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Ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn é liberado de prisão domiciliar

A camareira que fez a acusação de agressão sexual prestou falso testemunho ao júri, dizem promotores

Ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn é liberado de prisão domiciliar

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O ex-diretor do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foi liberado nesta sexta-feira (1º) da prisão domiciliar. Ele é acusado ter estuprado a camareira de um hotel em Nova York. Inicialmente levado à cadeia, ele foi dirigido à prisão domiciliar após pagar uma fiança de US$ 6 milhões. O dinheiro foi devolvido, mas as autoridades americanas ficarão com o passaporte de Strauss-Kahn, para evitar que ele deixe os EUA.


Falso testemunho 

A camareira que acusou o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, de agressão sexual prestou falso testemunho ao júri, omitindo o fato de que ela limpou outro quarto, antes de transmitir ao supervisor do hotel a denúncia de que havia sido sexualmente atacada, revelaram os promotores nesta sexta-feira.

"A autora da queixa, desde então, admitiu que o depoimento era falso e que, logo depois do incidente no quarto 2086, passou a limpar um quarto próximo e só depois fez o mesmo no 2086, antes de denunciar o caso a seus supervisores", contaram os promotores, segundo documentos do tribunal. Segundo um dos advogados de defesa, Benjamin Brafman, Strauss Kahn será declarado inocente.

Os últimos elementos relacionados ao caso "reforçam nossa convicção de que será declarado inocente (…). É um grande alívio", disse Brafman. A justiça nova-iorquina suspendeu nesta sexta-feira a prisão domiciliar de Strauss-Kahn, mas as acusações por crimes sexuais abertas contra ele não foram abandonadas.

Política francesa

Dominique Strauss-Kahn, libertado sob palavra nesta sexta-feira, pode esperar ser inocentado das acusações de estupro e acreditar numa resurreição política, mas sua imagem corre o risco de ficar arranhada pela exposição pública dos segredos de sua vida sexual. Mesmo se sair inocentado, o calendário do judiciário americano deve impedi-lo de retomar, na liderança, a corrida para as eleições presidenciais francesas, um lugar que detinha, antes de sua prisão.

Obrigado a se demitir da direção do Fundo Monetário Internacional (FMI) após ser levado para a sinistra prisão de Rikers Island, "DSK", de 62 anos, ouviu nesta sexta-feira, de um juiz americano, as palavras que poderiam levá-lo novamente ao cenário político, do qual parecia excluído para sempre.

Até sua detenção, no dia 14 de maio, DSK era o favorito às presidenciais de 2012, o homem que muitos franceses, segundo as pesquisas, viam como um dos únicos candidatos aptos a solucionar os grandes males da sociedade francesa: desemprego, competitividade e desesperança dos jovens.

Economista brilhante, espírito claro, voltou a transformar o FMI, numa instituição respeitada, desde que passou a ocupar sua direção, a partir de 2007, alguns meses antes da crise financeira. Mas o ‘affaire’ de Nova York pôs à luz uma outra faceta de sua personalidade: seu relacionamento com as mulheres, motivos de muitos rumores durante anos, mas que não chegaram verdadeiramente à praça pública.

Por ocasião de sua nomeação para o FMI, um jornalista chegou a escrever em seu blog: "o único verdadeiro problema de Strauss-Kahn é seu relacionamento com as mulheres. Ele chega às vezes às vias do assédio", escreveu Jean Quatremer, do jornal francês Libération (esquerda).

Uma primeira advertência foi feita em outubro de 2008. Uma ligação extraconjugal com uma economista húngara do FMI, do qual ele era superior hierárquico direto, quase lhe custou o cargo. Desde sua detenção, as línguas se soltaram na imprensa, da parte de mulheres que teriam sido importunados por DSK, mesmo se nenhuma queixa tenha sido apresentada formalmente.

Os franceses tomaram conhecimento tanto do seu lado libertino, exposto na imprensa, quanto de sua riqueza que, na realidade, pertence à mulher, Anne Sinclair, com quem casou em terceiras núpcias, em 1991. A ex-jornalista, apresentadora da televisão, usou sua fortuna para socorrer o marido: o aluguel mensal de 50.000 dólares de uma luxuosa casa no bairro nova-iorquino de Tribeca com um dispostivo de vigilância de 200.000 dólares por mês; sem contar a fiança de um milhão de dólares e outros cinco milhões de dólares de garantia.

Segundo os jornais, para as presidenciais francesas, Dominique Strauss-Kahn tinha consciência de seus pontos fracos, em caso de candidatura ao Eliseu: "o dinheiro, as mulheres e seu judaísmo". 

Os franceses descobriram realmente "DSK" em 1997, quando ele passou a dirigir o ministério das Finanças. A esquerda estava no poder, o crescimento aparecia nas estatísticas, com o desemprego recuando, e o ministro adquiria uma estatura internacional, com um rótulo de socialista moderado. Poliglota, fluente em alemão e inglês, este professor de economia e advogado, que passou uma parte de sua juventude no Marrocos, é respeitado por seus pares e se impõe como uma das figuras de destaque na União Europeia, mesmo se reprovado por um certo diletantismo.