Artes Visuais

Música das esferas

O escultor Nelson Felix experimenta com o vídeo e a fotografia para criar uma escultura audiovisual que aponta para quatro coordenadas geográficas

Música das esferas

NELSON FELIX – CONCERTO PARA ENCANTO E ANEL/ Oi Futuro-Flamengo, RJ/ até 30/6

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SINFONIA
Obra de Nelson Felix cria música a partir de série de vídeos  

Ao entrar na sala, uma voz suave anuncia: “As coordenadas geográficas são acordos e os acordos são parâmetros.” O artista Nelson Felix é o narrador de “Concerto para encanto e anel”, escultura sonora desenvolvida especialmente para o ambiente expositivo do Oi Futuro, no Rio. O projeto, com curadoria de Alberto Saraiva, reúne em uma só obra os registros de quatro intervenções escultóricas, realizadas por Felix, em diversos pontos da América do Sul, desde os anos 1980.

Fotografias e vídeos das intervenções feitas na Floresta Amazônica, nos Pampas gaúchos, no litoral cearense e no deserto do Atacama, no Chile, são sobrepostas em dois momentos da instalação. Do lado de fora da sala, uma série de projetores sobrepõe as fotografias, anulando a percepção da ordem cronológica dessas ações. No interior da escultura sonora, quatro projeções alternam-se simultaneamente em looping, mostrando um anel de mármore usado nas obras “Camiri” (2006) e “Cavalariças” (2009). A alternância dos vídeos está programada em tempos diferentes – cinco, sete e 11 minutos – que somam o número 23, fazendo com que as imagens e os sons produzam uma música que nunca se repetirá ao longo do período expositivo.

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DIÁRIO DE BORDO
Registros fotográficos foram inspiração para a criação do artista

Esse concerto orquestrado por Felix e regido pelo número 23 teve início em 1985, quando o artista começou a série de trabalhos pela América do Sul. Ao ligar os locais por coordenadas cartográficas deu-se a forma de uma cruz que tinha em seu centro a cidade de Camiri, na Bolívia. Quando estava prestes a realizar um novo trabalho na cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, o artista descobriu que, coincidentemente, a cidade viria a ter a mesma longitude de 23º que a cidade boliviana. Foi então que idealizou “Camiri” para o Museu Vale, resultando na instalação site specific, feita de um anel de mármore e vigas de ferro inclinadas em 23º em relação ao chão. Este também foi o ponto de partida para “Cavalariças”, que atualmente, junto com “Camiri”, encontra seu ato final em “Concerto para encanto e anel”. “Esse percurso equivale a um desenvolvimento da linguagem particular”, explica Felix, que experimentou pela primeira vez com os suportes audiovisuais, dando-lhes uma forma escultórica.