Medicina & Bem-estar

Golpe no herpes

Vacina e novos medicamentos prometem dar alívio às lesões causadas pela ação do vírus

Novos medicamentos e uma vacina eficiente prometem fortes golpes na briga contra o vírus do herpes, um dos mais disseminados em todo o mundo e responsável pelo surgimento de lesões nos lábios e nos genitais. Um dos remédios aguarda aprovação do Ministério da Saúde e tem previsão de lançamento no Brasil até o final do ano. A droga é feita com substâncias extraídas da planta Equinacea purpurea e também com um composto anti-séptico. Sua eficácia foi avaliada em uma pesquisa coordenada por Silvio Boraks, chefe do setor de estomatologia e cirurgia bucomaxilar do Instituto do Câncer Arnaldo Vieira de Carvalho, de São Paulo. Cerca de 300 portadores de lesões labiais causadas pelo vírus participaram do estudo. Eles receberam uma aplicação única do medicamento sobre a ferida e depois foram acompanhados durante um ano e meio para verificar se as lesões voltariam. “Na maioria dos casos, as lesões não reapareceram no local tratado”, garante Boraks. Ele acredita que a droga tornou inativo o vírus no ponto em que foi aplicada, mas está realizando investigações para confirmar essa impressão. Além disso, as feridas também desapareceram mais rapidamente.

Outra novidade é a pomada feita com a substância requisimod, lançada há um mês nos Estados Unidos. “Ela melhora a imunidade, impedindo que o vírus se multiplique dentro da célula”, explica o dermatologista Omar Lupi, do Rio de Janeiro. Há mais um produto que tem dado bons resultados no combate ao vírus: ele é feito a partir do docosanol, substância que evita a entrada do agente na célula. Por enquanto, não há previsão de chegada dos dois remédios ao Brasil, mas eles podem ser importados.

E parece que a tão esperada vacina, pesquisada há três décadas, está perto de se tornar realidade. Os cientistas do Centro de Desenvolvimento de Vacinas da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, acreditam ter encontrado a fórmula certa, desenvolvida a partir de proteínas do vírus. O medicamento espera aprovação do Food and Drug Administration (agência americana que regulamenta alimentos e remédios) para ser comercializado. O dermatologista Omar Lupi – o único estrangeiro a fazer parte da equipe de cientistas – prevê o lançamento da vacina dentro de seis meses a um ano. “Ela foi avaliada em mais de mil pacientes. É segura e tem poucos efeitos colaterais”, diz. “Esta vacina vai melhorar a imunidade, abreviar as crises e aumentar o intervalo entre elas”, explica. Os cientistas estão investigando porque, nos testes, a vacina tem se mostrado mais eficaz nas mulheres do que nos homens.

São ótimas notícias contra um problema que incomoda muita gente. Cerca de 90% dos adultos já tiveram contato com um dos dois tipos do herpes-vírus, embora só um em cada dez infectados manifeste a doença (nos outros, o vírus fica inativo). “No Brasil, 65% dos adultos acima de 40 anos têm herpes labial”, afirma Omar Lupi. Nas crises, em geral disparadas pela diminuição das defesas do organismo ou exposição ao sol, surgem bolhas pequenas e doloridas nos lábios ou nos genitais. O tratamento combina medicamentos para inibir a multiplicação do vírus dentro da célula e cuidados preventivos, como evitar sol e usar protetores solares.