e programas da Internet. Qualquer emissora de rádio poderá ter acesso ao novo sistema através de uma estação de onde o sinal digital contendo a programação será enviado ao satélite para ser processado e distribuído aos ouvintes.

Outra novidade é a rede SkyBridge, projeto de um consórcio de empresas americanas, européias e japonesas. O sistema será formado por uma constelação de 80 satélites Leostar, que no final de 2001 fornecerá acesso a serviços de multimídia on-line em qualquer lugar do planeta. Os satélites vão orbitar a uma altitude de quase 1,5 mil quilômetros, o que torna muito curto – 20 milissegundos – o tempo necessário para a viagem de ida e volta do sinal, proporcionando assim a interatividade em tempo real.

Como seu próprio nome indica, a SkyBridge será uma ponte no céu. Dos satélites, o sinal será enviado para 200 estações espalhadas pelo planeta, cada uma cobrindo uma área de 700 quilômetros de diâmetro. Essas estações funcionarão como redes locais com as quais o usuário se conectará através do satélite, usando uma antena de 45 centímetros de diâmetro. "É um sistema simples e de baixo custo, e por isso muito competitivo", diz Didier Lesbre, diretor da Matra Marconi Space, fabricante francesa do satélite Leostar.

A interatividade do sistema pode vir a se estender para serviços de videoconferência, telemedicina e, é claro, serviços de entretenimento como filmes e jogos eletrônicos. Segundo pesquisas, na próxima década o mercado mundial de serviços de acesso de alta velocidade para a Internet será de 400 milhões de usuários. A SkyBridge pode servir até 20 milhões deles. Seu principal concorrente será a Teledesic, consórcio americano que tem Bill Gates como sócio. Sua constelação de 288 satélites entra em operação em 2003. "O Leostar é ideal para redes de comunicações desse tipo e esperamos em breve fabricá-los no Brasil, em sociedade com uma empresa brasileira", adianta Lesbre.