Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

EFEITO A aplicação de calor intenso dos raios rompe os depósitos de gordura

A gordura localizada é uma inimiga teimosa dos contornos femininos. Entranhada em pontos estratégicos, como a barriga, as costas e a lateral das coxas, ela é a matériaprima que forma os indesejáveis pneuzinhos e culotes. Na batalha para tirálos de cena – tarefa nem um pouco fácil, pois eles oferecem brava resistência aos ataques – ou pelo menos amenizar sua presença, os dermatologistas têm ao seu dispor um vasto arsenal de massagens, cremes e aparelhos que unem tecnologias como o ultra-som e a radiofreqüência. Ainda assim, essa é uma guerra (lucrativa, diga-se de passagem) que parece estar longe de ser vencida e, por isso, alimenta a criação de recursos mais potentes. Nessa linha, a última inovação é a terapia fotodinâmica, ou PDT, sigla formada pelo nome em inglês photo dynamic therapy, método baseado na ação da luz sobre substâncias fotossensíveis ministradas ao paciente. Em expansão na dermatologia, ele é empregado contra tumores de pele, acne e para reduzir sinais de envelhecimento precoce.

Agora, sua eficiência está sendo avaliada contra a gordura localizada. A dermatologista Denise Steiner, da Sociedade Brasileira de Dermatologia, está coordenando um teste em caráter experimental em dez pacientes. As aplicações estão sendo feitas no culote e na gordura das costas e laterais da cintura, os odiados pneuzinhos. As sessões começam com a aplicação de um creme com ácido aminolevulínico sobre a pele da região a ser tratada. “A substância desencadeia reações em algumas células, entre elas aquelas que funcionam como reservatórios de gordura, os adipócitos, tornando-as alvos selecionados”, explica a médica. Marcadas, as células atraem os raios emitidos pelo aparelho de PDT. “Isso faz a membrana do adipócito romper, eliminando os reservatórios de gordura”, diz Denise. A conseqüência esperada é a diminuição da gordura nas áreas atingidas pela terapia. Outro efeito secundário, ainda não estudado, seria a reorganização das fibras de colágeno, proteína que dá sustentação à pele, deixando a superfície mais lisa.

Cautelosa, Denise só aplica a terapia em pequenas áreas e em pacientes que não estejam acima do peso e possuam níveis de colesterol normais. A precaução se explica pela falta de estudos conclusivos sobre os destinos da gordura, liberada no sangue quando os reservatórios são explodidos. “Uma parte dela é eliminada, mas outra é reaproveitada pelo corpo. Então, é melhor que fique pouca gordura no sangue”, explica Denise. De acordo com o fisiologista Paulo Zogaib, da Universidade Federal de São Paulo, uma das possibilidades é que parte das moléculas soltas de gordura se reagrupe em outros adipócitos, em locais diferentes do corpo. Segundo o especialista, uma boa idéia para quem vai se submeter a tratamentos que destroem os adipócitos é adotar previamente uma dieta pobre em gorduras e praticar exercícios com regularidade. “Isso faz o corpo queimar mais energia e diminui a quantidade de gordura armazenada”, diz Zogaib.