Gente

Sarkozy: “A esquerda brasileira é a minha direita”

Um breve suspense sugeria a entrada de um popstar quando Nicolas Sarkozy foi chamado ao palco por André Esteves, presidente do banco BTG Pactual

Sarkozy: “A esquerda brasileira  é a minha direita”

GENTE-02-IE-2242.jpg

Um breve suspense sugeria a entrada de um popstar quando Nicolas Sarkozy foi chamado ao palco por André Esteves, presidente do banco BTG Pactual. De barba por fazer, charmoso e sorridente, o ex-presidente da França começou falando dos laços que o une ao Brasil. “O pai da Carla (Bruni) mora em São Paulo e a irmã dela nasceu aqui.” De imediato, seduziu a plateia de empresários no auditório do Hotel Unique, em São Paulo. Abilio Diniz, Lírio Parisotto e Luiza Brunet, Alexandre Grandene, Henrique Constantino, da Gol, estavam na fechadíssima palestra “A Europa e suas Perspectivas”. Esta coluna também estava lá e assistiu a tudo com exclusividade. Ao final do encontro, Sarkozy, que antes havia se encontrado com Lula e Dilma, foi jantar na casa de Esteves. “Vou abrir o vinho que você me deu”, avisou o banqueiro a Lírio Parisotto, ainda no Unique. O Romanee Conti Montrachet 1996 foi presente do empresário a Esteves. A seguir, alguns trechos da palestra (leia mais no blog):

“O Brasil é um sucesso no mundo. Eu me entendi com o presidente Lula. (…) Quando vejo o mapa político do Brasil, todo mundo está à esquerda.. Mas uma esquerda assim é a minha direita. Então eu estou à esquerda. Pelo menos à esquerda brasileira”

“São Paulo para mim é familiar. Parte da minha família mora aqui. O pai da Carla mora em São Paulo e a irmã da Carla nasceu aqui”

“Estou feliz de inaugurar meu novo trabalho. Sou muito reconhecido por meu novo empregador (André Esteves). Ele me faz descobrir o mundo”

“A Europa vai passar dois anos difíceis. (…) Mas é indestrutível. Não saímos da crise. É uma crise de liderança e a doença do consenso. O mundo impõe que se tomem decisões rápidas. Tem que ser por maioria e não por unanimidade”

“ França e Alemanha, dois povos que se detestam, que mais se enfrentaram e guerrearam, decidiram: vamos fazer a Europa na amizade. Isso não é simples. É um passaporte para tudo que viveram nossos avós e bisavós”

“Angela (Merkel) e eu não podíamos ser mais diferentes. Ela é totalmente do leste, e eu do oeste. Ela é calma e eu apressado. Nós éramos chamados de Merkozy. Isso me causou problemas terríveis com a Carla. Mas ela pensou bem e… no fim das contas, não é um problema”

“Olha o que a crise fez de mim, trabalhando no BTG Pactual e com a barba por fazer”

“A Grécia tem nove milhões de habitantes, berço da democracia. Não é um país distante no continente africano. É um país da zona do euro. Imaginem se eu e a sra. Merkel tivéssemos abandonado a Grécia! Teria sido absolutamente irresponsável para nós e para o mundo”

“Tarde demais (para os eleitores franceses, que não o reelegeram). É melhor que eles tenham saudade. Mas tiveram com dez dias de atraso”