Cultura

Aberta para o mundo

Bienal do mercosul não se restringe a artistas da América do sul

Aberta para o mundo

BRASIL O consagrado Cildo Meireles apresenta ?Marulho 1991- 2001? na mostra Zona franca (DIVULGAÇÃO)

 

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BRASIL O consagrado Cildo Meireles apresenta “Marulho 1991- 2001” na mostra Zona franca

 

Quando escreveu A terceira margem do rio, Guimarães Rosa contou a história de um pai de família que abandona costumes e regras para viver dentro de uma canoa. Décadas depois de sua publicação, o conto é a metáfora central da sexta edição da Bienal do Mercosul, que acontece de 1º de setembro a 18 de novembro, em Porto Alegre, pretendendo atrair 850 mil visitantes. Responsável por promover os artistas latino-americanos e por tornar o Brasil uma referência internacional nas artes visuais, a mostra chega reformulada a 2007. “Utilizamos a terceira margem para representar um critério mais aberto e tolerante para a produção artística. Precisamos ampliar a significância das obras. Não podemos restringir sua leitura a uma possibilidade apenas”, explica Gabriel Perez-Barreiro, curador geral da Bienal.

Sem um tema fechado, o evento inspira- se no conto de Guimarães Rosa para mostrar a possibilidade de diálogo entre obras e artistas de diferentes nacionalidades e costumes, o que pode gerar uma terceira forma de perceber a realidade. Esta é a primeira vez que a Bienal se abre à internacionalização. São cerca de 250 trabalhos vindos de 23 países – de artistas consagrados como os brasileiros Cildo Meireles, Nelson Leirner e Waltercio Caldas a estrangeiros como a americana Beth Campbell e o inglês Steve McQueen. Para valorizar todas essas vozes culturais, o evento conta com um grupo de curadores de diversas nacionalidades. Coordenados por Gabriel Perez- Barreiro, eles dividem-se em projetos específicos dentro da Bienal que, neste ano, conta com seis exposições.

As mostras monográficas, que apresentam diferentes momentos da arte latino-americana, trazem obras de Jorge Macchi, representante da

 

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contemporaneidade, de Öyvind Fahlström, referência dos anos 60, e do modernista Francisco Matto. Mas é nas exposições coletivas que o cenário artístico é ampliado por uma variedade temática mais rica. Divididos em três mostras, os trabalhos transitam entre inúmeras autorias. Em “Três fronteiras”, artistas que vivem na divisa entre Paraguai, Argentina e Brasil preparam um trabalho inteiramente baseado na diversidade cultural existente nessa região. Já em “Zona franca”, os curadores entram em cena para apresentar obras recentes que consideram relevantes para a atualidade. Em “Conversas”, artistas do Mercosul selecionados pela curadoria escolhem nomes que dialogam com sua obra, formando um interessante painel artístico global.

 

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ESTADOS UNIDOS Beth Campbell, que exibe Erro de continuidade sem fim, é uma das artistas de fora do Mercosul

Para que o espectador não seja apenas um receptor passivo, as ações do projeto pedagógico foram fundamentais. Novidade desta edição, o projeto atuou ao lado de instituições de ensino, formou mediadores e incluiu a arte na realidade dessas pessoas. “Nossa maior vontade é aproximar o público da obra contemporânea. Queremos que esse seja um processo profundo, no qual as pessoas possam analisar e estabelecer diálogos acerca dessa produção”, afirma Perez-Barreiro sobre o objetivo principal dessa Bienal, que é fazer com que o público lance um olhar reflexivo para a arte.