Brasil

Esquema milionário

BC já confirmou que a Anacor faz parte de uma rede de lavagem de dinheiro


No final de agosto, chegou à Procuradoria da República em Pernambuco um dossiê com cinco mil páginas produzido pela fiscalização do Banco Central. A papelama relata a existência de uma rede milionária suspeita de acolher operações de desvio e lavagem de dinheiro. A teia, que movimentou mais de R$ 200 milhões nos últimos seis anos, envolve diretamente a Anacor, Josebias Vitorino da Silva e o deputado Luciano Bivar (PFL-PE), além de outras agências de câmbio, laranjas e empresários nordestinos. Os documentos comprovam que, como relatou Alexandre Magero Araújo ao Ministério Público na Paraíba, Josebias era sócio-gerente da Anacor até 8 de dezembro de 1998, quando foi excluído da empresa. A mudança ocorreu 45 dias depois que o BC descredenciou a Anacor como instituição autorizada a trabalhar com troca de reais por dólares e remessas ao Exterior. No entanto, como também mostra a documentação reunida pelo BC, nem a Anacor se afastou de operações cambiais, nem Josebias, dos negócios da agência. Em fevereiro de 2001, a Anacor foi flagrada tentando trazer o equivalente a US$ 155 mil do Exterior. A operação foi recusada porque a conta da empresa que seria usada para receber o dinheiro estava paralisada há anos. Três meses depois, Josebias recebeu um cheque em nome da Anacor, no valor de R$ 336 mil.

O esquema revela a participação de outras empresas do ramo de câmbio e turismo que, suspeitam BC e Ministério Público, integram a mesma lavanderia, embora no papel pertençam a sócios diferentes. Depois da destituição da Anacor como operadora de câmbio, emerge no esquema a Brasicor Agência de Viagens, com escritório no mesmo shopping onde funcionava a irmã mais velha. Além de clientes e movimentação financeira, as duas empresas também dividiam outras coincidências: o sócio-gerente da Brasicor, Rubens Barbosa Filho, conforme a ficha de uma das quatro contas correntes identificadas em seu nome, já foi diretor da Anacor. Com um rendimento de R$ 6,5 mil mensais, recebeu depósitos de quase R$ 3 milhões apenas em 1996 e 1997, descompasso que chamou a atenção do Banco Central. Junto com Barbosa, surge um terceiro personagem, apontado como peça-chave em todo o esquema: Jorge Torquato David da Costa, dono de uma movimentação de pelo menos R$ 50 milhões entre 1997 e 2001 e também ligado à Brasicor. Torquato, sob investigação da Receita Federal em Pernambuco desde o ano passado, chegou a tentar impedir a quebra de seu sigilo bancário na Justiça, mas o pedido foi sumariamente indeferido. Na pendenga judicial com o Fisco, informa ser um “músico, autônomo e estar passando por grandes dificuldades econômico-financeiras”. Por falta de rendimentos, nem sequer apresentou declaração de Imposto de Renda em 1997. Depois da derrota judicial, sumiu.

Na teia identificada pelo Banco Central, Torquato, Josebias e Rubens dividem a função de receptadores de depósitos junto com outros sete laranjas. De lá, o dinheiro partia para destinos igualmente surpreendentes e boa parte dos trajetos leva ao deputado Luciano Bivar. Entram nas contas dezenas de cheques da Sasse, a Seguradora da Caixa Econômica Federal, o que aponta para a suspeita de um esquema de desvio de recursos originários do pagamento de indenizações em sinistros de imóveis da CEF. Privatizada no ano passado, a empresa é responsável pelo seguro contra danos de milhões de imóveis financiados pela Caixa. Coincidentemente, há dez anos, a Gerencial Brasitec, pertencente a Bivar, administra os serviços de vistoria, avaliação de danos e execução de reparos em casas, prédios e apartamentos construídos com empréstimos da instituição, segurados pela Sasse. A Brasifactor e a Brasitur, também de Bivar, aparecem como beneficiárias de recursos movimentados pelo esquema. Há ainda rumores de que Bivar também é ligado à Brasicor e a Rubens Barbosa.

Relações – Até o Sport Club Recife, o principal time de futebol pernambucano e presidido por Bivar até 1999, recebeu pelo menos R$ 1 milhão em depósitos que transitaram por contas de laranjas ligados à rede. Por enquanto, no nome do próprio deputado, apareceu apenas um cheque de R$ 18 mil. Também integra o mesmo esquema a Norte Câmbio Turismo, herdeira dos negócios da Anacor. Especialistas da área e procuradores que investigam o caso dizem que o mesmo gerente Manolo, conhecido nos bastidores do mercado de câmbio do Recife e citado por Araújo como o administrador da Anacor, é o responsável pela Norte Câmbio. Agora, a pedido do Ministério Público, o BC vai se debruçar sobre o braço da rede dedicado a remessas de recursos para fora e ao leva-e-traz de malas de dinheiro revelado por Araújo em seu depoimento aos procuradores.

Na quinta-feira 21, o deputado Bivar afirmou que não conhece Araújo nem possui relações com a Anacor, Brasicor ou Rubens Barbosa Filho, a quem diz só conhecer de nome. Também assegurou que não participa de nenhum esquema irregular e não sabe de nenhuma investigação em que esteja envolvido. “Pode ser que algum cheque meu tenha ido parar em alguma empresa dessas, porque elas trabalham com isso, mas não tenho nada com a área de câmbio”, concluiu.

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