Brasil

Vereadora rejeitada

Decisão do TRE-RJ de devolver mandato à Carminha Jerominho, cassada em 2009, constrange seus próprios pares, que trabalham para barrar seu retorno

Vereadora rejeitada

chamada.jpg
LIGAÇÕES PERIGOSAS
Carminha é ligada à milícia da zona oeste carioca

A insólita cena aconteceu no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro na quarta-feira 15, quando o réu Natalino Guimarães — julgado, agora, por tentativa de homicídio e já condenado por formação de quadrilha e outros crimes, em 2008 — interrompeu seu interrogatório para festejar uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral. “Minha sobrinha, graças a Deus, está voltando”, disse ele, referindo-se à decisão do TRE de devolver o mandato (veja quadro) de vereadora à Carmen Glória Guinâncio Guimarães Teixeira, conhecida como Carminha Jerominho (PTdoB). Na fila para interrogatório no banco dos réus havia mais dois parentes de Carminha: o pai, Jerônimo Guimarães Filho (Jerominho) e o irmão, Luciano. Todos condenados e apontados como fundadores e chefes da Liga da Justiça, a maior milícia do Rio, que controla com mãos de ferro várias comunidades na zona oeste carioca. Carminha Jerominho, 34 anos, derramava lágrimas de alegria, alheia ao movimento de um grupo de vereadores, que, nos bastidores, estuda medidas legais para impedir seu retorno à Casa. “Vamos torcer para que o Ministério Público Eleitoral recorra da decisão. Ou vamos ver como a Procuradoria da Câmara pode barrar a volta dela”, afirmou à ISTOÉ um parlamentar que pediu anonimato.

Carminha se elegeu, em 2008, com 22 mil votos. Um detalhe chama a atenção: ela passou parte da campanha encarcerada no presídio federal de Catanduvas, no Paraná, acusada de coagir eleitores a votar nela. Empossada em janeiro de 2009, teve o mandato cassado seis meses depois por irregularidades na prestação de contas da campanha. Assim como ela, seus parentes também apresentam histórico de práticas nada republicanas. O pai e o tio de Carminha, Jerominho e Natalino, também tiveram seus mandatos parlamentares cassados (o primeiro era vereador pelo PMDB e, o segundo, deputado estadual pelo DEM) e cumprem pena de dez anos no presídio de segurança máxima de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Por isso, não é de se estranhar que a herdeira política do clã Jerominho seja persona non grata na Câmara dos Vereadores. Procurada por ISTOÉ, ela não quis se pronunciar, mas o presidente e advogado do PTdoB, seu partido, Vinicius Cordeiro, defendeu-a: “Não existe crime por hereditariedade.” A decisão do TRE devolve à vereadora, a partir do mês que vem, além do gabinete, o salário em torno de R$ 15 mil e verba de R$ 150 mil para contratar assessores.

img.jpg