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A incrível história do homem que diz ter comprado cinco aviões de caça da FAB, mas não recebeu as aeronaves

Como o referendo do dia 23 decidiu que o brasileiro tem o direito de comprar armas, alguém poderia, por exemplo, comprar aviões
de guerra da FAB? Para um civil, é praticamente impossível. Mas pelo menos um brasileiro quase conseguiu isso: o tenente-coronel da Aeronáutica Gustavo Adolfo Franco Ferreira, 64 anos, hoje reformado. Ex-investigador de acidentes aéreos, Ferreira foi para a reserva há 20 anos e tornou-se empresário. Ele exibe uma nota fiscal para comprovar que comprou cinco aeronaves F-5 B, utilizadas para treinamento de pilotos de guerra. Comprou, pagou US$ 310 mil (os 10% iniciais do valor), mas não recebeu os aparelhos.

Pode até parecer história da carochinha, mas Ferreira carrega uma farta documentação para embasar sua história. A compra ocorreu em um leilão da FAB, em 9 de dezembro de 1996, por US$ 3,1 milhões, segundo ele. Para levar seu ousado projeto adiante, uniu-se à empresa Boulais Aircraft Services, do Arizona (EUA), que financiou o negócio. O dinheiro pago foi depositado na Caixa Econômica Federal, em caução. Isso teria provocado a ira de autoridades daquela época, de acordo com o coronel. Esperava-se que 90% do valor a ser pago – além dos 10% de sinal – fossem para a conta do leiloeiro Jorge Boydjian, conforme determinava o edital, mas Ferreira diz não ter concordado. “Quando a FAB me deu a nota fiscal, levantei a caução e o dinheiro foi para a instituição. Só que não recebi os aviões até hoje”, reclama.

Sonho de consumo – Ferreira passou os últimos anos correndo atrás de autoridades. Depois de agosto último, quando completou 64 anos – e não pôde mais ser convocado para o “serviço ativo” nas Forças Armadas –, ele decidiu falar. Encaminhou um documento ao ministro da Defesa, José Alencar, e ao IV Comando Aéreo Regional. E diz que ingressará com uma ação civil pública na Justiça. Ferreira reclama do atual comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, na época diretor de material da Aeronáutica, por não entregar os aviões.

O sonho de consumo do coronel também envolve razões sentimentais. Em 1974, ele trabalhava na embaixada brasileira em Washington e foi o responsável pelo “controle de aquisição” dos aviões F-5 B, quando eram comprados dos Estados Unidos, por US$ 1 milhão cada um. O coronel sabia tudo sobre as aeronaves, que voam a 1.900 quilômetros por hora, atingem uma altura de dez mil metros em menos de cinco minutos e pesam cerca de oito mil toneladas. Ao ser informado do leilão, pensou na possibilidade de revendê-las, desmontadas, a empresas americanas, por US$ 4 milhões cada uma.

Para guardá-las, Ferreira comprou um hangar no Campo de Marte, em São Paulo, onde passou a funcionar sua empresa, a 850 Aviation Club. Mas o hangar foi fechado em março de 2003, por causa de uma ação de reintegração de posse movida pela Infraero. Para Ferreira, teria sido, na verdade, “uma desapropriação”. Se essa medida não for revogada e, por acaso, o coronel conseguir os aviões, vizinhos temem que ele possa querer levá-los para a pacata cidade de Ubatuba, no litoral norte de São Paulo, onde reside.


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