Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Assista ao vídeo e saiba como a empresa Planetary Resources planeja desenvolver e colocar em prática essa tecnologia:

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FICÇÃO?
Ilustração simula a mineração em asteroide

A Terra está ficando pequena para seus sete bilhões de habitantes. Com o esgotamento cada dia mais no horizonte, explorar o espaço para poupar o planeta não é mais coisa de ficção científica. Pelo menos é nisso que apostam o cineasta James Cameron, criador de sucessos como “Avatar”, e o empresário Larry Page, fundador da gigante da internet Google. Ambos são investidores da Planetary Resources. Lançada oficialmente na semana passada, a empresa pretende desenvolver tecnologia para retirar metais raros de asteroides (leia quadros). Os pesquisadores estão de olho em corpos que possam ser ricos em materiais do grupo da platina, metais que existem em pequena quantidade na Terra e usados em componentes eletrônicos.

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APOSTA
Larry Page, um dos criadores do Google,
também investe na iniciativa

A empreitada, obviamente, não é fácil. É preciso antes identificar quais asteroides são ricos em recursos. A partir daí a companhia tem que desenvolver sondas que possam ir até o local e que sejam capazes de operar em um ambiente de baixa gravidade. Depois disso, ainda é preciso carregar todo o material até uma estação espacial ou para a Terra. “Existem vários problemas. Um deles é que esses metais não ocorrem de forma livre, mas sim combinados na forma de minerais. Portanto, para serem aproveitados como minérios, eles teriam de ser extraídos das rochas e concentrados para serem transportados. Tais processos não são fáceis de serem executados”, avalia o especialista em geologia planetária e professor da Unicamp Alvaro P. Crósta.

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Assista ao vídeo em istoe.com.br

As dificuldades são reconhecidas por John S. Lewis, professor emérito da Universidade do Arizona (EUA) e um dos conselheiros da Planetary Resources. Mas ele enfatiza que o grupo tem experiência para lidar com o desafio. “Somos um consórcio de peritos em asteroides, engenheiros aeroespaciais e investidores. Passamos muitos anos fazendo experimentos com meteoritos em laboratórios”, afirma Lewis. Autor do livro “Mining in The Sky” (“Mineração no Céu”, em tradução livre), ele defende que tudo é uma questão de ponto de vista. “Esse processo não tem nada em comum com a extração convencional. Passamos tanto tempo estudando os meteoritos que, vendo as coisas da nossa perspectiva, poderíamos concluir que a mineração na Terra seria praticamente impossível por causa da gravidade esmagadora e da presença de oxigênio altamente corrosivo”, compara Lewis.

Então é mais fácil minerar no espaço? Ninguém sabe, simplesmente porque ninguém nunca tentou. Mas uma coisa é certa: não será barato. “A questão do transporte do minério fora do nosso planeta não é tecnológica, uma vez que viagens desse tipo já são feitas, mas sim financeira. É difícil avaliar se os custos do transporte de grandes volumes de minério por distâncias tão grandes serão viáveis”, analisa o professor Crósta. E isso sem mencionar a quantidade de energia envolvida, o que acabaria consumindo os recursos do planeta.

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Para contornar esse problema, os empreendedores vão focar primeiro na descoberta de água. O material poderia ser quebrado em hidrogênio e oxigênio e transformado em combustível. Segundo a Planetary Resources, um único asteroide rico em água poderia abastecer todos os foguetes já lançados pelo homem, o que reduziria os valores. Os empresários, porém, parecem ter transformado a questão do alto custo da exploração espacial em mais um critério a ser dobrado. De acordo com a conselheira da empresa Sara Seager, Ph.D. em astronomia por Harvard e professora de ciência planetária do MIT, a companhia vai trabalhar na redução de custos de produção para lançar máquinas que possam ser compradas por particulares, instituições privadas ou governos.

Seja qual for o custo do projeto de mineração (as cifras não foram reveladas), o lucro tende a ser alto, se a empreitada for bem-sucedida. De acordo com a empresa, que se baseia em estudos recentes da Nasa, um único asteroide de 500 metros de diâmetro rico em platina pode gerar uma renda de US$ 2,9 trilhões. Mas, ao menos por enquanto, a coisa está longe de sair do papel. Representantes da empresa já disseram que poderão começar as perfurações em busca de água por volta de 2020, mas não há uma data precisa. “Os acadêmicos dizem que a mineração de asteroides pode levar décadas para se desenvolver. Mas é preciso perceber que a indústria espacial privada está operando em um ritmo muito mais rápido e inovador do que as tradicionais agências governamentais”, diz a especialista Sara.

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Avaliando o potencial do projeto, é fácil entender por que gente como Larry Page decidiu apostar o seu dinheiro. Os metais do grupo da platina, encontrados em pouca quantidade na Terra, estão por trás de muita tecnologia de ponta. Sem eles, não é possível fazer computadores, smartphones ou tablets, ferramentas das quais o Google depende. E, se a gigante da internet quer que todos continuem acessando seus produtos, é melhor buscar matéria-prima extraterrestre antes que os recursos do nosso planeta se esgotem.

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