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Até tu, Blair?

Agora, três soldados britânicos são julgados por abusos contra civis iraquianos na guerra

Um civil iraquiano é pisoteado por um soldado britânico; outros dois são obrigados a simular sexo anal. As fotos foram tiradas por tropas inglesas e apresentadas em corte marcial, em uma base do Reino Unido na Alemanha

Este filme eu já vi. É essa a sensação que se tem ao deparar-se com as fotos de maus-tratos contra prisioneiros iraquianos cometidos por pelo menos três soldados britânicos em maio de 2003, em Basra, no sul do Iraque, em imagens que vieram a público na semana passada. Como já havia sido denunciado por organizações de direitos humanos no ano passado, não foram apenas os americanos que cometeram abusos na prisão iraquiana de Abu Graib, em Bagdá. O escândalo que abalou o mundo se repete. E, assim como no episódio envolvendo os militares americanos, a revelação veio através de fotos tiradas pelos próprios soldados. Ao ver as terríveis imagens, técnicos de um laboratório fotográfico da cidade inglesa de Tamwworth resolveram chamar a polícia. Nas 22 fotografias, os civis iraquianos aparecem sendo chutados, amarrados e fazendo simulações de sexo oral e anal. As imagens, divulgadas na terça-feira 18 pela corte militar britânica durante o julgamento dos três soldados
em uma base militar do Reino Unido, na cidade de Osnabrueck, na Alemanha, vieram manchar a reputação do governo do primeiro-ministro britânico, Tony Blair.
O juiz responsável pelo caso, Michael Hunter, afirmou que as evidências foram apresentadas a Blair e que ele não pode simplesmente se recusar a dar explica-
ções sobre o assunto. Dois dias depois de as fotos serem estampadas na mídia inglesa, o premiê reuniu-se a portas fechadas com parlamentares trabalhistas
para estudar uma resposta.

O vexame se repete e as desculpas também. O governo do Reino Unido tratou de dizer rapidamente que é um caso isolado. O comandante do Exército britânico, general Mike Jackson, condenou publicamente “todo tipo de abuso”. Ele afirmou que 65 mil soldados britânicos passaram pelo Iraque, mas apenas um número “pífio” é acusado de má conduta. Exatamente como fez, há um ano, o secretário de Defesa americano, Donald Rumsfeld, na tentativa de defender seus recrutas no Iraque. Ao apresentar as fotos ao júri, o promotor Nick Clapham classificou-as como “chocantes e pavorosas”. A defesa alegou que eles cumpriram ordens de seus superiores. O soldado Darren Larkin confessou ser culpado de agressão contra alguns iraquianos, mas os outros acusados, Daniel Kenyon e Mark Cooley, declararam inocência. Cooley aparece manobrando uma empilhadeira em que um iraquiano está amarrado na ponta. Na semana passada, o ex-carcereiro americano Charles Garner foi condenado a dez anos de prisão por torturas em Abu Graib.


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