Brasil

Tiros na eleição

Explosão da violência no País, liderada por São Paulo, atinge candidatura de Alckmin e respinga em José Serra

O calcanhar-de-aquiles do governo federal na eleição de outubro não será, como se imaginava no ano passado, o apagão. A explosão de violência no País, liderada pelo seu maior Estado, São Paulo, trouxe para o primeiro plano da sucessão presidencial o aumento da criminalidade e a impunidade. Em sete anos, o governo de Fernando Henrique Cardoso, assim como seus correligionários paulistas, não conseguiu controlar o problema. Os tucanos reconhecem que o estrago da sequência de crimes bárbaros em São Paulo, agravada pela execução do prefeito petista de Santo André, foi devastador na imagem do governo dentro e fora de casa. E tem potencial para ser ainda maior. “O impacto é muito grande. Estamos avaliando os desdobramentos na campanha”, afirmou o presidente nacional do PSDB, José Aníbal (SP), de olho na recém-lançada candidatura do ministro da Saúde, José Serra. O próprio FHC admitiu toda sua apreensão com os reflexos negativos ao presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), na terça-feira 22, durante um almoço em Brasília. “Não há como ficar fora do assunto. Estou preocupadíssimo”, reconheceu FHC.

Na tentativa de minimizar o problema, FHC decidiu repetir a estratégia de junho de 2000, quando a televisão transmitiu ao vivo o trágico desfecho do sequestro de um ônibus no Rio de Janeiro. Relançou propostas de combate à violência, trazendo mais uma vez o encargo do problema para o Planalto. Como o último plano não saiu do papel, não há garantias de que desta vez terá êxito. Pior do que o risco eleitoral, o presidente corre o risco de entregar a seu sucessor um país fora de controle. “A criminalidade e o banditismo alcançaram a esfera política. A contaminação é perigosa. A Colômbia está aí para nos mostrar”, diz o cientista político Fábio Wanderley Reis. “É preciso uma ação emergencial e, nesse caso, é crucial a liderança do presidente”, completa. Diagnóstico idêntico foi levado pelo PT no primeiro encontro entre FHC e o candidato Luiz Inácio Lula da Silva no Planalto, na terça-feira 22. “Nós estamos vendo o crescimento do crime organizado, que já tem braços políticos, na polícia, no Judiciário e no poder econômico”, disse Lula ao presidente. Por enquanto, são as urnas que levam FHC a temer o desgaste da explosão do crime no País.

Até aliados estão usando o fiasco tucano na guerra contra a violência como munição eleitoral. “Os tiros atingem gravemente o governador Alckmin, mas ricocheteiam em Serra também porque o governo assumiu uma atitude de risco”, diz o líder do PFL, José Agripino Maia (RN). “Atinge todo mundo, menos o PT, que é vítima”, emenda o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL). Todos os presidenciáveis tentaram capitalizar a crise, improvisando programas de combate ao crime. Dos três partidos que sustentam o governo, apenas o PFL dispõe de um plano estruturado de segurança. O senador Jorge Bornhausen (PFL-SC) entregou a FHC uma proposta baseada na valorização do policial. O projeto foi elaborado por Morani Torgan (CE). Nove entre dez marqueteiros apostam que o tema será o mais explorado no horário gratuito. A incógnita está na capacidade de reação do governo. “Se acontecesse nos últimos 20 dias de campanha, seria irreversível. Mas a nove meses é possível contornar”, avalia o publicitário Antônio Lavareda, que atende a candidata Roseana Sarney. É com esse cenário que trabalha FHC.

A reação do governo começou, mais precisamente no sábado 19. Antecipando que a crise estouraria em seu colo, FHC acertou pessoalmente as ações com o ministro da Justiça, Aloysio Nunes Ferreira, e com o governador paulista. Ligou para o celular da mulher de Lula, Marisa, no sábado, lamentando o sequestro. No domingo 20, voltou a falar com Lula, marcando uma conversa pessoal. Sofreria uma pressão menor quando o PT desembarcasse no Palácio. “Deixou de perder, mas não ganhou”, resume um colaborador próximo do presidente.

Preservação

– A tática do presidente pretende dar um fôlego ao governador Geraldo Alckmin. O objetivo é tentar preservar o precioso colégio eleitoral paulista. FHC já manifestou a apreensão com a possibilidade de que, com o desprestígio de Alckmin, cresça a candidatura de Paulo Maluf (PPB), com prejuízos ao desempenho de José Serra. Em público, o presidente manifesta apoio ao seu governador, mas nos bastidores Alckmin tem sofrido duras críticas pela timidez com que vem enfrentando as proezas cada vez mais espetaculares do crime organizado em sua administração. Foi imenso o choque com a fuga de detentos, com um helicóptero, do presídio de segurança máxima de Guarulhos. Assessores mais próximos dizem que, se a desenvoltura dos criminosos não for contida em São Paulo, Fernando Henrique pode reduzir o problema ao Estado, deixando que o governador paulista assuma as iniciativas e também os riscos. “O presidente não tem a dimensão real da gravidade do problema. Está subestimando o crime organizado. Ou vamos para uma operação mãos limpas ou para a barbárie”, prevê o presidente do PT, deputado José Dirceu (SP)

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