Edição nº2606 06/12 Ver edições anteriores

Opinião

Raramente, comediantes são indicados para prêmios de melhor atriz ou ator. Isso não faz sentido

Hoje é o último dia do espetáculo que faço ao lado de Aloisio de Abreu e Luis Salem estreado há 21 anos: “Subversões”. Esse show começou no extinto “Crepúsculo de Cubatão” inferninho frequentado por gente antenada, moderna e famosa em Copacabana. Para mim, o relacionamento com essas pessoas sempre foi um suplício. A máxima “você pode tirar uma menina de Niterói, mas não pode tirar Niterói de dentro dela” é totalmente verdadeira. Eu, recém-chegada de uma família do Fonseca, de repente, ter que conviver com darks e famosos era um problema. Só que, mesmo inconscientemente, fui descobrindo uma arma poderosa: o humor. Aquilo que sempre fiz na escola para ser mais bem aceita. Sem querer, descobri que a comédia era para mim o maior meio de comunicação e de sedução. Nunca fui especialmente atraente, mas ali eu conseguia enganar a todos. Na comédia você pode ser bonita, gostosa, inteligente, cantora e até dramática. Só nesse espetáculo pude fazer o que me dá mais prazer: cena de plateia. Não tenho idade para ter assistido às musas do teatro de revista atuando, mas posso garantir que uma delas está dentro de mim quando visto meu macacãozinho de oncinha para conversar com o público.

Em quase todas as entrevistas que dou, perguntam-me se eu gostaria de fazer um papel dramático. Acho que para provar minha qualidade como atriz. A comédia sempre foi considerada um gênero menor. Raramente, comediantes são indicados para prêmios de melhor atriz ou ator. Em São Paulo, então, nem são indicados. Isso não faz sentido. Tchekhov chamava suas peças de comédias. Shakespeare tem comédias tão boas quanto seus dramas. Mesmo em suas tragédias existem momentos e personagens cheios de comicidade. Calderón de la Barca misturou lindamente os dois gêneros em sua “A vida é sonho”, Chaplin nos emocionava com mocinhas cegas e garotinhos órfãos, mas não esquecia de nos fazer rir com suas piruetas. Molière é menos que Racine? Nossos hilários seriados de tevê não têm a qualidade da novela das 8?

Em inglês, interpretar é “to play” que também quer dizer brincar; em francês “comédien” quer dizer ator!
Qualquer um pode gostar ou não do que eu faço, ótimo! Mas, daqui a pouco, quando eu estiver saindo para meu teatro, eu vou com uma certeza: eu sou atriz.

***

Só agora inventaram uma expressão para um sentimento que sempre existiu: a vergonha alheia. Basta dar uma zapeada na televisão para essa sensação esquisita tomar conta de você. Mulheres fazendo tratamento estético, bundas gigantescas em closes, falando assuntos de alcova, plásticas medonhas. No dia a dia, a vida também não é mole não. O que fazer quando uma pessoa fala assuntos particulares no celular dentro do elevador?
E presenciar briga de casal? Alguém pode fazer um livro de novas etiquetas?

***

Chico Buarque ficou surpreso por ser agredido na internet. Eu também. O lixo, o pior do ser humano está ali. Protegidos pelo anonimato, pessoas são cruéis e agressivas gratuitamente. Pergunto-me o que faz uma pessoa entrar num site e se cadastrar falsamente só para vociferar seu ódio. É assustador! Estupidez

sem argumentos. Já li coisas que parecem de autoria do maluco de Oslo. Fui esculhambada apenas por dar uma opinião. Sou a favor de uma discussão mais aberta sobre a legalização das drogas, apesar de não suportá-las. Só isso. Uma opinião. 


Mais posts

Ver mais

Copyright © 2019 - Editora Três
Todos os direitos reservados.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicaçõs Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.