2021 sem desgoverno já seria fantástico

Crédito: Eraldo Peres

(Crédito: Eraldo Peres)

Em que grau de imbecilidade se pode classificar um presidente da República que fala do risco da pessoa virar jacaré se tomar a vacina? Estaremos condenados a seguir ao longo do próximo ano da mesma maneira, sob o mesmo suplício, comando e interminável show de horrores dessa figura burlescamente chamada de “mito”, plantada no Planalto Central com o pendor irrefreável para aberrações de diversas naturezas? Que o destino e quem puder reparar tamanho mal nos poupem. Quantos prejuízos ainda suportaremos, de toda ordem, quantas loucuras mais assistiremos dado o grau de irresponsabilidade, desdém e insanidade de um mandatário? 2021 desponta como o ano da vacina, talvez da redenção global, diante do vírus implacável da Covid-19. Há um sonho generalizado de volta à normalidade, às boas relações e à retomada do prumo, econômico, social e político. Todos estão mobilizados nesse intento e seria imprescindível que o capitão, em um arroubo, mesmo que temporário, de sensatez, tomasse a mesma trilha. Não dá mais para viver na gangorra de ilações, mentiras e desrespeitos de um chefe da Nação que não mostra um mínimo de compaixão pelas vítimas da hecatombe em curso. Esse não é, definitivamente “um País de maricas”, de “idiotas”, com “medinho da gripezinha”, como ele tenta fazer crer. 2020 foi pródigo em atitudes e falas grotescas de Jair Bolsonaro. Nada mais assombra. Porém o Brasil precisa de uma pausa. De equilíbrio.

De União de forças contra o mal maior. Apesar dos pesares, o ano que fica para trás encerra lições. A maior delas: temos de aprender a viver diferente, atuar coletivamente, cuidar ainda mais do próximo. E seria maravilhoso que tal aprendizado alcançasse também o inquilino do Planalto. Que ele largasse mão do egocentrismo de pensar apenas e tão somente em sua reeleição, no controle do poder pelo poder. Seria um bálsamo, sinal de lucidez — até em causa própria. No velho script de atuação, ele e o País irão mergulhar em mais angústias, desentendimento e conflagração. Não é o desejo de ninguém. O presidente, que nunca foi um gestor digno de nota, não precisa se converter, do dia para noite, na vestal dos bons costumes. Seria demasiado para ele. Basta respeitar o solene momento de luto por mais de 190 mil mortos e emprestar consideração aos desassistidos para diminuir o grau de aflições alheias. A crise sanitária é monumental. A roda de desastres que ela vem provocando gira numa velocidade assustadora. Perdemos, de saída, na corrida pela vacina e tínhamos tudo para estar na dianteira desse processo, não fosse a politização, pouco caso e procrastinação ditados pelo capitão em cima do assunto. Ele tripudiou. Até desacreditou os efeitos da vacina. Postergou com artifícios deploráveis a agilidade na aprovação. Aparelhou e militarizou a ANVISA. Fez o diabo para condenar os brasileiros à espera. Ele demoliu esperanças. Fez da Presidência um quintal de traquinagens e, junto com a sua horda de fanáticos vandalizaram como puderam, não apenas no setor da Saúde, como no da Educação, do Meio Ambiente, dos Direitos Humanos, das Relações Externas, da Cultura. Quase não sobrou pedra sobre pedra depois do festival de asneiras praticadas. Foi como se o presidente estivesse em guerra contra o próprio País. Bolsonaro buscou em 2020 — e é esperado que não faça o mesmo em 2021 — se livrar de toda e qualquer responsabilidade. Seja por eventuais efeitos da vacina, seja pelas consequências inevitáveis do isolamento forçado, seja pelo desemprego e até pela falta do 13º do Bolsa Família — que ele mandou não pagar por falta de verba, mas depois meteu a culpa no presidente da Câmara. O Messias é assim: quer capitalizar eventuais feitos dos outros, sem colocar a mão na massa. Obras passadas, inaugura como suas. Até a cerimônia de reabertura de relógio de torre compareceu, como se nada mais de importante houvesse para fazer. Atente para a agenda oficial do Planalto e logo perceberá a inoperância e inépcia do capitão. Ele não faz nada que realmente importe. Trabalhar pelas reformas estruturais? Não é com ele. Lutar pelo ajuste de gastos do Estado? Também não. Qualquer pauta amarga, que desagrade parte do eleitorado e base de sustentação estará automaticamente fora de seu escopo, mesmo que necessária e inevitável. Enquanto isso, não é possível mais contabilizar em quantos atentados constitucionais esteve metido, quantos crimes de responsabilidade cometeu, ainda sem punição ou ao menos julgamento. E nisso os demais poderes exibem culpa pela omissão. O desgoverno não pode, não deve, se perpetuar. Do contrário, estaremos perdidos. Que o Brasil seja vacinado — sem termos de consentimento fora de propósito —, que seus cidadãos se unam em torno do combate à doença (sem desdém presidencial) e que nada mais seja praticado — interferências em órgãos federais, manipulações estatísticas e de informação, acobertamento de ilícitos — em nome de Bolsonaro, dos rebentos e apaniguados, para não arruinar de vez essa já frágil e sofrida República latina.

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