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O desafio de Schröder

Primeiro-ministro é reeleito com a coalizão do Partido Verde, contrário à participação de seu país na guerra contra o Iraque

O chanceler Gerhard Schröder, do Partido Social Democrata (SPD), foi reeleito no domingo 22 para chefiar o governo da Alemanha, mas saiu todo esfolado. Não obteve maioria no Bundestag (câmara baixa do Parlamento), terá que lidar com todos os problemas sociais e econômicos que não conseguiu resolver nos seus quatro anos do primeiro mandato e ainda enfrentará uma situação delicada no cenário internacional: as discrepâncias diplomáticas com os EUA sobre a guerra contra o Iraque. Schröder, 58 anos, ainda terá que administrar os Verdes, que lhe salvaram a pele. Afinal, estes aliados conquistaram 8,6% dos votos. Sozinho, o SPD teve 38,6%, apenas 0,3 ponto porcentual a mais que os 38,3% obtidos pelo conservador Edmund Stoiber, da aliança formada pela União Democrata Cristã (CDU) e União Social Cristã (CSU). Desde a fundação da Alemanha Ocidental, em 1949, não se via uma eleição tão disputada.

A coalizão vermelho-verde vem desde 1998, mas agora ela ganhou força. Os Verdes arrebataram 55 das 598 cadeiras do Bundestag. Um partido tão jovem – foi fundado em 1979 –, também elegeu a deputada mais nova ao Parlamento, Anna Lührmann, de apenas 19 anos. “Não vou ficar resmungando. Vou fazer alguma coisa”, prometeu a novata. Além de mais jovem, o Parlamento ficou mais feminino, com aumento da bancada de mulheres de 30% para 32%, a maioria delas no Partido Verde. “As mulheres não são melhores, mas têm experiência em áreas que os homens não estão tão interessados”, arriscou Anna. A conquista do voto feminino e do pacifista fez com que Schröder mudasse radicalmente a política externa alemã. Durante sua campanha em um programa de tevê, o chanceler fustigou o aliado George W. Bush por seu unilateralismo num possível ataque a Saddam Hussein e afirmou que a Alemanha não enviará soldados numa guerra contra o Iraque. Afinal, a Alemanha ainda é um país traumatizado pela guerra. Aliás, Schröder, nascido em 1944, foi o primeiro líder pós-guerra a não mencioná-la. Ele não conheceu seu pai, soldado da Wehrmacht morto na Romênia, e refere-se à sua mãe, já morta, como uma “leoa” que o protegeu dos efeitos do conflito.

Recém-reeleito, Schröder teve que sair às pressas atrás do prejuízo e ficou reunido duas horas em Londres com seu colega, o premiê britânico Tony Blair, para convencê-lo a restabelecer os contatos com o governo americano. O secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, chegou a afirmar que as relações entre os dois aliados ficaram “envenenadas”. Para acalmar os ânimos de Washington, o chanceler alemão afirmou que está disposto a aumentar o contingente de 1,2 mil soldados alemães em missão de paz no Afeganistão. O chanceler também tratou de se livrar rapidamente da ministra da Justiça, Herta Daubler-Gmelin, que comparou os métodos de W. Bush aos de A. Hitler.

Caso se restabeleça a calmaria entre Berlim e Washington, a Casa Branca não deverá pedir ao governo alemão que envie soldados ao Iraque, mas poderá solicitar o uso de suas bases militares para atacar os iraquianos. Isso seria uma pedra no sapato de Schröder, porque a figura máxima do Partido Verde, o carismático ministro das Relações Exteriores, Joschka Fischer, que deverá permanecer no cargo, é claramente contra qualquer tipo de apoio da Alemanha a uma invasão iraquiana, inclusive se houver uma resolução neste sentido das Nações Unidas.

Mas não só Bush terá que engolir Schröder. O premiê italiano Silvio Berlusconi e o presidente francês Jacques Chirac, que torciam por Edmund Stoiber, agora terão que suportar o chanceler alemão na próxima presidência rotativa
da União Européia.
E se as reeleições
de Schröder e a de
seu colega sueco Goran Persson ainda não significam a retomada da onda social-democrata
no Velho continente, pelo menos estancaram o avanço dos conservadores, que venceram recentemente na Itália, França, Portugal e Holanda.

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Enchentes – No cenário doméstico, o estilo despojado do primeiro-ministro (foi o primeiro a não usar gravatas) e suas preocupações sociais se cruzam com a plataforma dos Verdes. Um dos supostos atributos ao seu desempenho nestas eleições foi o socorro rápido e bem planejado às vítimas das enchentes que assolaram a Alemanha nos meses de julho e agosto. A população aplaudiu a determinação de Schröder em ajudar os atingidos. “Nós próximos anos, a Alemanha vai continuar batalhando por mais justiça social e ecologia”, afirmou Claudia Roth, vice-líder do PV. E o chanceler terá mesmo que batalhar por reformas profundas, uma vez que em sua administração o desemprego chegou a 9,9%, atingindo quase quatro milhões de pessoas, meio milhão a mais do que no governo anterior. Na parte oriental do país, o índice escandaliza os padrões europeus, com 20% de desempregados. A fama do social-democrata como um bom cumpridor de tarefas também evaporou com os escândalos de corrupção em companhias aéreas e de construção. Os Verdes já avisaram que vão querer governar em um cenário mais transparente. Se assim for, ponto para a Alemanha.

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