Cultura

Os caçadores de Best Sellers

Quem são e como atuam os editores na hora de adquirir os direitos autorais dos livros que prometem fazer muito sucesso

Os caçadores de Best Sellers

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Engana-se quem imagina que as editoras brasileiras selecionam os livros para seus catálogos na esteira do que é sucesso no Exterior. Muitas vezes, títulos são escolhidos sem ser testados no mercado internacional e é nessa hora que se conhece o bom comprador. Soraia Reis, diretora editorial da Planeta, por exemplo, parte do gosto do leitor: “O assunto de um livro precisa ter relação com o que está vendendo no nosso país.” Um dos temas atuais mais atraentes, segundo ela, é a chamada young-adult fiction, que engloba romances com pitadas de erotismo – caso de “Garotas Sérias”, de Maxime Swann. Nesse filão já entrou concorrente: a Intrínseca acaba de comprar os direitos de “Fifty Shades of Grey” (US$ 780 mil) e a Novo Conceito tem colocado no topo dos mais vendidos os romances de alta carga emocional de Nicholas Sparks, sucesso na faixa etária dos 18 anos.

Sparks tornou-se preferido entre os jovens por ter sua obra atrelada a outra fórmula que raramente fracassa: leia o livro, assista ao filme. O segmento, contudo, não exclui o que os publishers chamam de “sucesso de prateleira”, ou seja, os títulos que ficam entregues à poeira nas livrarias. Não há editor que não tenha apostado em um lançamento a partir da promessa de ele ter seus direitos adquiridos por algum estúdio de Hollywood. “Apostamos nas memórias de uma ativista da África. A promessa era a de que elas seriam escritas por uma jornalista da “Vanity Fair” e teriam os direitos para filme vendidos para Julia Roberts. Até hoje o livro não aconteceu, e muito menos o filme”, diz Mariana Zahar, da editora Zahar.

Apostas erradas são comuns. Luiz Fernando Emediato, da Geração Editorial, ainda hoje não se conforma de ter esnobado “Anjos e Demônios”, de Dan Brown. Na época, foi atraído pelo chamariz de um romance que seria filmado por Angelina Jolie. “Comprei da mesma agente o policial erótico ‘Jake e Mimi’, que não deu em nada”, diz ele. Para compensar, acertou em cheio com a fantasia gótica “Dark Shadows”, de Lara Parker, que lança no fim de junho, aproveitando a estreia de “Sombras da Noite”, o novo filme de Tim Burton baseado nessa obra. Embora o garimpo de futuros sucessos literários se dê pelo contato direto entre editores e agentes, novas safras são descobertas por vias diversas. A indicação de autores é uma delas. “Lancei o ‘Game of Thrones’ por sugestão do Raphael Draccon, autor de ‘Dragões de Éter’, que também é do gênero fantasy”, diz Pascoal Soto, da LeYa, sobre um dos maiores êxitos comerciais de sua editora.
Soto, assim como muitos dos seus colegas, trabalha com os chamados “scouts”, olheiros que atuam nos mercados internacionais e dão dicas sobre o que está fazendo sucesso. Mas não se pode deixar iludir, pois um best seller corre risco de não seduzir tanto fora das fronteiras do seu país de origem. “O que deu certo nos EUA e no México tem mais chances de repetir o êxito aqui. Por outro lado, livros que venderam 100 mil exemplares na França ou na Itália muitas vezes não chegam a 20 mil no Brasil”, diz Soraia, que atribui essa disparidade às diferenças culturais. “A linguagem de um autor grada ao país dele e não aos brasileiros.”

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OLHOS BEM ABERTOS
Os editores Pascoal Soto (topo), Luiz Fernando Emediato (acima) e
Soraia Reis: descobrindo tendências internacionais e apostando alto em títulos inéditos


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O principal termômetro do setor é a Feira do Livro – as mais importantes são as de Londres, que acontece em abril, e a de Frankfurt, em outubro. Em suas mais recentes edições, descobriram-se não só tendências literárias, mas também que o Brasil é, acima de todos os mercados e talvez só empatado com a China, quem está pagando alto por novas ou consagradas histórias. Estima-se que a Nova Fronteira tenha bancado o lance de US$ 2 milhões para ficar com “The Casual Vacancy”, primeiro romance adulto de J.K. Rowling, a criadora de Harry Potter. O alto valor leva em conta, obviamente, o potencial de vendagem da autora. Custos de gráfica, de armazenamento e de investimento em marketing são também levados em consideração. “Tudo tem preço na hora de posicionar seu produto em uma livraria: desde o destaque na vitrine ou na ponta da gôndola até o banner no site de vendas”, diz Soto. Em meio a disputas e leilões de best sellers, o que parece dar maior prazer a esses profissionais é o fator surpresa – para o bem, é claro – especialmente quando a sorte bate à porta de um título adquirido a preços módicos. “Foi esse o caso de ‘O Andar do Bêbado’, de Leonard Mlodinow, que nos custou apenas US$ 3 mil e nos primeiros três meses vendeu 50 mil cópias”, conta Mariana, como uma caçadora que volta vitoriosa ao fim do dia.

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