Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

ALEXANDRE SANT’ANNA/AG. ISTOÉ

VERSATILIDADE Fernanda Abreu aderiu: mesma peça pode ser usada de dia ou à noite

Foi num canto empoeirado da Sala Cecília Meireles, no Rio, que as estilistas cariocas Lucinha Karabtchevsky e Cláudia Kopke começaram a criar a grife 2k2, com roupas feitas com um não-tecido. Este é o nome pelo qual o tyvek é conhecido no mercado, um material leve como papel, resistente e prático como uma resina, bonito e charmoso como poucos. No canto da sala estava guardado, há quase dez anos, o figurino da ópera Orfeu, em cuja remontagem as duas trabalharam em 2007. Apesar do tempo, as peças pareciam novas e o mérito era do material. “Essa durabilidade nos fascinou”, lembra Cláudia. A dupla acaba de lançar a primeira coleção da nova marca, que já tem clientes como as atrizes Carolina Dieckman e Regina Casé, a cantora Fernanda Abreu, a cineasta Carolina Jabor e as jornalistas de moda Erika Palomino e Joyce Pascowitch. São vestidos, blusas e capas que se transformam dependendo do jeito como são amarrados ao corpo.

A praticidade é a base da 2k2. As roupas podem ser usadas de várias maneiras. Com uma amarração aqui e outra ali, o vestido-trapézio, estrela da marca, vai da praia à festa. “Dá para usar o dia todo porque o que é uma saída de piscina se transforma em uma bela indumentária para a noite. Nem nós sabemos quantos modelos diferentes é possível fazer com cada peça. Estamos sempre inventando. Se não anoto, até esqueço”, diz Lucinha. A cantora Fernanda Abreu adora desdobrar suas roupas de não-tecido. “São criações modernas, originais, lindas e ótimas de usar. São fresquinhas, mas à noite elas também não me deixam sentir frio”, diz. “Sem contar que é algo exclusivo, o que sempre interessa a quem gosta de moda”, acrescenta.

A exclusividade, porém, é conseqüência do próprio processo de produção das peças, artesanal e exaustivo. Fabricado pela DuPont, o não-tecido passa por várias lavagens para ficar cada vez mais leve e fino. Depois vem a fase do tingimento à mão e, por fim, o corte. “Ainda estamos testando as possibilidades do material”, comenta Cláudia. Antes de começar a confeccionar a coleção, Lucinha e Cláudia inventavam peças somente para consumo próprio e, claro, seus originais vestidos e capas chamaram a atenção dos amigos, que incentivaram a criação da 2k2, primeira grife da dupla. Nos anos 80, elas fizeram parte de um grupo de estilistas de vanguarda e tiveram outras marcas. Lucinha era sócia da Nefelibato, com Tadeu Burgos, e Cláudia, da Transfigura, com Emília Duncan, grifes de modernos e descolados na época. Juntas, hoje, elas continuam fugindo das tendências de massa.

O que é o tyvek
O não-tecido usado por Lucinha Karabtchevsky e Cláudia Kopke se chama tyvek. Desenvolvido pela DuPont, mesma empresa que criou o teflon e a lycra, o material foi muito utilizado na década de 80 em capas de chuva. Hoje, é a matéria-prima das etiquetas de roupas, por exemplo. É chamado de não-tecido porque não tem trama.