Edição nº2586 19/07 Ver edições anteriores

Armadilha aérea

Há pelo menos duas preocupantes armadilhas por trás da crise aérea brasileira

 Há pelo menos duas preocupantes armadilhas por trás da crise aérea brasileira. Em meio a verdades como a inconseqüente política salarial imposta aos controladores de vôo e a um fluxo cada vez mais intenso de aeronaves sobre o território nacional são inseridas, muitas vezes com a oportunista conivência de algumas autoridades civis e militares, contra-informações e até sabotagens a serviço de bilionários interesses internacionais. Não é verdade que nossos radares estejam sucateados, assim como não é verdadeira a afirmação de que existem pontos cegos em nosso território, a ponto de se tornar uma aventura voar no Brasil. Isso tudo, no entanto, não invalida a necessidade que o País tem de aumentar o número de radares, o que implica investimentos consideráveis. Aqui reside a primeira armadilha. Nosso espaço aéreo é controlado por equipamentos de diversas nacionalidades e há uma acirrada disputa principalmente entre americanos e franceses para nos vender novos radares. Nessa briga vale quase tudo, inclusive denegrir a imagem do concorrente. Não se espera que disputas internacionais dessa monta sejam protagonizadas por anjos, mas é assustador imaginar a possibilidade de que servidores públicos do Brasil estejam fazendo o jogo desses interesses.

A outra armadilha é ainda mais perversa. Está relacionada diretamente ao acidente com o vôo 1907 da Gol, que vitimou 154 pessoas. As contra-informações que desmoralizam nosso controle de tráfego aéreo ganham ares de veracidade antes que maiores investigações sejam concluídas. É o que basta para que as companhias de seguro tenham argumentos para procurar remeter ao Tesouro Nacional as indenizações devidas. Portanto, é de fundamental importância que as apurações sobre as causas do maior acidente da aviação brasileira não sejam contaminadas pelos lances das disputas comerciais. Nada disso, porém, justifica a falta de informações a que estão submetidos milhares de passageiros que diariamente têm seus vôos atrasados e até cancelados.


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