Cultura

A eterna guerra dos sexos

Na onda dos remakes, a novela que fez sucesso há três décadas retorna atualizada e sem os entraves da censura - o alvo agora é o público jovem

A eterna guerra dos sexos

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HERANÇA GENÉTICA
Tony Ramos e Irene Ravache como os primos Otávio e Charlô: a mesma rivalidade
e o mesmo humor vividos no passado por Paulo Autran e Fernanda Montenegro

A competitividade entre homens e mulheres não muda. Os costumes, no entanto, evoluem – para o bem ou para o mal. Por esse motivo, a nova versão da novela “Guerra dos Sexos” (estreia na segunda-feira 1º) assemelha-se a uma evolução natural ao trazer adaptadas para os dias de hoje as disputas de casais que fizeram sucesso na década de 1980. “O simples remake pareceria uma trama de época”, diz o autor Silvio de Abreu, que manteve os personagens, conservou os seus temperamentos, mas atualizou o enredo em todos os aspectos: “Até as gírias e xingamentos mudaram, ninguém chama mais o outro de pastel ou boko-moko.”

Na repaginada geral, foram excluídos os papéis que antes eram de Fernanda Montenegro e Paulo Autran. Os primos rivais, que nutrem uma paixão irresistível um pelo outro, deram lugar a também dois primos com a mesma índole e charme. Eles são seus sobrinhos, cada qual de um braço da família Alcântara, e têm o mesmo nome dos antepassados: Charlô II (Irene Ravache) e Otávio II (Tony Ramos). No início da novela, aparecem como herdeiros do palacete e da loja de departamentos dos tios. Ganharam também o mesmo gênio: os dois se odeiam. Para tornar o dia a dia mais interessante, fazem uma aposta que dá ao vencedor o direito total das propriedades, caso ele consiga aumentar o lucro dos negócios.

“No passado, as mulheres venceram. Não garanto que acontecerá o mesmo agora”, diz Abreu.

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Entre as situações da história original que mudaram radicalmente está o desejo das mulheres em disputar os mesmos cargos tradicionalmente reservados aos homens. “Até a Presidência da República é ocupada atualmente por uma mulher e esse vai ser um argumento forte”, diz o autor. Mesmo assim, o conflito dos casais não amenizou, segundo o protagonista Tony Ramos: “O machismo e a luta da mulher pelos direitos adquiridos ainda gera uma discussão universal.” Muitas vezes, o bate-boca pode terminar em puro pastelão – afinal, trata-se de uma comédia rasgada. Para os saudosistas, a clássica sequência em que Charlô e Otávio brigam à mesa, durante o café da manhã, será mantida e já foi gravada. “É a primeira vez que faço uma cena do gênero, achei divertidíssimo”, diz Tony. “Sinto-me honrada em viver um papel tão marcante”, completa Irene.

Poder reescrever o enredo numa época em que a única censura é a do politicamente correto serve de estímulo a Silvio de Abreu. Desta vez, ele poderá falar abertamente sobre a liberdade feminina, coisa que há três décadas ainda chocava as pessoas. A personagem de Vânia, (hoje vivida por Luana Piovani), por exemplo, só ganhou com o novo contexto: “Tive muito problema com os censores antigamente, que não permitiram mostrar sua busca pelo prazer sem se casar. Argumentavam que era contra a família.” O romance entre Juliana (Mariana Ximenes) e Fábio (Paulo Rocha) será mais ousado: na primeira versão, até os beijos do casal não podiam ir ao ar, já que eles traíam os respectivos cônjuges. “Por isso os personagens não deram certo. Como escrever cenas de romance se eles não podiam se tocar?”, questiona o autor.

Do elenco original, “Guerra dos Sexos” herdou a atriz Marilu Bueno, que interpreta o mesmo papel – o da governanta Olívia. “Foi uma grande sacada”, diz Tony. Outra boa ideia foi decorar a sala do palacete dos Alcântara com retratos dos antepassados: Olívia jura ver as pinturas se mexendo durante as acaloradas discussões dos primos. Com essas e outras novidades, aposta-se no interesse do telespectador. É uma nova geração que vai assistir à novela. Não se trata de falta de criatividade mas do reaproveitamento de um bom material.  

Fotos: Raphael Dias, Estevam Avellar, João Miguel Júnior, Alex Carvalho – TV GLOBO

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