Ediçao Da Semana

Nº 2742 - 12/08/22 Leia mais

THOMAS KIENZLE/AP/IMAGEPLUS

MEDALHA Maurren Maggi, do salto em distância, ganhou a prata no torneio mundial na Espanha e vai para Pequim

O Brasil pode chegar menos gracioso aos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto deste ano. As atletas brasileiras, que há quatro anos desembarcaram em Atenas ocupando metade (49%) das vagas olímpicas do País, não vêm apresentando desempenho semelhante nas eliminatórias para a China. Ainda faltam provas importantes para delimitar o tamanho real da delegação do Brasil, mas a maioria das vagas já foi preenchida e, dos 156 brasileiros classificados, apenas 52 são mulheres (33%). Em Atenas, elas atingiram sua maior delegação na história das olimpíadas, com 122 candidatas aos pódios, apenas três atletas a menos do que os homens.

Entre as provas importantes que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) aguarda para apresentar sua seleção estão algumas de atletismo, basquete, nado sincronizado, triatlo e futebol feminino. É provável que elas aumentem seu percentual na caravana, mas dificilmente repetirão o fenômeno de quatro anos atrás. Atletismo e natação estão entre os responsáveis, até agora, pela provável redução do número de brasileiras na competição. Em 2004, o Brasil classificou 17 delas para as provas de atletismo e oito para as piscinas. Até agora, cinco conseguiram vaga para se exibir nas pistas chinesas e só duas nadadoras têm passagens garantidas: Flávia Delarolli e Fabiana Molina. A turma da natação foi prejudicada pelo doping de Rebeca Gusmão, que conquistou nos Jogos Pan- Americanos de 2007 o índice necessário para a classificação e ainda ajudou o Brasil em provas de revezamento – 4 por 100 metros livres e medley –, das quais o exame antidoping acabou excluindo as brasileiras.

Para o presidente da Federação Brasileira de Atletismo, Roberto Gesta de Melo, é cedo para previsões. “O atletismo feminino tem crescido mais internacionalmente do que o masculino. No último campeonato, em Valencia, na Espanha, Fabiana Murer foi bronze no salto com vara e Maurren Maggi conquistou prata no salto em distância”, argumenta o dirigente. Ele lembra que entre as equipes numerosas que certamente ampliarão as vagas femininas estão a seleção de futebol (que classifica 18 esportistas) e o revezamento 4 por 100 metros no atletismo, que classifica cinco atletas. “A temporada está apenas começando”, pondera.

Como ainda faltam também muitas provas para os homens, tudo indica que a próxima Olimpíada vai mesmo interromper o crescimento constante do percentual de mulheres nas delegações brasileiras. Elas subiram de 29,3% em Atlanta (1996) para 45,8% em Sydney (2000) e, se continuassem no mesmo ritmo, superariam neste ano, pela primeira vez, os atletas masculinos em número de competidores. É provável que a façanha tenha de ser adiada para 2012, em Londres.

 

PASSAPORTE Fabiana Murer, do salto com vara, é uma das classificadas do atletismo