Em Cartaz

Xuxa e os duendes

Xuxa jura que andou vendo criaturinhas de chapéu em forma de cone e resolveu fazer do assunto a trama de seu novo filme.

(cartaz nacional) – Xuxa jura que andou vendo criaturinhas de chapéu em forma de cone e resolveu fazer do assunto a trama de seu novo filme. Além dos duendes, ela reincide na pregação ecológica. Sempre de maneira simplória, mas com o didatismo necessário para a atingir a criançada que a adora. Desta vez, a apresentadora loira interpreta Kira, uma botânica natureba, perseguida pelo vilão Gorgon (Guilherme Karan). Para tentar repetir ou superar a façanha de seu trabalho anterior, Xuxa popstar – maior bilheteria nacional de 2001, com 2,3 milhões de espectadores –, ela vem acompanhada de Ana Maria Braga, Luciano Huck, Angélica e Gugu Liberato. (Ivan Claudio)

Memória da destruição: Rio uma história que se perdeu

(Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro) – Na gestão do prefeito Pereira Passos, de 1903 a 1906, a cidade do Rio de Janeiro sofreu a sua primeira e mais drástica renovação urbana. Movido pela vontade da modernização, o então administrador demoliu casarões coloniais para construir a avenida Central, atual avenida Rio Branco. Tanto derrubou, que ficou conhecido como Bota Abaixo. Infelizmente não sobraram vestígios desta época. Mas toda a sua imponência pode ser constatada nas fotografias de José Augusto Malta, que agora integram a ótima exposição cujo intuito é fomentar uma discussão sobre a necessidade ou não de se preservar a memória de uma cidade. No total, são 60 fotos, 15 charges e outros tantos mapas que mostram como as obras de expansão, a ação do tempo e o crescimento desordenado acabaram com a memória urbana. Entre as imagens históricas encontram-se o marco de fundação do Rio, o Morro do Castelo, hoje totalmente destruído, e a Lagoa Rodrigo de Freitas, que foi espantosamente diminuída nos últimos 100 anos. As fotografias ainda retratam em ordem cronológica as intervenções realizadas na paisagem carioca, de 1900 até meados da década de 60. (L.M.)

Swansong for you, com The Gentle Waves

(Trama) – Um delicado naipe de cordas toma conta deste segundo álbum do grupo da cantora, violoncelista e arranjadora Isobel Campbel. Desde 1999 à frente do The Gentle Waves – projeto paralelo à sua atuação como vocalista da banda escocesa Belle & Sebastian –, Isobel imprimiu muito bem seus sussurros com certo tom erudito (Let the good times begin), balanço pop (Falling from grace) e até ecos de bossa nova (There is no greater gold), já que ela destaca Astrud Gilberto como uma de suas cantoras favoritas. Swansong for you é daqueles discos que revigoram a música pop com inteligência, sensibilidade e musicalidade raras na última década. (Apoenan Rodrigues)

Lanny Gordin

(Baratos Afins) – Considerado a esfinge da MPB, o guitarrista paulistano nascido na China surgiu como um furacão no final dos anos 60 tocando nos discos da turma tropicalista, para sumir em seguida. Arredio e com problemas de adaptação social, durante os últimos anos ele participou de álbuns de fãs como Itamar Assumpção e Chico César. O resgate de Lanny Gordin coube a Luiz Calanca e seu quixotesco selo Baratos Afins. Calanca quis produzir um CD que mostrasse para as novas gerações o som caleidoscópico deste verdadeiro gênio brasileiro da guitarra. Na verdade, são apenas improvisos gravados durante as aulas que o produtor teve com o músico. Quem nunca o ouviu imagina estar diante de algum sofisticadíssimo álbum new age. Mas é “apenas” Lanny Gordin tocando. (Luiz Chagas)