Comportamento

A nova fase de Pequim

A cinco meses dos Jogos Olímpicos, a cidade chinesa renasce moderna e ousada em sua arquitetura

A nova fase de Pequim

Estádio Nacional de Pequim

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Estádio Nacional de Pequim
Ninho de Pássaros

Arquitetura: Jacques Herzog e Pierre de Meuron (Suíça)
Modalidade: futebol e atletismo. Também será palco da abertura e do encerramento do evento
Capacidade: 91 mil pessoas
Custo: US$ 423 milhões

Ao mesmo tempo que a China é um país milenar, zeloso de suas tradições, cada vez mais ela recebe influências de outras partes do mundo. Na arquitetura, não está sendo diferente. No século passado, Pequim deixou de lado os telhados cheios de curvas e amarelos do período imperial para receber os edifícios acinzentados de ângulos retos da era comunista, a exemplo do Grande Palácio do Povo e do Museu Nacional, nas margens leste e oeste da praça da Paz Celestial. E, agora, a cinco meses da Olimpíada de Pequim, que começa no dia 8 de agosto, a cidade está sendo invadida por construções modernas e ousadas. São 37 locais de competição, cujos projetos foram assinados pelos mais renomados arquitetos do mundo, escolhidos pelo governo chinês por meio de um concurso internacional.

 

 

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Estádio Olímpico de Tianjin
Arquitetura: AXS SAWTO Inc. (Japão)
Modalidade: futebol
Capacidade: 60 mil pessoas
Custo: US$ 880 milhões

 

A única obra que ainda não foi entregue é uma das que mais estão chamando a atenção do público. Com previsão de inauguração para o final de abril, o Estádio Nacional, conhecido como Ninho de Pássaro, tem capacidade para 91 mil pessoas e abrigará as cerimônias de abertura e encerramento dos Jogos. A fama do Ninho foi alimentada por uma estratégia de marketing das autoridades chinesas, que consistiu em construir primeiro a parte externa da instalação. Assim, tem sido impossível alguém passar incólume pelo emaranhado de tubos de aço, uma estrutura de 42 mil toneladas que reveste toda a fachada da instalação e dá sustentação ao prédio. O gigante foi assinado pela dupla de arquitetos suíços Jacques Herzog e Pierre de Meuron (vencedores do Pritzker 2001, prêmio de maior prestígio da arquitetura mundial) e pelo designer chinês Ai Weiwei, do China Architecture Institute. “Os suíços exploram novos materiais e tecnologias, mas se preocupam em privilegiar algum elemento da cultura local onde a obra será erguida”, explica a arquiteta carioca Ignez Ferraz. Nesse caso, a inspiração chinesa dos suíços veio do bambu – matéria-prima usada à exaustão na China, inclusive na própria arquitetura. Reverenciados por criações desse porte, foram eles os autores do projeto do Allianz Arena, o Estádio Olímpico de Munique, por conta da Copa do Mundo da Alemanha, em 2006. Com essa obra, lançaram tendência ao privilegiar o ETFE – um tipo de plástico bem leve e com mais maleabilidade, que permite uma passagem de luz e calor melhor do que os convencionais.

 

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Centro Aquático Nacional de Pequim, o Cubo D‘Água
Arquitetura: PTW (Austrália)
Modalidade: natação, nado sincronizado e saltos ornamentais
Capacidade: 17 mil pessoas
Custo: US$ 415 milhões

 

Em Pequim, o Centro Aquático Nacional foi construído a partir desse material. Conhecido como Cubo D’Água, é uma das mais belas e imponentes obras – especialmente quando vista à noite. Concebido com a intenção de reproduzir a estrutura das células humanas, ele parece ser feito de bolhas de sabão gigantes. Por causa do ETFE, que foi usado nas três mil “células” que estão dispostas em toda a parte externa do prédio, o Cubo terá condições de reduzir em 30% o consumo de energia, o que atende à expectativa do governo chinês de realizar uma Olimpíada “verde”. Com capacidade para 17 mil pessoas, a modernidade arquitetônica do Cubo fez os profissionais da ArupSport (empresa de engenharia com sede em Londres) suarem a camisa para viabilizar tecnicamente sua construção.

 

 

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Estádio Wukesong Indoor
Arquitetura: Burckhardt & Partner AG, da Suíça
Modalidade: basquete
Capacidade: 18 mil pessoas

 

 

De longe as mais festejadas instalações de Pequim-2008, o Estádio Nacional – que, após os jogos, deve se tornar um espaço multifuncional, fora do universo esportivo, usado pela população – e o Centro Aquático estão situados no Verde Olímpico. Encravado na zona norte de Pequim, próximo à praça da Paz, o complexo reúne dez locais de competição, o conjunto de prédios onde os atletas ficarão hospedados, e a Floresta Olímpica, um cinturão verde com área de 680 hectares, onde há um lago artificial e árvores raras. Lá será o coração dos Jogos e deverá ser transformado, após o término da competição, em um bairro de luxo, com apartamentos que valerão até US$ 1 milhão. Além de Pequim, outras seis cidades chinesas farão parte da festa olímpica. Hong Kong receberá as competições eqüestres, Qingdao será sede das provas de vela e as subsedes Shenyang, Quinhuangdao, Tianjinn e Xangai receberão os torneios masculino e feminino de futebol. Os estádios, modernos e confortáveis, como o Olímpico de Tianjing, já estão prontos. Que o Ninho, o Cubo e o Verde Olímpico – cujo projeto urbanístico faz referência aos cinco elementos da natureza (madeira, metal, água, fogo, terra) – são obras modernas e ousadas para os padrões chineses, não há dúvida. O surpreendente é observar que, assim como os templos e palácios construídos ao longo de toda a história deste país, eles contemplam a natureza ou, de alguma forma, remetem a ela. É a China abrindo suas portas, mas do seu jeito.

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MODERNIDADE Perspectiva da sede da tevê chinesa CCTV, em Pequim, que deve estar pronta para os Jogos

 

ALÉM DA VILA OLÍMPICA
Em Pequim, as atrações arquitetônicas transcendem a área olímpica. São projetos que não têm relação direta com os Jogos, mas, nem por isso, deixam de desafiar o óbvio. Exemplo é o edifício da CCTV, principal tevê estatal da China, ainda em construção. Com 230 metros de altura, o prédio está longe de ser um arranha-céu tradicional. Há também o Teatro Nacional, concluído em 2007. Trata-se de um grande complexo voltado para as artes performáticas. Ele possui uma sala de apresentação de óperas com capacidade para 2.017 pessoas e outros dois teatros. De autoria do arquiteto francês Paul Andreu, possui uma cobertura de titânio e vidro que engloba toda a área, proporcionando um enorme espaço público com cobertura. Por seu formato, ganhou o apelido de ovo. Além dele, há o novo e gigantesco terminal do aeroporto de Pequim. Com o custo de US$ 2,8 bilhões, a mais cara de todas as obras, seu exterior lembra as formas de um dragão. Uma ótima primeira impressão para quem chega.

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