Brasil

A posse sem brilho de FHC

R$ 3 milhões menos R$ 60 mil é igual a R$ 2 milhões e 940 mil. Essa é a diferença marcante de tom na posse de FHC como presidente em 1995 e na posse para o segundo mandato

R$ 3 milhões menos R$ 60 mil é igual a R$ 2 milhões e 940 mil. Essa é a diferença marcante de tom na posse de FHC como presidente em 1995 e na posse para o segundo mandato às seis horas da tarde da sexta-feira 1º. A de agora sai por R$ 60 mil. É uma posse discreta, econômica, envergonhada até. Coisas do passado ficaram a recepção de gala no Itamaraty, o desfile de smokings e vestidos exclusivos como o que a primeira-dama, dona Ruth Cardoso (grife Issey Myiake), vestiu há quatro anos. A cerimônia dessa vez será outra:

FHC sai do Palácio da Alvorada em carro fechado direto para a Catedral de Brasília. Depois da bênção do arcebispo dom José Freire Falcão, ele vai então para o Congresso para ser empossado e para jurar respeito à Constituição.

FHC segue em seguida para o Palácio do Planalto onde recebe a faixa presidencial. A cena é de uma simplicidade monástica: ele sobe a rampa e no alto dela o chefe do cerimonial, o diplomata Walter Pecly, lhe entrega a faixa. Faixa posta, FHC empossa no Palácio o novo Ministério – cerimônia para 600 convidados sentados. O toque pessoal é um jantar no Palácio da Alvorada para uma centena de pessoas. Buffet: os próprios cozinheiros do Alvorada.

Como se diz no dia-a-dia, tudo pode ser muito simplesinho, mas feito com a melhor educação: como cinco presidentes da América do Sul se autoconvidaram para a ocasião, figuras conhecidas em festividades do gênero (Carlos Menen, da Argentina, Alberto Fujimori, do Peru, Jamil Mahuad, do Equador, Raul Cubas, do Paraguai, e Jules Widenbosch, do Suriname), o Itamaraty acabou tendo de improvisar um almoço na segunda-feira 4. O que estava previsto eram apenas os cumprimentos diplomáticos de praxe, seguidos de um coquetel regimental.