Artes Visuais

Tudo sobre o ato de sentar

Duas exposições em São Paulo trazem nas poltronas o melhor do design da dupla Fernando e Humberto Campana

Tudo sobre o ato de sentar

Anticorpos – Fernando & Humberto Campana 1989-2009/ CCBB-SP/ até 5/2/ CCBB-RJ/ de 28/2 a 6/5 A arte de sentar com arte/ Galeria Firma Casa, SP/ até 30/1

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FESTA
Poltrona “Banquete” manufaturada a partir de bichos de pelúcia

Quando os irmãos Campana criaram o protótipo de uma poltrona com restos de sarrafos de madeira barata e intitularam o móvel de “Favela”, em 1991, o Brasil ainda não havia assistido à internacionalização de suas favelas em uma série de investidas cinematográficas, detonada em 1999 pelo documentário “Notícias de uma Guerra Particular”, de João Moreira Salles. Nesse momento, nas artes visuais, tampouco havia registros do que seria celebrizado em meados daquela década como a “estética da gambiarra”, marcada por uma produção que se valia de materiais precários. É por isso que a colocação do tema no campo do design ocorre com certa aura de ineditismo e cria um fascínio imediato pela obra de Humberto e Fernando Campana.

“A estética das favelas, das tábuas de madeira pregadas umas nas outras, foi adaptada para uma poltrona, à qual deram uma aparência de trono – como apreciação pela autonomia e criatividade reinantes nas favelas”, aponta o curador Mathias Schwartz-Clauss, responsável pela primeira retrospectiva dos Irmãos Campana, realizada pelo Vitra Design Museum, na Alemanha, em 2009.

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GAMBIARRA NOBRE
Em lascas de madeira e prego, a poltrona “Favela” tem forma de trono

A mostra está em São Paulo e segue em fevereiro para o Rio de Janeiro. A ideia do trono, sugerida por Schwartz-Clauss, parece típica de um olhar europeu que se debruça sobre o inegável exotismo colorido da cultura brasileira. Mas o fato é que os Campana se dedicaram ao longo das últimas três décadas a solenizar – mas também a desfuncionalizar – o ato de sentar. É claro que a dupla não se limita ao design de cadeiras, mas esse é o segmento em que definitivamente ela se notabi­liza, criando uma infinidade de modelos e materiais inusitados, garimpados da vida cotidiana: a exemplo da incrivelmente popular poltrona “Banquete”, manufaturada a partir de bichos de pelúcia.

É justamente essa diversidade e solenidade envolvidas no ato de sentar que conduziu a curadoria que Waldick Jatobá realizou sobre a obra dos Campana para inaugurar a Galeria Firma Casa, em São Paulo. Dedicada ao design arte (peças únicas ou séries assinadas), a galeria escolheu cerca de 20 cadeiras-objetos para a exposição “A Arte de Sentar com Arte”. Entre elas destacam-se as inéditas “Crocodilos” e “Golfinhos”, versões atualizadas do hit “Banquete”.

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INTERNACIONAL
Cadeira “Anêmona” em PVC e aço inoxidável, produzida pela marca italiana Edra