Comportamento

Madri prêt-à-(ex)porter

Cetim, minissaias e o interesse pelo mercado brasileiro marcaram a semana de moda da capital espanhola


Na Pasarela Cibeles, a fashion week de Madri, a eterna discussão sobre se o que está nos desfiles vingará nas ruas não tem vez. A maioria das 22 coleções Outono-Inverno 2004 apresentadas há duas semanas na capital espanhola era de peças prêt-à-porter (prontas para usar) e principalmente prêt-à-“ex”porter. Para se ter uma idéia da sintonia dos estilistas com o que está (ou promete estar) nas ruas, a Espanha exporta nada menos do que um terço do que produz. Isso se deve, em grande parte, à mentalidade do governo do país, que banca 90% do evento, ou dois milhões de euros por temporada. E leva 25 jornalistas estrangeiros. Pela primeira vez em 15 anos um repórter brasileiro foi convidado. O Instituto de Comércio Exterior escolheu ISTOÉ para conferir as novidades desse restrito, ainda desconhecido, mas competente reduto de moda.

As particularidades começam nos bastidores e se estendem à passarela. Atrás das coxias, ao contrário do que acontece nas semanas de moda internacionais, jornalistas não se estapeiam à procura das modelos, já que elas estão sempre numa única sala de maquiagem. E os vestiários dos estilistas são próximos uns dos outros, pois os desfiles acontecem todos na mesma passarela, e não em salas distintas como em São Paulo ou Nova York. Nas passarelas as grifes surpreendem pela qualidade de suas coleções. Ricas em tecidos, cores e cortes. A grande novidade é que em menos de três anos algumas delas podem pintar por aqui. Além das lojas MNG e Zara, que estão no Rio e em São Paulo, os espanhóis pretendem trazer para o Brasil as grifes badaladas de Madri e Barcelona. Se isso acontecer, Agatha Ruiz de la Prada, Angel Schlesser, Roberto Toretta e a iniciante Alma Aguilar poderão ditar as nossas tendências.

Na passarela, como aposta para o inverno do próximo ano, estão micro-shorts e minissaias sobre espessas meias-calças. Nos pés, botas de canos altos e baixos ou scarpins. E, na parte de cima, vestidinhos tomara-que-caia, em cetim ou malha aveludada disputam a preferência com blusas largas ou transparentes. O desfile da jovem estilista Alma Aguilar, de apenas 26 anos, impressionou pela sintonia com as tendências européias. “Usei muitos elementos dos anos 40 e 60, mas a força da coleção está principalmente nos anos 80”, explicou Alma.

Uma outra coincidência, essa não muito feliz, apareceu em muitos desfiles. As perfomances chegaram a durar 37 minutos – um tédio se comparado aos habituais 20 minutos dos desfiles internacionais. Mas essa gafe e outras como, por exemplo, os biquinhos e beijinhos exagerados das modelos espanholas não parecem preocupar a diretora do evento, Leonor Pérez Pita. “A Pasarela Cibeles e a Gaudi, de Barcelona, já estão entre as mais famosas do mundo. Os desfiles um pouco mais longos não nos desmerecem”, disse. Foi justamente por estar atento ao que parecem “meros detalhes” que o produtor Paulo Borges conseguiu transformar a São Paulo Fashion Week em referência mundial da moda. Prova disso é que a marca espanhola Custo estará na próxima edição do evento. Agora é só esperar as próximas marcas.

Que passa, chica ?

  O profissionalismo das tops brasileiras Talytha Pugliese, Ives Kolling, Raica Oliveira e Daniela Lopes quase virou sinônimo de seriedade na Pasarela Cibeles. Para os espanhóis, as brasileiras riem pouco. Mas para qualquer olhar estrangeiro perspicaz, as espanholas rebolam demais, interagem com os amigos das primeiras fileiras e mandam beijinhos aos fotógrafos. “É tão exagerado que até perguntaram se eu não queria dar umas risadas”, conta Raica. “Se eu for mudar meu estilo por causa dos espanhóis, não me aceitam mais nas passarelas internacionais”, completa a modelo, em tom de brincadeira.

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