Comportamento

A moda do baby book

Sessões de fotos longas e produzidas com bebês de até 15 dias é a mais nova tendência entre os brasileiros

A moda do baby book

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FOFURAS
Laura e Antônio (dentro da melancia): as sessões podem durar até
seis horas, com direito a pausa para mamadas  e troca de fraldas

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Com sete dias de vida, Gabriel Mikalonis Amato teve sua primeira experiência como modelo. Em um estúdio com uma temperatura agradável, sons parecidos com o da barriga de sua mãe e sendo delicadamente posicionado pela fotógrafa Simone Silvério, o recém-nascido foi clicado para seu primeiro book em uma sessão que durou quatro horas, com pausas para duas mamadas e algumas trocas de fralda. A produção fez a família toda suspirar. “Fiquei impressionada com o resultado”, conta a mãe, Flávia Armani Mikalonis Amato, que tem mais dois filhos. “Ele vai ser o único a ter uma recordação diferente.” O álbum digno da fotógrafa Anne Guedes, a australiana especializada em fotos de bebês ultraproduzidas, foi um privilégio que os irmãos Amato não tiveram porque profissionais especializados em recém-nascidos ainda são novidade no Brasil. A tendência já é costume em países como os Estados Unidos e a Austrália.

A paulista Simone, por exemplo, passou a se dedicar aos recém-nascidos há apenas um ano. Antes, trabalhou no mercado financeiro, estudou arquitetura, fez curso de fotografia e foi aprender com mestras americanas a arte de clicar seres tão pequenos. A verdadeira razão, entretanto, é a paixão por eles. “Sou mãe de quatro, sei cuidar de um recém-nascido muito bem.” A paranaense Marina Ushiro, que vive em Belo Horizonte, também é craque no assunto. Sua trajetória na fotografia, porém, é mais que um flerte com cliques e bebês – é uma história de superação. Fazer registros de crianças foi uma forma de ela dar um novo significado à sua vida após perder três filhos. “Fotografo para me sentir viva”, diz Marina, que não perde nenhum momento de sua quarta filha Alissa, 5 anos. Ao contrário de Simone, a mineira não trabalha em estúdio. Ela vai até a casa de seus clientes e, junto dos pais, faz um trabalho especial para eleger os cenários ideais das fotos. “Se o pai é médico, por exemplo, uso algum ícone relacionado a isso.” Sempre ao lado de seu parceiro de trabalho, Marco Túlio, passa horas na companhia do bebê e dos pais, garantindo a segurança dos pequenos nas poses mais ousadas. “É exaustivo, mas delicioso.”

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CUIDADOS
Para fotografar Gabriel, foram usadas temperatura
adequada, superfície acolchoada e câmera sem flash

Cada fotógrafo tem suas preferências, mas clicar recém-nascidos exige uma série de cuidados que todos levam a sério. O primeiro é fazer a foto preferencialmente entre o quinto e o décimo quinto dia de vida. Após esse período, eles começam a ter cólicas, se mexem mais e já não se deixam ser manejados pelos fotógrafos com tanta facilidade. É preciso aproveitar a curta fase do sono contínuo. A temperatura ambiente tem que estar agradável, já que na maioria das vezes eles posam sem roupa. Por fim, é preciso ter muita paciência – uma sessão de Marina chegou a durar seis horas – e, acima de tudo, gostar de crianças. Daí a maioria dos profissionais ser mulher. “A primeira tarefa é deixar os pais tranquilos”, complementa Marina. Especialmente os de primeira viagem.

Henrique Gásper, de Brasília, é uma exceção entre a mulherada. E, talvez por isso mesmo, teve mais dificuldades. “Meu primeiro book de recém-nascido foi desastroso”, recorda. “Ele não parava de chorar, não conseguia fazer as posições e eu achei que não conseguiria.” Hoje, dois anos depois, seu principal trabalho é fotografar os bebês – casamentos e formaturas também estão no cardápio do profissional. Gásper conta que seus clientes ficam impressionados quando ele diz que não têm filhos. “Falam que levo jeito”, conta, satisfeito com a própria dedicação.

O custo de uma sessão pode variar entre R$ 500 e R$ 1,5 mil, fora o book. E os pais devem se programar para a sessão durante a gestação, já que o período adequado para as fotos é curto. O investimento vale a pena para quem quer ter uma recordação diferente dos primeiros dias de vida do filho. “Em um momento em que todo mundo é fotógrafo e cada gesto é registrado, um trabalho diferenciado e produzido sempre chama a atenção”, acredita Simone. E faz todo mundo babar com tanta fofurice. 

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