Comportamento

Saúde campeã de audiência

Programas de medicina ganham audiência na tevê com informalidade, interatividade e didatismo

Saúde campeã de audiência

Nunca a mídia falou tanto sobre saúde. A novidade, agora, é o sucesso que o pessoal de jaleco branco tem feito em frente às câmaras de tevês. Seguindo o modelo americano, duas das maiores emissoras do País, a Globo e a Record, mantêm programas cujo foco são doenças ou maneiras de evitá-las. E os médicos têm lugar de destaque na produção, que usa informalidade, interatividade e didatismo. Na Globo, o matinal “Bem Estar” é comandado por jornalistas e orientado por cinco especialistas de renome. Na Record, durante a tarde, o clínico geral Antonio Sproesser apresenta o “E Aí, Doutor?” Segundo Sproesser, o brasileiro é carente de informação médica. “Mas tomamos muito cuidado para não confundir a cabeça de ninguém”, afirma.

Os especialistas em saúde concordam que tais programas ajudam a disseminar informações importantes tanto para a prevenção como para o tratamento de doenças. “Um paciente bem informado vai questionar o médico”, explica o pneumologista João Pantoja, superintendente da Rede D’Or de hospitais, no Rio de Janeiro. Mas sublinha que a última palavra tem de ser do especialista. “Meu medo é de que o telespectador receba a informação e pare por aí.” Record e Globo garantem que o objetivo de suas atrações é justamente alertar os telespectadores e incentivá-los a marcar uma consulta.

Num dos episódios do “Bem Estar”, por exemplo, Mariana Ferrão, que faz dupla com Fernando Rocha, ficou claramente desconfortável ao apresentar réplicas de fezes, feitas de massa de modelar. Posteriormente, justificou no “Programa do Jô”: “É uma coisa superimportante na consulta, pois ninguém sabe dizer como é o seu cocô.” Para a presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), a cirurgiã plástica Márcia Rosa de Araujo, os programas não podem apelar para o sensacionalismo, expondo pacientes, banalizando procedimentos ou provocando alarme. E há diferença entre tirar dúvidas gerais dos telespectadores e esmiuçar o caso de alguém. “A consulta médica é individual e diminuir sua importância pode ser perigoso”, ressalta.  

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