Comportamento

Oito dicas para aumentar o amor-próprio

É possível transformar a falta de confiança em orgulho de si mesmo. Especialistas indicam as etapas para chegar lá

Oito dicas para aumentar o amor-próprio

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Pode não ser fácil. Acreditar no próprio valor, enxergar-se como alguém especial e sentir-se merecedor de alegrias não é tão simples. São coisas boas, é verdade. Mas as pessoas não têm o costume de estimar a si mesmas. E uma autoimagem depreciativa atrapalha a construção da confiança pessoal. É fundamental lembrar também que para trabalhar a autoestima nem sempre a aclamada força de vontade é suficiente. Quem se vê de maneira negativa e age em igual proporção pode precisar de ajuda especializada (leia na pág. 76).

A boa notícia é que, no geral, com disciplina, revisão de conceitos e prática, é possível avaliar o que não vai bem e mudar – para melhor. Especialistas entrevistados por ISTOÉ indicaram caminhos que levam a uma autoestima em que impera o otimismo e a segurança. Não é mágica nem receita de bolo. Talvez as dicas a seguir sirvam em parte para uns, completamente para outros, enquanto haverá aqueles que ainda acreditarão não serem suficientes para superar seus problemas. O que importa é perceber que algo não está adequado, assumindo assim a responsabilidade de (re)começar.

Diga a si mesmo quem você é – com honestidade Identifique seus sentimentos, desejos, pensamentos e talentos – não as crenças que adquiriu devido à influência de terceiros. Reconheça suas características positivas e negativas, físicas e psicológicas. Questione-se: de onde vêm determinadas emoções? Suas atitudes lembram as de alguém com quem você convive ou conviveu? Escreva todas as respostas em um papel e leia com frequência até se conscientizar do que realmente quer e tudo aquilo que deve deixar para trás. "Conquistas extraordinárias são possíveis, mas não para aqueles que esperam numa passividade vazia", afirma o psicólogo americano Nathaniel Branden, autor do clássico "Como aumentar sua autoestima" (Ed.Sextante).

Liberte-se de culpas Ao sentir uma emoção com a qual não sabe lidar bem – raiva, tristeza, frustração, medo, inveja, ciúme – pare por alguns minutos e procure isolar esse sentimento. Aceite-o. Para ajudar a elaborar a sensação, controle a respiração até reconhecer o que exatamente a causou. Perceba quais partes do corpo ela atinge e a neutralize. Depois, liberte- se da culpa de viver essa emoção. Com o tempo, ela aparecerá com menos força e frequência. "Quem tem pensamentos sadios, sem culpas, consegue olhar no espelho de manhã e identificar quanta coisa boa tem dentro de si", diz o psicólogo Alexandre Bortoletto, da Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguística.

Avalie com calma críticas – e autocríticas Seja flexível com opiniõesdiferentes. "Compreender o outro e viver dentro do princípio da tolerância torna a existência mais ampla", afirma o consultor Sergio Savian, diretor da Escola de Relacionamento Mudança de Hábito, em São Paulo. Reage com agressividade aquele que não suporta uma crítica, sinal de baixa autoestima.

Assuma suas responsabilidades Pare de culpar os outros por seus problemas. É comum a pessoa com baixa autoestima não reconhecer que foi ela, e não alguma coisa ou alguém, a responsável por não chegar no horário em um lugar, não encontrar tempo para se exercitar, estar num emprego que não gosta, e por aí vai. Também não foi "a vida que quis assim" quando você não alcançou um objetivo. "Cada um é dono do próprio destino e das escolhas que faz", diz Savian.

Aceite a realidade "Ficar no mundo dos sonhos e esquecer o que o cotidiano tem de bom é uma fuga de quem tem baixa autoestima", diz Savian. As pessoas pecam por suposições – "como teria sido" ou "como seria se" são pensamentos constantes no imaginário de quem opta por divagar em vez de fazer o próprio mundo dar certo (e assumir a responsabilidade por erros e acertos).

Tenha disciplina Falta de metas, de foco e de persistência são problemas comuns de quem não tem autoestima. O indivíduo que desconhece o amor-próprio deseja suprir o mais rápido possível – e não importa como – suas carências. Quem é seguro não é imediatista. Sabe que a construção de um futuro bom, em todas as áreas, requer planejamento e paciência. "Olhe exemplos de vencedores para se inspirar", diz o psicólogo Bortoletto.

Aja com integridade "Gaste tempo melhorando a si mesmo. Aí não sobra tempo para falar mal dos outros", é um ditado que o headhunter Ivan Witt, sócio da Steer Recursos Humanos, gosta de repetir. "Quem perde tempo falando mal de terceiros assina o atestado de baixa autoestima. Para se sobressair, esse indivíduo precisa desqualificar os demais." Coerência de valores – entre o que fala e o que faz – também prova que uma pessoa é bem resolvida. Assim como alimentar a autoestima do outro. Quem é seguro não teme perder espaço e fica feliz com o crescimento de mais pessoas.

Agradeça os momentos felizes Saber ser grato por oportunidades e pela ajuda de outras pessoas é uma característica de quem tem segurança emocional. Da mesma maneira, a capacidade de recordar horas alegres (sem fazer disso uma fuga) e usá-las como combustível para se sentir satisfeito é a essência do amor-próprio.

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Montagem Fernando Brum sobre Fotos Shuttherstock