Comportamento

Vigilante rodoviário

Programa de conscientização nas estradas faz dos caminhoneiros agentes de combate à exploração sexual infantil

Fotos: Divulgação

"No programa de valorização da infância realizado em postos de todo o Brasil, atividades lúdicas, formação e a realização de testes online sobre cidadania e trânsito"

A exploração sexual é um dos mais tocantes problemas da infância brasileira. A prática, criminosa e aviltante, é de difícil combate, já que é via de sobrevivência em lugares de extrema pobreza. Além disso, há a questão moral. Na maioria das vezes, as informações sobre o abuso são escamoteadas, confusas ou desencontradas, pois as pessoas receiam se envolver no assunto. Para romper a barreira natural que o tema impõe, foi criado há um ano e meio, pela Secretaria Especial de Direitos Humanos do governo federal, o Disque Denúncia (0800-990-500), que já recebeu mais de 8.200 informações sobre o abuso de crianças e adolescentes. Grande parte delas vinda das rodovias brasileiras, que são ao mesmo tempo o maior celeiro desses crimes, segundo estudo feito pela Polícia Rodoviária Federal e pela própria secretaria. Diante desta realidade, a Petrobras criou há pouco mais de um ano o programa Siga Bem Criança, um filhote do projeto Siga Bem Caminhoneiro, desenvolvido pela empresa desde 1994. A intenção é envolver os profissionais da estrada no combate à exploração sexual infantil. “O caminhoneiro é um usuário do sexo ocasional, e sempre orientamos para que ele fizesse sexo seguro. Hoje, o conscientizamos também para que isso não ocorra com crianças e adolescentes. Evitamos a visão moralista, valorizando a cidadania. Ele pode ser um grande agente de mudança”, informa Alexandre Côrte, produtor do programa Siga Bem Caminhoneiro, realizado há dez anos no SBT, com o patrocínio da empresa.

Além do programa de tevê dominical, há o programa do mesmo nome apresentado de segunda a sexta-feira pelo cantor Sérgio Reis em mais de 180 rádios em todo o País. Os dois são grandes sucessos entre os profissionais da estrada e atendem ao principal objetivo do Siga Bem Criança, que é utilizar a mídia para sensibilizar a sociedade sobre o problema da exploração sexual infantil. Este mês, encerra-se uma outra iniciativa de envolvimento desse público, realizada por Volvo, Pamcary (seguro e gerenciamento de riscos), Petrobras e postos Siga Bem, da rede da empresa. É a Caravana Siga Bem Caminhoneiro de Promoção e Responsabilidade Social, composta por uma frota de caminhões que rodou seis meses pelas estradas brasileiras. Foram 20 mil quilômetros, realizando palestras, apresentando vídeos, distribuindo cartilhas e adesivos sobre segurança nas estradas, preservação do meio ambiente e combate à exploração e prostituição infantil. A promoção inclui o sorteio de três caminhões Volvo. E, no dia 29 de janeiro, 27 caminhoneiros concorrerão ao título Caminhoneiro do Ano Siga Bem 2004. Ganhará aquele que tiver melhor desempenho num teste sobre leis de trânsito e regras de cidadania. Mais de 600 caminhoneiros participaram dos eventos realizados pela caravana, o que ajudou a fazer do problema infanto-juvenil uma importante bandeira nas associações e sindicatos dos caminhoneiros.

O programa Siga Bem Criança, que ganhou recentemente o Prêmio Top Social (da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), faz parte do Programa Petrobras Fome Zero. A empresa também repassou cerca de R$ 32 milhões ao Fundo da Infância e da Adolescência (FIA), em dezembro de 2003. Desse valor, R$ 5 milhões foram destinados aos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança para projetos em rotas de prostituição identificadas pela Secretaria Especial de Direitos Humanos, entre as quais estão as cidades de Campinas, Teresina, Aracaju, Goiânia e Belém. No final de 2004, foram disponibilizados mais R$ 23 milhões. Uma outra ação garantirá a avaliação do uso desses recursos. Sob a coordenação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em parceria com outras universidade federais, foi desenvolvida uma metodologia para acompanhamento da utilização de recursos que deve ser implementada este ano. “Precisávamos de um processo único de avaliação. Num país continental como o Brasil, medir os resultados do investimento social não é algo fácil. Temos realidades muito diferentes. Mas com essa metodologia teremos, ao final deste ano, um resultado que vai orientar a destinação de recursos e a revisão de metas”, explica Luís Fernando Nery, gerente de comunicação nacional da Petrobras. De qualquer forma, a previsão da empresa é atender cerca de 6.500 crianças e adolescentes até 2006.

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