Brasil

Manu, a sedutora

Musa do Congresso, a deputada Manuela D'Ávila, do PCdoB, vira sensação da disputa em Porto Alegre e assume namoro com colega do PT

Assim que pisou em Brasília em fevereiro do ano passado, Manuela D’Ávila foi eleita a musa do Congresso. Com toda razão. A jovem deputada do PCdoB gaúcho chama a atenção. É mesmo uma mulher muito bonita. Meio sem graça com o título, ela faz questão de ressaltar, ainda hoje, que trouxe na bagagem 271.939 votos, a terceira maior votação de um deputado federal em todo o País em 2006 e quase 10% da soma de todos os votos do Rio Grande do Sul. Atribui esse caminhão de votos a seu trabalho na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Foi presidente da Comissão da Educação e saiu em defesa dos direitos das mulheres, das crianças e dos adolescentes e dos portadores de deficiências. Mas também foi ajudada, sem dúvida, pela descrença dos eleitores nos políticos tradicionais, a exemplo do que acontece com Barack Obama nos Estados Unidos.

A verdade é que Manuela tem mais a mostrar do que a mera e fugaz beleza. Ela veio a Brasília, viu e venceu. Comprovou que é capaz de seduzir também no jogo parlamentar. Depois de um ano, fez-se respeitar pelos colegas, tem presença certa nos debates e conquistou a simpatia até mesmo do presidente Lula, que não cansa de elogiar sua fidelidade às posições do governo. Agora, com apenas 26 anos, Manuela prepara um vôo mais ambicioso. Quer ser prefeita de Porto Alegre e acredita que tem grande chance de chegar lá. “Apareço em segundo lugar nas pesquisas com 17% das intenções de voto, atrás apenas do José Fogaça (atual prefeito). E a campanha nem começou”, comemora a deputada.

ANDRÉ DUSEK/AG. ISTOÉ

Há um mês e meio, Manuela namora o deputado José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, 22 anos mais velho

Além do PCdoB, sua candidatura já tem o apoio do PSB e do PR. O coordenador da campanha, por sinal, é o deputado Beto Albuquerque, do PSB gaúcho, vice-líder do governo Lula na Câmara. Mas Manuela não está satisfeita. Faz movimentos para ampliar a coligação. “Estamos construindo um novo arranjo político e dialogando com os diversos setores da sociedade. Não temos o ranço histórico da polarização local entre PT e PMDB”, explica. Seu objetivo é costurar uma aliança inédita para os padrões do Rio Grande do Sul. Ela acredita que conseguirá atrair o PPS e também o PDT. Como instrumento de persuasão, a deputada acena com um ambicioso projeto de desenvolvimento para Porto Alegre. “Há muitos anos, a cidade deixou de ser um endereço de investimentos. Fica mais pobre a cada dia em relação a outras capitais. Chegou a hora de mudar esse quadro”, diz Manu. Em razão da estagnação econômica, serviços públicos, como saúde e educação, também se degradaram. E a violência cresceu. O índice de roubo de carros em Porto Alegre já superou o de São Paulo, cuja frota é bem maior. Para a deputada, os 16 anos de administração petista não conseguiram evitar o empobrecimento. Houve alguns avanços, não se atacou o essencial : “É preciso aumentar a capacidade de atrair investimentos e gerar empregos. Essa é a nossa prioridade. É isso que nos diferencia do PT e do PMDB.”ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

“É preciso aumentar a capacidade de atrair investimentos e gerar empregos. Essa é nossa prioridade. É isso que nos diferencia do PT e do PMDB” Manuela D’Ávila, deputada

As críticas ao PT são feitas com cautela e moderação, pois Manuela acredita que haverá segundo turno nas eleições deste ano – em sua previsão, ela contra Fogaça. Ela aposta que sua idade não será problema e traz um exemplo na ponta da língua: “Ciro Gomes foi prefeito de Fortaleza com 28 anos.” Mas não alimenta esperanças de obter o reforço petista ainda no primeiro turno. Com forte tradição no Estado, o PT realiza convenção neste fim de semana para escolher entre o ex-ministro do Desenvolvimento Agrário Miguel Rosseto e a deputada federal Maria do Rosário. Manuela aposta que o PT não a deixará sozinha na hipótese do segundo turno contra Fogaça. Ela tem quase certeza de que o presidente Lula fará pressão a seu favor.

Não bastasse a intervenção de Lula, Manuela acaba de conquistar uma adesão, que pode ser valiosa nas futuras negociações. Há um mês e meio, a deputada começou a namorar o colega José Eduardo Cardozo, do PT-SP, eleito recentemente secretário-geral da Executiva Nacional do PT. Manu, como também é chamada, prefere não tocar no assunto e Cardozo, que tem fama de galanteador, também não. No Congresso, contudo, o namoro entrou na ordem do dia e todos morrem de inveja de Cardozo, que tem 48 anos e se destacou durante a CPI dos Correios. As jornalistas que cobrem a Câmara comentam que Manu emagreceu e está mais preocupada com o figurino. “Que bobagem. Emagreci porque fiquei doente. E sempre me vesti bem. Daqui em diante, por qualquer motivo, vão dizer que estou apaixonada”, rebate. Tudo bem. Mas o novo namorado vai ajudar ou não a quebrar as resistências do PT? “Acho muito difícil. O PT gaúcho sempre agiu com independência em relação à Executiva Nacional e este ano não vai ser diferente”, explica. Mas, no caso de segundo turno, a Executiva poderá fazer pressão, a não ser que José Eduardo não apóie o projeto eleitoral da namorada. Afinal, o secretário-geral do PT tem ou não simpatia pela candidatura? “Olha, se ele não tiver simpatia, só me resta reforçar minhas sessões de terapia”, brinca Manuela. Calma, calma. Isso é só força de expressão de Manu. Ela está muito bem resolvida e não faz terapia.

 “EU SEMPRE ME VESTI BEM. DAQUI EM DIANTE, POR QUALQUER MOTIVO, VÃO DIZER QUE ESTOU APAIXONADA”