Cultura

Consórcio Cultural

A cantora Marianna Leporace e A Banda Mais Bonita da Cidade são exemplos de artistas que se cotizam com os fãs pela internet para financiar seus projetos

Consórcio Cultural

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SEM DINHEIRO PÚBLICO
A Banda Mais Bonita da Cidade (acima) precisa de R$ 48 mil para
produzir seu CD. Marianna Leporace orçou seu show em R$ 12 mil

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Sucesso no Exterior, uma modalidade de financiamento de produções culturais começa a se firmar no Brasil: é o chamado crowd funding, uma espécie de consórcio feito através da internet. Por esse caminho, o público e os próprios artistas em geral ajudam cantores, fotógrafos e outros criadores a tornar realidade as suas obras e ainda recebem recompensa por isso. “É uma ideia revolucionária que vai estreitar o vínculo do artista com aqueles que o admiram e fazê-lo realmente independente”, diz Vinicius Nisi, integrante do grupo A Banda Mais Bonita da Cidade, novo fenômeno da web, com mais de cinco milhões de acesso ao seu vídeo. O grupo lançou mão dessa nova prática para levantar o orçamento de R$ 48 mil necessário à produção de seu primeiro CD.

Não foram apenas os novatos que aderiram à ideia. A cantora Marianna Leporace, com 20 anos de carreira, espera totalizar R$ 12 mil necessários para viabilizar o show de lançamento de seu nono CD usando a mesma estratégia. “Trata-se de uma mudança importante para tirar o artista das mãos dos intermediários”, afirma ela. Como retribuição, quem contribui recebe “dividendos” de acordo com o valor da doação, como ingressos para apresentações ao vivo, CDs e livros. Esse tipo de “vaquinha” nasceu nos EUA, onde o maior site de crowd funding, o Kickstarter, movimentou US$ 40 milhões apenas nos últimos dois anos. No Brasil, a primeira iniciativa partiu do Catarse, criado há cinco meses. “Dos 32 projetos que apresentamos ao público, 22 conseguiram a quantia desejada”, diz Diego Reebeg, um dos donos.

Na esteira do Catarse, já existem o Movere e o Sibite. Com um trabalho já realizado pelo novo sistema, o coletivo de fotógrafos Garapa vê na iniciativa uma forma de se livrar dos entraves das leis de incentivo. “É uma saída para concretizar ideias que não são comerciais e dificilmente teriam o apoio de empresas”, diz Paulo Fehlauer, do Garapa, que conseguiu R$ 16 mil para realizar um ensaio sobre o edifício São Vito, em São Paulo, moradia popular que foi demolida. Não se trata, claro, de uma saída para grandes produções. Mas, para projetos de médio porte, o crowd funding é uma boa solução. E melhor: não precisa de um centavo dos cofres públicos. 

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