Edição nº2581 13/06 Ver edições anteriores

O atlas que incomodou

Os depósitos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade guardam 2.500 exemplares de um atlas com empreendimentos econômicos em unidades de conservação

O atlas que incomodou

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Os depósitos do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade guardam 2.500 exemplares de um atlas com empreendimentos econômicos em unidades de conservação, que abrigam usinas hidrelétricas, estradas, linhas de transmissão de energia e até a exploração de minérios. Com mais de 400 páginas e capa dura, os livros tiveram a distribuição suspensa em setembro porque seu conteúdo foi considerado inconveniente. “Está cheio de obras nas unidades e seu entorno”, reconhece o presidente do instituto, Roberto Vizentin, que atribui o recolhimento dos livros a erros encontrados na publicação. Os atlas custaram ao contribuinte R$ 116 mil.

Aposta e risco

Feitas as contas, o governo avalia que poderá lucrar R$ 1 bi na operação do trem-bala entre Rio de Janeiro e São Paulo. O lucro desaparecerá se a construção das linhas, a ser bancada pelo governo, custar mais do que os R$ 26 bilhões previstos no estudo encaminhado ao Tribunal de Contas da União. A primeira parte do negócio irá a leilão em julho.

Guerra dos lobbies

O Planalto mobiliza empresários para contra-atacar, no Congresso, o lobby de empresas do setor elétrico contrário à mudança no cálculo das tarifas. Acredita que a mobilização em favor da redução em até 28% dos gastos com energia será mais forte.

Espere o feriado

Os primeiros efeitos da privatização dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos deverão ser percebidos no feriado da Proclamação da República. Em Brasília, os novos concessionários começarão a operar só em dezembro. O calendário independe de mudanças nos operadores.

Charge

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Contagem regressiva

A menos de 600 dias da Copa do Mundo, apenas 12% dos R$ 27,5 bilhões de investimentos previstos com dinheiro público saíram do papel. As obras de mobilidade urbana, além de mais caras, são as mais atrasadas do plano, com 4,5% do investimento considerado executado. As obras em aeroportos não vão muito melhor. Dos gastos previstos, 5,1% foram pagos.

Índice de felicidade

O governo quer saber quão satisfeitas estão as famílias brasileiras. O Índice de Expectativas das Famílias, que mede grau de otimismo, disposição de consumo e temor de perder o emprego, foi reformulado pelo Ipea. Os resultados serão divulgados no fim do mês.

Nova cartinha

A Aeronáutica prepara carta aos potenciais fornecedores francês, americano e sueco de 36 caças ao País. O prazo das propostas vence no final do ano e não há sinal de que o negócio será fechado até lá. Um novo período de seis meses começaria a contar em janeiro.

Mais cargos

O PSD acha o novo ministério das pequenas empresas pouco para selar a adesão do partido ao governo. Na lista de pedidos está a vice-presidência da Caixa Econômica Federal, além da Secretaria de Aviação Civil, dona de orçamento bilionário.

Escolas e submarinos

A dois meses do fim do ano, os investimentos federais feitos com dinheiro dos tributos se aproximam de R$ 36 bilhões. É um resultado melhor do que o obtido no ano passado, mas ainda aquém do exibido em 2010, ano eleitoral. Números do Tesouro Nacional pesquisados pela ONG Contas Abertas mostram que o Ministério da Educação foi o que mais aumentou gastos com obras e compra de equipamentos, seguido pela Defesa, que investe na construção de submarinos. Recordista no ranking dos investimentos, o Ministério dos Transportes foi quem mais perdeu terreno em relação a 2011. O tombo foi de R$ 1,5 bilhão.

Paroquialismo em alta

Candidato à presidência da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) defende que os gastos propostos pelos deputados para as bases políticas não devem mais ficar a critério do governo, em troca de votos. Até outubro, apenas 14% das emendas passaram pela primeira etapa do gasto público. No orçamento de 2013, a cota para emendas parlamentares será de R$ 15 milhões por cabeça.

Toma lá dá cá

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MARCELO NERI, PRESIDENTE DO IPEA

ISTOÉ – Ainda é frágil a redução da pobreza e da desigualdade no País?
Neri –
Existem vários riscos no radar, mas, até agora, a renda do trabalho tem se mantido incólume a choques externos e à desaceleração do PIB, o que é surpreendente.

ISTOÉ – O que mais ameaça: o baixo crescimento da economia ou a inflação alta?
Neri –
Tudo é ameaça, mas o risco maior é o das previsões.

ISTOÉ – A meta de tirar 16,2 milhões de pessoas da extrema pobreza até 2014 é factível?
Neri –
Particularmente, acho que o número inicial de miseráveis é menor, o que ajuda a cumprir a meta ambiciosa, que funciona mais como norte do que como ponto de chegada.

Rápidas

* Pilotos de avião e comissários de bordo serão alvo de programas de qualificação profissional. A Secretaria de Aviação Civil abriu licitação para contratar, por R$ 9 milhões, um diagnóstico da mão de obra do setor e o formato do programa.

* Gleisi Hoffmann tem dito a interlocutores que não desconsidera voltar ao Senado. Isso não significa que pretenda deixar logo o comando da Casa Civil.

* Enquanto o governo discute a adoção de cotas raciais no serviço público, o Senado constata, em censo funcional, que apenas 2,4% dos ocupantes de cargos de confiança se declaram negros. A maioria (48%) optou por não informar a cor da pele.

* Relatório do Ministério da Justiça mostra aumento de 50% no número de processos julgados desde junho em Alagoas, Estado que desenvolve piloto do programa Brasil mais Seguro. Comparou-se o desempenho de três meses de programa com o dos seis meses anteriores.

Retrato falado

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Governador da Bahia, Jaques Wagner entrou em campo para reaproximar o PT do PSB, do colega pernambucano Eduardo Campos. Com o argumento de que só a oposição lucraria com o racha dos aliados, acenou com a possibilidade de Campos liderar a chapa petista em 2018. “O PT não estaria saindo do poder, mas apenas da cabeça do poder”, raciocina. “É melhor abrir para alguém dentro de casa do que para outro na urna”, completa. Wagner sustenta que Lula não voltará a disputar o cargo.

Imagem retocada

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O internauta que buscasse informações do senador Romero Jucá (PMDB-RR) na rede costumava encontrar notícias que ligavam o nome do relator do Orçamento à corrupção. O resultado das pesquisas no Google foi alterado por uma empresa de consultoria contratada pelo senador e que agora exibe o “case” na internet. Pelo serviço, Jucá pagou R$ 6,8 mil, com dinheiro da verba parlamentar, bancada pelo contribuinte.

Contabilidade evangélica

Passada a eleição, a Frente Parlamentar Evangélica decidiu contar os votos obtidos por candidatos que se apresentaram como ativistas da diversidade sexual. Os 150 candidatos assumidamente gays teriam recebido 106 mil votos no País. Os evangélicos concluíram que gay não vota em gay.

Fotos: Marcelo Loureiro; Sergio Lima/Folhapress; Adriano Machado; Carlos Humberto
Colaborou: Josie Jeronimo


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