Cultura

Cineastas viajantes

Sem verbas para seus filmes nos EUA, Woody Allen, o grande retratista de Nova York, se integra ao grupo de diretores que produzem fora de seus países

Cineastas viajantes

Confira, em vídeo, trechos de dois outros filmes de Wood Allen rodados na Europa :

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NA NOTRE DAME
Woody Allen (abaixo) levou Owen Wilson para Paris. Carla Bruni tem participação muito especial

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O cineasta americano Woody Allen continua com sua rotina de rodar um filme por ano. Só que agora não o faz obrigatoriamente em Nova York, cenário do qual não arredaria os pés – e a câmera – se contasse com investimentos e verbas dos produtores de seu país. Seu novo longa-metragem se chama “Meia-Noite em Paris” (estreia na sexta-feira 17) e, claro, se passa na Cidade Luz. A história começa mansa, com imagens do local que escolheu para retratar e, aos poucos, vai revelando os segredos da capital francesa. Tal qual ele fazia com Manhattan. À frente de outra obra ambientada longe de casa, Allen se afirma mais uma vez como um cineasta viajante. Seu périplo cinematográfico começou há seis anos, quando fez em Londres “Match Point – Ponto Final” – na sequência, também ambientou lá “Scoop – O Grande Furo” e “O Sonho de Cassandra”. Após uma pausa nova-iorquina, viajou para a Espanha para realizar na Catalunha “Vicky Cristina Barcelona”, que deu o Oscar a Penelope Cruz.

Nesses constantes deslocamentos, seus alteregos às vezes perdem o brilho, como aconteceu com o aventureiro divorciado vivido por Anthony Hopkins em “Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos”. Ele era muito londrino. Desse risco não corre o protagonista de “Meia-Noite em Paris”, um americano fascinado pelos anos loucos da Rive Gauche e interpretado por Owen Wilson. Disputado pelas metrópoles europeias (seu próximo trabalho será realizado em Roma, no ano que vem), Allen fecha produções com as chamadas Film Commissions, organizações públicas que viabilizam filmes pensando em agregar valor às suas cidades.

Outro americano que tem adotado a estratégia é Francis Ford Coppola, que rodou “Velha Juventude” na Romênia e “Tetro” em Buenos Aires. Numa via paralela, alguns diretores têm como ponto de partida de suas histórias determinados lugares no mundo. O gosto pela viagem é uma característica de nomes como os alemães Wim Wenders e Werner Herzog, o chinês Wong Kar-Wai e o brasileiro Walter Salles, que finaliza nos EUA sua adaptação de “On the Road”, baseado no livro do beatnik Jack Kerouac. Junto com “Diários de Motocicleta”, o longa se enquadra no gênero dos “road movies”, filmes cujos enredos são viagens e que integram a paisagem da estrada à história.

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