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Rússia pede esforço e vice-premiê sírio acena com renúncia de Assad

Qadri Jamil classificou como "propaganda relacionadas com as eleições americanas" as declarações de Obama a respeito de uma possível intervenção militar americana na Síria

O vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil, levantou nesta terça (21) em Moscou a possibilidade de negociar a demissão do presidente Bashar al-Assad para pôr fim ao conflito com a rebelião que abala o país. Um pouco antes, o ministro de Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, pediu nesta que o regime sírio faça esforços para que realmente seja possível uma reconciliação entre as autoridades e a oposição armada.
 
"De acordo com o que observamos na Síria, os passos dados são por enquanto insuficientes", disse Lavrov no começo da reunião com uma delegação liderada pelo vice-primeiro-ministro sírio, Qadri Jamil. Lavrov acrescentou que a Rússia "está convencida de que não há outra alternativa a seguir além da reconciliação nacional". Ele ressaltou ainda que, independente das pressões sobre a Síria, "é fato que uma parcela significativa da população está insatisfeita com a situação".
 
Após as declarações do russo, o vice-primeiro-ministro acenou com a possibilidade de Assad deixar o poder de lado. "Fazer da renúncia uma condição para manter um diálogo significa que jamais se poderá ter tal diálogo. Mas, nas negociações, pode-se falar de qualquer problema. Estamos dispostos, inclusive, a falar sobre este ponto", afirmou Jamil. Os Estados Unidos, os países europeus e o mundo árabe já apelaram para que o presidente sírio renuncie. Washington reiterou este apelo ontem.
 
Jamil também classificou como "propaganda relacionadas com as eleições americanas" as declarações de Obama a respeito de uma possível intervenção militar americana na Síria caso o regime de Assad use armas químicas. "Atualmente existem diferentes manobras ligadas às eleições presidenciais nos Estados Unidos", disse o vice-premiê.
 
Diante disso, Lavrov ressaltou que a Rússia "está muito interessada em escutar planos de futuro do país para que a situação retorne o mais rápido possível ao normal e os sírios decidam seu destino sem ingerência exterior. Somos fiéis aos acordos de Genebra (sobre a criação de um governo de transição na Síria)", acrescentou.
 
Lavrov disse que a Rússia "está convencida que esse é o único caminho para frear o mais rápido possível o derramamento de sangue e salvar o maior número de pessoas possível". O ministro também lembrou que o governo sírio se comprometeu a cumprir os acordos de Genebra no que se refere ao fim dos ataques armados e o início do diálogo com a oposição.
 
Jamil respondeu que a "ingerência exterior impede que os próprios sírios solucionem seus problemas. O governo trabalha sob o lema da reconciliação nacional. Todas as partes devem aprender a assumir compromissos".
 
Oposição síria em Paris
 
Enquanto Lavrov recebia representantes do regime de Assad em Moscou, uma delegação do Conselho Nacional Sírio (CNS, principal coalizão opositora), liderada pelo presidente Abdulbasset Sieda, foi recebida em Paris pelo presidente François Hollande.
 
Os cinco membros da delegação, que chegaram pouco depois das 17h (12h de Brasília) ao Palácio do Eliseu, foram antecedidos pelo ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, que também deverá participar deste encontro. O chefe de Estado recebeu os membros da delegação do CNS na varanda, dando um abraço em cada um deles. Na véspera, François Hollande já havia recebido no Eliseu o novo mediador internacional para a Síria, Lakhdar Brahimi.
 
Ao final desse primeiro encontro sobre a Síria depois de seu retorno de férias, no domingo à noite, o presidente Hollande, muito criticado pela oposição por uma passividade neste caso, havia reafirmado que não pode "haver solução política (na Síria) sem a saída de Bashar al-Assad" do poder. Hollande também lembrou o compromisso da França "em favor de uma Síria livre, democrática e que respeite os direitos de cada uma de suas comunidades".
 
Na saída do palácio presidencial, o novo mediador da ONU e da Liga Árabe para a Síria saudou o papel "importante" da França neste caso, lembrando que Paris ocupa atualmente a presidência interina do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

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