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Cacau no bolso

Grupo do peemedebista Geddel Vieira Lima acusa novo aliado de ACM Neto de pagar mensalinho em prefeitura baiana

Foi graças a uma empresa de ônibus que o “turco” Nacib conheceu em Ilhéus a sedutora e sensual Gabriela, segundo o mais famoso livro do escritor baiano Jorge Amado – Gabriela, Cravo e Canela. Com seus vestidos floridos decotados, ela cruzou o caminho do comerciante em 1925, quando a Viação Sul Bahiano começava a operar no trecho entre Ilhéus e a vizinha Itabuna. Para comemorar a primeira linha na região, os donos encomendaram um grande almoço a Nacib que, naquele momento, estava sem cozinheira. E foi encontrar a brejeira Gabriela num mercado de escravos. A partir daí, como todos sabem, foi aquele furor na então pacata Ilhéus, conforme a história descrita por Jorge Amado.

Quase 80 anos depois, uma outra empresa de ônibus, por acaso chamada Gabriela, faz novamente a cidade virar pelo avesso. Em uma licitação, essa companhia perdeu a concessão. Seu proprietário, o empresário Valderico Reis, decidiu então disputar o comando da prefeitura em 2004 e, assim, tentar retomar a permissão. Eleito prefeito, Valderico teria recorrido a métodos não muito ortodoxos para aprovar seus projetos na Câmara Municipal. Segundo oposicionistas, nove dos 13 vereadores de Ilhéus estariam recebendo um “mensalão” de R$ 6 mil. Pelo menos um deles teria levado R$ 15 mil em circunstâncias não muito bem explicadas.

“Sai do lixo” – A denúncia veio a público por meio de gravações feitas pelo vereador Zerinaldo Sena (PMDB), ex-secretário de Transportes local. Zerinaldo exibiu num DVD conversas dele com o prefeito e com um ex-subprocurador do município, Jerbson Moraes. Em uma delas, Jerbson, em nome de Valderico, teria lhe repassado R$ 5,3 mil e embolsado R$ 650, que seria sua “comissão”. Em outro momento, o vereador devolve o dinheiro e diz que esperava o próprio prefeito para fazer a entrega. Vereadores supostamente beneficiados são citados. Valderico também foi gravado num momento em que diz que o dinheiro “sai do lixo”. O DVD tinha trechos inaudíveis e foi analisado pelo perito Ricardo Molina de Figueiredo, que confirmou a autenticidade das gravações.

O caso agita Ilhéus e o sul da Bahia. É o assunto do momento no Bar Vesúvio, o antigo estabelecimento de Nacib, hoje descaracterizado, mas ainda um dos principais pontos turísticos da terra de Gabriela. A denúncia ganha contornos ainda maiores por envolver uma disputa entre caciques da política baiana. De um lado está Geddel Vieira Lima, ex-líder do PMDB na Câmara dos Deputados e anticarlista ferrenho, que acolheu Zerinaldo após sua recente saída do PTB. Do outro, o deputado ACM Neto, herdeiro político de Antônio Carlos Magalhães.

Valderico foi eleito pelo PMDB e tinha apoio de Geddel. Mas, pouco hábil, recebeu ACM Neto e outros pefelistas para almoço numa churrascaria. A partir daí, surgiu
a proposta de candidatura à Assembléia Legislativa de Luciana Reis, filha de Valderico e sua secretária de Governo, em dobradinha com ACM Neto. Ao saber
da denúncia de Zerinaldo, Geddel então pediu a expulsão do prefeito do PMDB. Valderico saiu antes e está sem partido. A denúncia de corrupção está sendo apurada pelo Ministério Público e pela Polícia Federal e também por uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal. “O caso é simples: é apuração, cassação e colocação do prefeito na cadeia”, proclama Geddel. O prefeito nega
as acusações. “Não existe mensalão ou mensalinho e ninguém teve autorização
da minha parte para oferecer qualquer coisa. O que existe é ciúme porque o ACM Neto veio apoiar Ilhéus”, reage.


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Pivô da disputa, o deputado pefelista atribui a confusão ao fato de ser aliado de outro prefeito da região, que é noivo da filha de Valderico. “E fui lá, convidado, para discutir reivindicações de Ilhéus.” Para ele, as denúncias “têm de ser investigadas pelos órgãos competentes”. O centro da polêmica é o conteúdo das gravações. “No laudo existem erros grosseiros”, desqualifica o vereador Alcides Kruschewsky (PMN), presidente da CEI e envolvido no caso. “Isso é normal. Ao começar do zero, todo laudo tem lacunas e pode ser complementado”, explica o perito Molina. A polêmica prossegue. No Bar Vesúvio, onde há uma estátua de Jorge Amado, a imagem do escritor sentado à mesa também parece disposta a debater o tema.

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