Edição nº2595 19/09 Ver edições anteriores

Segredo tucano no Andaraí

Depois do mensalão petista, o ministro Joaquim Barbosa agora se dedicará a investigar o esquema tucano

Segredo tucano no Andaraí

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Depois do mensalão petista, o ministro Joaquim Barbosa agora se dedicará a investigar o esquema tucano. Ele avalia incorporar à ação penal 536, conhecida por “mensalão mineiro”, o processo que investigou desvios em Furnas para abastecer o caixa 2 de campanhas do PSDB. Barbosa foi informado de que, após um jogo de empurra na Justiça do Rio, a denúncia criminal da procuradora Andrea Bayão foi esquecida numa pequena sala da delegacia fazendária no bairro do Andaraí. Nos 22 volumes sigilosos, estão relatórios da PF e escutas telefônicas que comprometem vários caciques tucanos, inclusive o deputado Eduardo Azeredo.

Juízes sob tutela

Ex-corregedora nacional de Justiça, a ministra Eliana Calmon promete causar barulho no comando da Escola Nacional de Magistrados (Enfam). Quer um curso de reciclagem para desembargadores e um intensivo para juízes estaduais sobre os poderes em Brasília. “O juiz é um agente político, temos que abrir a cabeça dele para o País”, diz.

Casa de ferreiro

A Casa Civil da Presidência da República lidera a lista de reclamações e recursos apresentados por cidadãos com base na Lei de Acesso à Informação. O órgão, que ajudou a elaborar o texto da lei, tem dado respostas genéricas e omitido o teor das informações relevantes.

Contos maranhenses

O TCU pôs a lupa nas contas da governadora do Maranhão, Roseana Sarney. A auditoria atende aos clamores da oposição maranhense, que reclama do endividamento do Estado acima dos 16% da receita líquida. Quem impulsiona nos bastidores a apuração é a ministra Ana Arraes.

Charge

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Erro de cálculo

A decisão do deputado Pedro Henry (PP-MT) de entregar seu passaporte à Câmara em vez de levá-lo ao STF foi um tiro no pé dos mensaleiros parlamentares. Alguns ministros viram o ato como uma provocação à corte e agora querem cassar os condenados imediatamente.

Ex é para sempre

Na quarta-feira 21, em pleno Salão Azul, empresários goianos pediam informações sobre como chegar ao “gabinete do senador que foi casado com a mulher do Cachoeira”. Prontamente, um servidor indicou o gabinete de Wilder Morais, que assumiu a vaga de Demóstenes Torres.

Andorinha só

O petista Domingos Dutra (MA) voltou de licença médica destoando das críticas do PT sobre as declarações do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que disse preferir morrer a ir para uma cadeia no Brasil. Dutra, que comandou a CPI do Sistema Carcerário, elogiou as declarações do colega petista, que classificou de “sinceras e corajosas”. Então tá.

Conexão Paraná

Segundo o inquérito 3.560 do STF, o braço da Refinaria de Manguinhos no Paraná chama-se Petropar. A dívida de ICMS que a empresa tem com o governo estadual é de R$ 280 milhões. O Cade apura por que o combustível lá é o mais caro do Brasil.

Sem desapego

Os seguranças do Senado estão sem saber como agir com o ex-senador João Pedro (PT-AM). Mesmo sem mandato, o suplente do senador Alfredo Nascimento (PR-AM) passa seus dias nos corredores da Casa, entra sem pedir licença em locais restritos a parlamentares e senta nas fileiras das comissões na área reservada. Ele frequenta gabinetes de colegas e até sugere projetos de lei. Quando é interpelado por funcionários da Casa, exige tratamento de senador e diz que, a qualquer momento, pode voltar ao cargo. Isso, obviamente, depende de Nascimento vir a ser reabilitado na Esplanada.

Remédio ministerial

Apesar de não querer uma reforma ministerial abrangente, a presidenta Dilma Rousseff está sendo pressionada a substituir ao menos dois ministros, por questão de força maior. Mendes Ribeiro, da Agricultura, e Edison Lobão, de Minas e Energia, estão com a saúde debilitada, foram submetidos a cirurgias recentes e já avisaram às suas bases que deixarão os cargos em janeiro.

Toma lá dá cá

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JOÃO ARRUDA (PMDB-PR), presidente da Comissão Especial Anticorrupção

ISTOÉ – Qual o objetivo da chamada “lei anticorrupção”?
Arruda –
O objetivo é ir aonde a lei das licitações (8.666) e a de improbidade não chegam, penalizando empresas que participem de esquemas de corrupção, como bancos e empreiteiras. Multá-las e impedir que sejam contradas pela União.

ISTOÉ – Por que até agora a lei não foi votada?
Arruda –
Queremos votá-la em dezembro. Mas houve obstrução por parte de colegas que defendem o interesse dessas empresas. Querem transformar a responsabilidade objetiva em subjetiva, o que inviabiliza o projeto.

ISTOÉ – E quem são esses parlamentares?
Arruda –
Prefiro não dizer ou vou criar muita confusão para o meu lado. São de vários partidos.

Rápidas

* Na cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Legislativo, no Salão Negro do Congresso, o sargento Jonas Chagas Medina arrancou suspiros das assistentes parlamentares ao pedir mais emoção da Banda da Guarda Presidencial na execução das músicas

* Polêmica à vista na Maçonaria com a inauguração em janeiro da Grande Loja Unida da Maçonaria Autônoma do Brasil, uma dissidência da poderosa fraternidade. Com sede em Mato Grosso do Sul, vai integrar gays, lésbicas e toda a turma GBLT.

* O ex-deputado João Caldas (PEN-AL) está convicto de que a cassação de seu filho, João Henrique Caldas (PTN), foi uma armação do presidente do TRE alagoano, Orlando Manso, para beneficiar seu cunhado, o suplente de Caldas, Arnon Amélio.

* Em reunião com a presidenta Dilma, representantes do blocão (PR-PTB-PSC) garantiram que serão fiéis ao governo e não vão pressionar por cargos. Com a possibilidade de assumir um ministério mais distante, o senador Blairo Maggi faz as malas para o PSB.

Retrato falado

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O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto, que se aposentou na semana passada ao completar 70 anos, continua a dar lições de ética mesmo fora da corte. Apesar do assédio de colegas e empresários, diz que nem cogita a hipótese de voltar à advocacia. Já tem palestras agendadas, negocia a reedição de três obras e planeja uma biografia. O ex-ministro, conhecido pelos hábitos franciscanos, quer voltar a dar aulas.

Relações perigosas

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Dois anos após a prisão do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, o inquérito da chamada Operação Caixa de Pandora ainda é pesadelo de muita gente. A análise de um laptop apreendido pela Polícia Federal no gabinete de Fábio Simão, chefe de gabinete de Arruda, traz e-mails enviados por advogada do escritório Caputo, Bastos e Fruet Advogados e confirma vazamento de informações do processo.

Limpando o pátio

Depois de conseguir viabilizar a desmontagem e o leilão de 19 dos 60 aviões de grande porte abandonados em aeroportos, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) terá um novo desafio. Limpar o pátio das empresas de transporte ferroviário. Há 15 mil vagões sem uso espalhados pelo País.

Fotos: Orlando Brito; Saulo Cruz/Ag. Câmara; Fellipe Sampaio/SCO/STF; Gustavo Miranda;
Colaboraram: Izabelle Torres e Josie Jeronimo 


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