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Bin Laden, de magnata islâmico ao homem mais procurado do mundo

O homem que fundou a Al-Qaeda chegou a receber apoio da CIA para combater o governo soviético no Afeganistão

Bin Laden, de magnata islâmico ao homem mais procurado do mundo

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Osama Bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda e o homem mais procurado do mundo desde os atentados de 11 de setembro de 2001, morreu em uma operação especial americana no Paquistão, anunciou no domingo o presidente Barack Obama.

Nascido em Riad, capital da Arábia Saudita, por volta de 1957 (a data exata não é conhecida), Osama Bin Laden era o 12º filho de um magnata da construção saudita ligado à família real. Bin Laden estudou Engenharia Civil e Comércio na conceituada Universidade King Abdul Aziz de Jidá e em 1973 se uniu a grupos islamistas. Seus amigos da época o descreviam como um jovem respeitador, reservado e grande estudioso dos principais textos do wahabismo, uma das vertentes do islamismo sunita.

Após a invasão soviética ao Afeganistão em 1979, ele organizou neste país uma base logística dos mujahedins afegãos. Posteriormente, se instalou em Peshawar, base da guerrilha anti-soviética no Paquistão, onde conheceu aquele que se tornaria seu mentor, o palestino Abdullah Azzam, um dos principais líderes da resistência aos soviéticos.

Voluntários, árabes em sua maioria, não faltaram. Bin Laden os recebia e criou uma base de dados que se transformaria com o passar dos anos em uma organização, a Al Qaeda ("A Base"), com o objetivo de lançar a "brigada internacional islamita".

Ajuda do inimigo

Bin Laden lutou contra os soviéticos com a ajuda indireta da CIA, o serviço secreto americano, que o pagou por meio do serviço de inteligência paquistanês. Após a derrota dos soviéticos em 1989, Bin Laden voltou ao seu país, onde foi recebido como um herói. Ele participou de inúmeras conferências em mesquitas e colégios sobre o êxito da "jihad" (guerra santa).

Com o anúnico da Guerra do Golfo, em janeiro de 1991, Bin Laden declarou "guerra santa" aos Estados Unidos por ter ocupado sua terra natal. Em 1992, retornou ao seu país, mas seu passaporte saudita foi cassado. Na época, Bin Laden se instalou então no Sudão, com a aprovação das autoridades locais.

Os serviços de informação americanos o acusavam de financiar campos de treinamento para terroristas. A Arábia Saudita tirou sua nacionalidade em 1994, após a publicação de "fatwas", nas quais denunciava os Estados Unidos e a família real saudita. Em 1996, o Sudão, sob forte pressão interncional, pediu que abandonasse o país. Bin Laden reapareceu com aliados e armas no Afeganistão.

Ações

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O líder da Al-Qaeda abre então campos de treinamento de terroristas que atraem milhares de seguidores de todo o mundo muçulmano e planeja uma série de atentados que lhe valeram o título de inimigo público número um dos Estados Unidos. Seus maiores atentados, antes de 11 de setembro de 2001, ocorreram em agosto de 1998, quando dois homens-bomba deixaram 224 mortos em explosões simultâneas nas embaixadas americanas na Tanzânia e no Quênia.

Após os atentados contra o World Trade Center, em Nova York, e o Pentágono, que causaram a morte de quase 3.000 pessoas, os Estados Unidos deram início a uma grande operação para encontrar Bin Laden. Foram ainda oferecidos 25 milhões de dólares por qualquer informação que levasse a sua captura. Bin Laden, que zombou da intervenção das tropas americanas no Afeganistão no final de 2001, foi visto pela última vez em novembro daquele ano em Kandahar, no sul do Afeganistão, de acordo com testemunhas.

Os serviços de inteligência regionais e ocidentais se basearam na pista de que ele estava escondido em uma região entre a fronteira do Afeganistão e Paquistão. Mas especialistas disseram que não havia uma informação confiável e outras fontes apontaram novos possíveis esconderijos, como o Irã e algumas cidades do Paquistão.

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Sucessores

Apesar da morte de Osama Bin Laden no domingo, a Al-Qaeda conta ainda com uma série de líderes que podem a partir de agora assumir papéis importantes e aspirar a sua sucessão.

Estes são os 10 membros do grupo mais procurados atualmente pelos serviços de inteligência ocidentais:

Ayman al-Zawahiri: braço direito de Bin Laden e co-fundador da Al-Qaeda. Médico de 60 anos de idade, foi um dos pilares do grupo egípcio Jihad Islâmica antes de conhecer Osama Bin Laden no Afeganistão. Atraiu vários militantes e organizou a Al-Qaeda. Assim como Bin Laden, a recompensa oferecida por sua captura é de 25 milhões de dólares.

Saif al-Adel: egípcio, de aproximadamente 50 anos, também egresso das fileiras da Jihad Islâmica, é o suposto líder do braço militar da Al-Qaeda. É acusado de participação nos atentados contra as embaixadas americanas de Nairóbi e Dar es Salaam em 1998. A recompensa por sua captura é de cinco milhões de dólares.

An War al-Aulaqi: imã radical de 39 anos, de dupla nacionalidade americana e iemenita. Não integra a Al-Qaeda formalmente, mas apoia suas ideias e convoca a jihad pela internet, onde tem granda influência. Em dezembro, o secretário americano da Justiça, Eric Holder, disse que ele representa uma ameaça tão grande quanto Bin Laden. Aulaqi buscou refúgio em uma remota província iemenita junto com membros de sua tribo.

Fasul Abdulah Mohamed: oriundo das Ilhas Comores, na faixa dos 40 anos, é o suposto chefe das redes da Al-Qeda no leste da África. Também estaria envolvido nos atentados de 1998 no Quênia e na Tanzânia e funcionaria como contato dos islamitas somalis. Figura na lista de terroristas procurados pelo FBI desde sua primeira publicação, em outubro de 2001.

Adam Yahiye Gadahn: cidadão americano, de 32 anos, convertido ao islã. Discursa frequentemente na internet em árabe e inglês para pregar a jihad contra Israel e os Estados Unidos. Washington o procura por traição e por suposta participação em "atos terroristas" com a Al-Qaeda. Uma recompensa de um milhão de dólares foi oferecida por qualquer informação que possa levar à sua captura.

Suleiman Abu Ghaith: imã kuwaitiano de 46 anos proibido de pregar em seu país pelo tom radical de seus sermões. Juntou-se a Bin Laden em 2000. Desde então, tornou-se um dos principais porta-vozes da Al-Qaeda.

Fahd Mohamed Ahmed Al Quso: iemenita de 37 anos, acusado de ser um dos organizadores do atentado contra o "USS Cole", que matou 17 americanos em 2000. Detido no Iêmen entre 2002 e 2007, suspeita-se que tenha se unido posteriormente às fileiras da Al-Qaeda na Península Islâmica (AQPA).

Abdullah Ahmed Abdulah: egípcio de aproximadamente 50 anos. Suspeita-se que tenha ajudado Saif Al Adel na implantação e organização da Al-Qaeda no leste da África. Também integra a primeira lista do FBI, com uma recompensa de cinco milhões de dólares.

Nazih Abdul Hamed Nabih al Ruqai, conhecido como Anas al Liby: líbio, de 47 anos, ex-refugiado político na Grã-Bretanha. Também suspeita-se que tenha participado dos atentados na África em 1998.

Ali Said Ben Ali el Hurie: saudita de 46 anos. É acusado de ter participado do atentado de junho de 1996 contra as torres Jobar, em Dahran (Arábia Saudita), que causou a morte de 19 militares americanos. A recompensa por sua captura é de cinco milhõees de dólares.